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Vale a pena usar a Franchise Tag?

17 de fevereiro de 2021

(por Henrique Rodrigues)

Um dos meios de um time da NFL segurar um jogador importante por mais um ano, a tag é um dos piores pesadelos dos jogadores, já que isso geralmente significa um ano a mais sem conseguir aquele grande contrato. A tag foi introduzida na liga em 1993, um ano depois da criação da free agency na NFL, mas para esse texto vamos focar nas tags usadas entre 2011 e 2020.

Antes de começarmos de fato, é bom explicar um pouco sobre as tags e as tenders. A principal diferença entre elas é em quais jogadores elas são usadas, com as tenders sendo colocadas em free agents restritos (3 anos “jogáveis” na NFL) e as tags sendo usadas nos irrestritos (4+ anos). As tags são separadas em três: Franchise Tag, Exclusive Franchise Tag e Transition Tag, cada uma com seus prós e contras, além de valores diferentes.

A Franchise Tag normal dá ao time o direito de cobrir qualquer oferta feita ao jogador com ela, e, caso o time que colocou a tag não queira, ou não consiga cobrir, ele ganha duas escolhas de primeira rodada, e o seu valor é calculado somando os 5 maiores contratos da posição antes da free agency, ou 120% do salário do jogador, o que for maior.

Caso um time queira usar a tag três vezes seguidas no mesmo jogador, outras regras entram em ação, como a dos 144%. Essa regra coloca o salário do jogador como pelo menos 144% maior do que era na segunda tag. Caso um jogador tenha ganho 18 milhões na segunda, a terceira seria no mínimo 25.92 milhões. A outra é ainda pior dependendo da posição, que diz que o preço da tag é a média dos 5 salários da posição mais cara (quarterback). Ou seja, se um punter receber a Franchise Tag três vezes seguidas, na terceira vez o seu salário é a média dos cinco QBs mais bem pagos.

A Exclusive Franchise Tag é, como o próprio nome já diz, um pouco diferente da Franchise Tag normal. Aqui o jogador não é livre nem para negociar com os outros times, apenas com quem colocou a tag, e, para “compensar” isso, o cálculo do salário é feito diferente também. Em vez de ser os cinco maiores salários antes da free agency, para a tag exclusiva o cálculo é feito com os maiores salários após a parte mais importante da FA (geralmente sai em meados de abril o preço final). Caso esse preço seja mais baixo que o da tag normal, o jogador recebe o salário da Franchise Tag normal, sempre o que for maior.

A última tag é a Transition Tag, que começou a ser mais usada recentemente. O time também tem o direito de cobrir qualquer oferta, mas, caso não queira ou não consiga, ele não ganha nada, mas, em compensação, o preço dela é a média dos 10 maiores salários, sendo bem mais barata. Para filtrar melhor as tags usadas, a Transition Tag não vai entrar nas análises aqui.

A primeira coisa que se observa quando vendo as tags da última década é a diferença entre jogadores que a receberam ao longo dos anos. Em 2011 e 2012, os primeiros anos do acordo coletivo, a maioria dos times usavam alguma tag (as equipes têm que escolher entre uma Franchise ou uma Transition Tag), com 13 jogadores recebendo a franchise em 2011 e incríveis 19 recebendo-a em 2012.

Nos anos seguintes, o número de Franchise Tags só passou de cinco em três anos, 2013 (8), 2016 (8) e 2019 (6), com o ponto fora da curva sendo 2020, que teve 14. Além de segurar o jogador por mais um ano, as tags também dão mais chance para clube e jogador acertarem uma longa renovação, já que a franquia tem até meio de julho (limite para renovações de jogadores com a tag) para tentar um contrato sem precisar se preocupar com outros times dando ofertas maiores.

Dos 32 jogadores que receberam tag em 2011 e 2012, apenas 12 não acertaram renovações com os times no mesmo ano, sendo que alguns receberam a tag de novo no ano seguinte e outros renovaram com a equipe, mas só na outra temporada. Em 2013 e 2014 quase nenhum time conseguiu acertar com esses jogadores, com 8 de 12 jogadores não renovando.

Isso continuou nos anos seguintes, com 14 dos 28 jogadores entre 2015 e 2019 não assinando extensões. Nesse período, porém, “começou” uma moda que virou normalidade recentemente, que é a de trocar jogadores que receberam a tag. O primeiro deles foi Jarvis Landry, trocado pelos Dolphins para os Browns por uma escolha de quarta rodada em 2018 e uma de sétima em 2019. Foi em 2019, inclusive, que a gente viu várias dessas trocas, com Jadeveon Clowney indo para os Seahawks por preço de banana, Dee Ford sendo trocado para os 49ers e Frank Clark indo para os Chiefs (desses 4, somente Clowney não renovou).

Como eu disse antes, 2020 foi o ponto fora da curva, por motivos meio óbvios. Com toda a incerteza rodando o mundo inteiro, os times da NFL não sabiam o que aconteceria, se teria uma temporada normal, se o salary cap iria abaixar ou não, etc. Tudo isso fez o número de tags aumentar para 14 na última temporada, com apenas uma troca acontecendo (Yannick Ngakoue indo para os Vikings, que depois o trocaram para os Ravens) e apenas dois jogadores assinando renovações (Chris Jones e Derrick Henry).

Como qualquer movimento que um time da NFL faz, o objetivo é melhorar o time para ganhar um Super Bowl. De todos os times que ganharam pelo menos um anel nos últimos dez anos, apenas Ravens em 2012 (Ray Rice e Haloti Ngata), Broncos em 2015 (Demaryius Thomas), Patriots em 2016 e 2018 (Stephen Gostkowski) e Bucs em 2020 (Shaq Barrett) foram campeões com jogadores que ou jogaram com a tag, que foi o caso de Shaq Barrett, ou assinaram renovações após receberem a tag, que é a situação dos outros.

Por mais que a Franchise Tag seja uma alternativa para segurar um jogador por pelo menos mais um ano, ou não deixa-lo sair de graça, ela nem sempre traduz em jogadores que contribuem bastante ou em títulos.