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Vettel defende 'F1 Verde’ e diz que Fórmula 1 ‘pode desaparecer’

31 de dezembro de 2021

(por Rafael Lima)
 

Um dos pilotos mais experientes do grid atual da Fórmula 1, Sebastian Vettel vem se caracterizando por ser uma voz ativa em relação a questões sociais e ambientais. Em entrevista ao The Race, Vettel abordou sua defesa a uma Fórmula 1 ‘mais verde’ e as críticas aos motores atuais.

“Acho que [as críticas] são válidas porque a Fórmula 1 não é verde. Vivemos em uma época em que temos inovações e possibilidades de, indiscutivelmente, tornar a F1 verde também e não perder nada do espetáculo, da velocidade, do desafio, da paixão. Temos tantas pessoas inteligentes e poder de engenharia que poderíamos encontrar soluções”, disse o piloto.

“Embora os regulamentos atuais sejam muito empolgantes e o motor seja supereficiente, ele ainda é inútil, não vai ser uma fórmula de motor que estará no seu carro quando você decidir comprar um carro novo”, alertou. “Portanto, qual é a relevância? Há certas coisas sendo discutidas em regulamentações futuras que podem levar a mudança para áreas mais relevantes e, se vierem, isso é uma coisa boa. Se não vierem, não estou otimista. Acho que a F1 vai desaparecer se eles não vierem, e provavelmente com razão. Porque estamos na fase em que sabemos que cometemos erros e não temos tempo para continuar cometendo erros”, completou.

A categoria está se mexendo para ter novas unidades de potência 100% sustentáveis em 2025, para em 2030 chegar à meta de zero emissão de carbono. Indagado sobre o futuro, Vettel deu seu parecer. “Não tenho todas as respostas. Mas temos muitos engenheiros. Se você olhar para a mobilidade, poderemos encontrar uma solução. Temos mais de um bilhão de carros no mundo movidos a combustíveis fósseis todos os dias. Aviões, trens, navios são movidos a combustíveis fósseis. Acho que a F1 deveria introduzir combustíveis sintéticos o mais rápido possível, mesmo que alguns dos regulamentos já tenham sido feitos”, explicou. “Não temos tempo para falar de interesses pessoais ou de um fabricante. Porque há algo muito, muito maior em jogo e poderíamos usar nossos recursos: inteligência da F1, estrutura e dinheiro”, seguiu o piloto da Aston Martin. “E não se esqueça, nos últimos 10 anos, gastamos muito dinheiro em um motor que basicamente não tem relevância para as pessoas normais na rua ou para a próxima geração de carros na F1. Cada fabricante gastou mais de um bilhão no desenvolvimento desses motores. Parte desse dinheiro está disponível para promover as coisas certas”, concluiu Vettel em tom crítico.