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Villarreal não se intimida contra o Bayern de Munique, dá show tático e vence equipe alemã no jogo de ida das quartas-de-final da Champions League

6 de abril de 2022

(por Matheus Correia)

Na tarde desta quarta-feira (6), o Villarreal recebeu o Bayern de Munique no Estadio de la Ceramica pela partida de ida das quartas de final da Champions League. Com um resultado surpreendente no placar, mas nem tanto dentro de campo, os submarinos amarelos botaram os alemães na roda e conquistaram a vitória em casa por 1 a 0.

O Villarreal não se intimidou com a equipe que estava do outro lado do campo. Desde o primeiro minuto, o time de Unai Emery conseguia sair da pressão bávara com muita qualidade, com passes rápidos e que geralmente resultavam em uma enfiada de bola entre a linha de defesa do Bayern.

E foi neste bom ritmo que os submarinos amarelos abriram o placar em uma excelente jogada coletiva. Gerard Moreno saiu da área para auxiliar na construção e acionou Giovanni Lo Celso na direita. O argentino, quase rente à linha de fundo, cruzou rasteiro para a grande área e Dani Parejo finalizou. A bola saiu fraca, mas Danjuma apareceu em velocidade para completar e enganar totalmente Manuel Neuer.

Se nos minutos iniciais da partida a boa postura ofensiva do Villarreal chamou a atenção, após o gol, foi a vez da defesa se sobressair. O Bayern, como era de se esperar, saiu mais para o jogo e passou a ficar mais com a posse.

Entretanto, as ações da equipe de Nagelsmann foram limitadas ao máximo pelo excelente desempenho tático dos espanhóis. Capoué e Coquelin fizeram de tudo para impedir que o ataque do Bayern se construísse no setor central do campo, o que forçou os alemães a “lateralizar” o jogo.

O Bayern aplicou uma verdadeira chuva de cruzamentos na grande área, mas nenhum deles achou o principal alvo: Robert Lewandowski. O atacante polonês praticamente não encostou na bola na primeira etapa, sendo completamente anulado pela dupla de zagueiros Pau Torres e Raul Albiol.

Já nos minutos finais do primeiro tempo, Coquélin marcou um gol bizarro ao tentar um cruzamento e enganar Neuer. Entretanto, no início da jogada, o volante espanhol estava em posição irregular e o tento acabou sendo anulado.

O primeiro tempo ficou marcado pela atuação de gala de dois argentinos do Villarreal: o lateral esquerdo Juan Foyth e o meia Lo Celso. Enquanto o primeiro foi primordial na saída de bola da equipe espanhola, o segundo foi o principal articulador ofensivo do time, geralmente com boas enfiadas de bola nas costas da defesa alemã.

Na segunda etapa, o Bayern começou a atacar de maneira mais “desesperada”, populando a grande área com o máximo de jogadores possíveis e mantendo a aposta na bola aérea. Logo no início, a equipe alemã construiu o que foi sua primeira boa chance na partida.

Após confusão na área, a bola sobrou com Alphonso Davies na esquerda e o canadense acionou Gnabry mais atrás. O atacante alemão tirou de Capoué e finalizou rasteiro e cruzado – a bola passou na frente de Lewa e Muller, mas nenhum deles conseguiu completar.

Logo na sequência, os espanhóis saíram em contra-ataque e Gerard Moreno mandou uma bomba na trave direita de Manuel Neuer. Esta sequência de jogadas representou bem o que foi o confronto na segunda etapa. Enquanto os alemães ligaram o modo “100% ataque”, o Villarreal se fechou o máximo que pode e apostou no contra-ataque.

E levando em consideração o contexto da partida, os submarinos amarelos levaram a melhor neste duelo. Os espanhóis ficaram muito mais perto de anotar o segundo gol do que de sofrer o empate.

Em uma excelente jogada construída pela esquerda, Estupiñan acionou Danjuma em velocidade e o holandês cruzou rasteiro para Gerard Moreno na grande área. Alphonso Davies apareceu na Hora H para tirar a bola no momento da finalização do atacante.

Logo em seguida, em outra jogada de contra-ataque, Pedraza, que entrou no lugar de Coquelín, saiu cara a cara com Neuer e finalizou para fora, já desequilibrado após a chegada do zagueiro Upamecano.

Com o passar do tempo, a frustração foi tomando conta da equipe alemã e isso ficou nítido na falta da incisividade dos jogadores de frente. Sobrou até mesmo para Neuer – o goleiro, saiu da área para auxiliar na criação e já no meio de campo, deu um passe nos pés de Gerard Moreno. O espanhol finalizou antes mesmo da meia lua e quase ampliou o placar de maneira monumental. A bola foi na direção certa, mas pegou efeito e acabou saindo pelo lado.

Naturalmente, os bávaros apareciam mais no ataque com o aproximar do fim do jogo. O primeiro chute da equipe de Nagelsmann ao gol saiu apenas na casa dos 15 minutos. Após confusão na grande área, Davies chutou em dois tentos e obrigou o goleiro Rulli a trabalhar pela primeira vez no confronto.

Os sinais de cansaço começaram a aparecer na equipe do Villarreal e a equipe começou a deixar mais espaços, principalmente no setor defensivo da direita. Com isso, Coman passou a ser o “alvo” do meio-campo do Bayern e foi o principal articulador de jogadas no último terço do campo. Em um lance de extremo perigo, o ponta francês aproveitou uma boa bola enfiada e chutou colocado contra o gol de Rulli. O endereço parecia certo, mas o zagueiro Pau Torres apareceu para dar uma “casquinha” e mandar para escanteio.

A válvula de escape dos espanhóis no meio dessa pressão intensa do Bayern foi Lo Celso. O argentino continuou em alto nível na segunda etapa e era o responsável por iniciar os contra-ataques de sua equipe. Em um momento de ataque dos alemães, Capoué desarmou Sané de maneira sensacional e acionou Lo Celso mais à frente. O meia arrancou pelo meio e deu um corte espetacular em Upamecano, segurando a bola e esperando a passagem de Pedraza.

Lo Celso fez o toque, mas o camisa 24 isolou a bola de maneira surreal ao entrar praticamente sozinho na grande área. Uma grande oportunidade desperdiçada pelo Villa.

O abafa dos bávaros continuou, mas sem eficiência. A melhor chance da equipe visitante foi com Coman, já nos acréscimos. Goretzka alçou a bola na área e viu o francês receber sozinho no lado direito – ele finalizou, mas em cima de Rulli, que agarrou a bola.

Resultado: Villarreal 1 – 0 Bayern de Munique

Senhoras e senhores, Unai Emery. Esqueça o trabalho ruim no Arsenal e o fatídico 6 a 2 no PSG e aprecie seu trabalho magnífico no comando do Villarreal. A equipe espanhola sai de campo com um sentimento de que poderia ter vencido por mais gols. E contra um adversário como o Bayern, isso é um feito absurdamente enorme.

O treinador espanhol conseguiu potencializar ao máximo sua equipe e transformou jogadores medianos em verdadeiros craques de bola nesta partida (repito, estritamente nesta partida). Juan Foyth, que foi um dos pontos fracos da equipe na final da Liga Europa contra o Manchester United, fez hoje o que foi provavelmente a melhor atuação de sua vida. Giovanni Lo Celso, que saiu em baixa do Tottenham, botou Joshua Kimmich e Musiala no bolso. Capoué e Coquelín, juntos à dupla de zaga, tornaram Thomas Müller e Lewandowski inexistente em campo.

No fim das contas, a equipe de Nagelsmann ficou engessada e não mostrou alternativas para a proposta de jogo do Villarreal. Resumindo: Nó tático de Unai Emery no treinador alemão.

A partida de volta será realizada na próxima semana, terça-feira (12), em Munique.