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Wall Street Journal: Nike rompeu contrato com Neymar após investigação por abuso sexual

28 de maio de 2021

(por Layo Lucena)

Segundo o ‘Wall Street Journal’ Neymar, do Paris Saint-Germain, teve seu contrato encerrado com a Nike, em 2020, após um suposto caso de abuso sexual contra uma funcionária da empresa. O jogador foi denunciado em 2018, em um fórum organizado por lideranças da empresa e seus funcionários. A partir daí, foi aberta uma investigação independente em 2019, de resultados considerados “inconclusivos”.

Segundo a fabricante de material esportivo, o contrato do craque brasileiro foi rescindido pela postura dele ao se recusar a cooperar com as investigações.

De acordo com a publicação, a funcionária da Nike, que coordenava eventos e a logistica para Neymar, revelou que o jogador teria a forçado a fazer sexo oral em um quarto de hotel enquanto estava na cidade de Nova York. O caso teria acontecido em 2016, sendo denunciado dois anos depois.

“A Nike ficou profundamente perturbada com alegações de abuso sexual feitas por uma de nossas funcionárias contra Neymar Jr.. O suposto incidente aconteceu em 2016 e foi oficialmente relatado à Nike em 2018. A funcionária se manifestou para relatar a experiência em um fórum criado pelas lideranças da Nike para fornecer um ambiente seguro onde funcionários e ex-funcionárias pudessem, confidencialmente, compartilhar suas experiências e preocupações. Desde o início tratamos as alegações da funcionária com grande seriedade".

Segundo a empresa, a funcionária relutou em denunciar o jogador em um primeiro momento. Por conta disso, a Nike optou por respeitar a confidencialidade e não se manifestou sobre o incidente.

“Quando a funcionária relatou suas alegações pela primeira vez às lideranças da Nike em 2018, ela fez isso sob garantia de confidencialidade. Embora a Nike estivesse preparada e pronta para investigar naquele momento, a empresa respeitou o desejo inicial dela em manter esse assunto confidencial e evitar uma investigação. Como empregadores, tínhamos a responsabilidade de respeitar sua privacidade, e não acreditamos que era apropriado dividirmos as informações com autoridades policiais ou qualquer terceiro sem o seu consentimento", afirma a multinacional.

“Em 2019, quando a funcionária expressou interesse em retomar o assunto, agimos imediatamente. A Nike comissionou uma investigação independente e contratou aconselhamento legal independente para a funcionária, escolhido por ela e custeado pela empresa".

A decisão de encerrar o contrato multimilionário com Neymar partiu da própria Nike, depois que a empresa passou a investigar a acusação feita pela funcionária. Na época do rompimento, a multinacional não tinha dado detalhes sobre o motivo do fim da parceria. Neymar tinha contrato com a empresa desde os 13 anos. As investigações foram consideradas inconclusivas, porém o que motivou a rescisão, segundo a própria Nike, foi a maneira como Neymar se comportou, se recusando a cooperar.

A investigação foi inconclusiva. Não emergiram fatos suficientes que nos permitam falar substancialmente sobre o assunto. Seria inapropriado para a Nike fazer uma declaração acusatória sem poder oferecer fatos que a suportem. A Nike encerrou sua relação com o atleta porque ele se recusou a cooperar em uma investigação de boa-fé de alegações críveis de uma funcionária".

"Continuamos respeitando a confidencialidade da funcionária e reconhecemos que essa tem sido uma longa e difícil experiência para ela", disse a empresa.

Após a publicação da matéria, Neymar se manifestou no Instagram sobre a investigação e a acusação de assédio:

“Os fatos podem ser distorcidos porque as pessoas os enxergam de ângulos diferentes. Não temos como negar que a vida é assim. Faz parte. Até entendo quando alguém faz uma crítica sobre minhas condutas, minha forma de jogar e viver a vida. Somos diferentes. Eu realmente não entendo como uma empresa séria pode distorcer uma relação comercial que está apoiada em documentos. As palavras escritas não podem ser modificadas. Elas sim são muito claras. Não deixam dúvidas. Desde os meus 13 anos, quando assinei meu primeiro contrato, sempre fui alertado: não fale sobre seus contratos, são sigilosos. Contrariar essa regra e afirmar que o meu contrato foi encerrado porque não contribuí de boa-fé com uma investigação, isso é absurdo, mentiroso. Mais uma vez sou advertido que não posso comentar em público. Indignado vou obedecer.

Mas a matéria do Wall Street Journal é muito clara. Em 2016 parece que já sabiam desse acontecimento. Eu não sabia. Em 2017 viajei novamente para os Estados Unidos para campanha publicitária, com as mesmas pessoas, nade me contaram, nada mudou. Em 2017, 2018 e 2019 fizemos viagens, campanhas, inúmeras sessões de gravação, e nada me contaram. Um assunto com tamanha gravidade e nada fizeram. Quem são os verdadeiros responsáveis?

Não me deram a oportunidade de me defender. Não me deram a oportunidade de saber quem é essa pessoa que se sentiu ofendida. Eu nem a conheço. Nunca tive nenhum relacionamento. Não tive sequer a oportunidade de conversar, saber os reais motivos da sua dor. Essa pessoa, uma funcionária, não foi protegida. Eu, um atleta patrocinado, não fui protegido. Até quando?

Ironia do destino continuarei a estampar no meu peito uma marca que me traiu. Essa é a vida”.