Conteúdo

Triângulo ofensivo: o esquema de Phil Jackson que consagrou Michael Jordan e Kobe Bryant

23 de julho de 2020

(por Thiago Paixão)
 

Se você é fanático por basquete, com certeza já ouviu falar do triângulo ofensivo, uma das táticas mais vencedoras da história da NBA. Com este estilo de jogo, Phil Jackson ganhou onze anéis de campeão como técnico, superando o recorde anterior de Red Auerbach (9). Ele também ganhou dois campeonatos como jogador com o New York Knicks em 1970 e 1973, e detém o recorde da NBA para os títulos combinados (13).

Antes de ser popular, o “ataque dos triângulos” foi usado pela primeira vez pelo técnico Sam Barry, na University of South Carolina. Porém, os responsáveis pelo desenvolvimento e popularização da tática foram Phil Jackson e seu assistente Tex Winter, no time do Chicago Bulls.

O sistema proposto por Phil consagrou lendas do basquete em vitoriosos. Ele foi treinador do Chicago Bulls (1989-1998), período em que junto com Michael Jordan conquistou seis anéis de campeão. Em seguida, ele treinou o Los Angeles Lakers, que ganhou cinco campeonatos de 2000 a 2010, com a colaboração de Kobe Bryant.

O triângulo ofensivo é uma combinação de espaçamento com séries de ações baseadas sobretudo em leituras feitas pelos próprios jogadores. Por isso, são necessários atletas com QI de basquete acima da média. O sistema gera inúmeras opções de jogadas.

Quando Phil Jackson e seu assistente Tex Winter estavam em Chicago, a comissão técnica pintou o símbolo dos Bulls em todos os cantos da quadra do time, para que os jogadores pudessem ter referências visuais para se posicionar corretamente e executar o ataque de maneira correta. Hoje a quadra dos Bulls é a única da NBA que conta com o símbolo do time nas quatro laterais.

Princípios fundamentais do triângulo ofensivo

Para entender como funciona o triângulo ofensivo, é necessário saber como é o esquema. O primeiro conceito é dar liberdade aos jogadores. O técnico sempre tem jogadas desenhadas onde todo time segue as orientações, mas a liberdade de movimentação dos atletas na quadra que dá o suporte, a penetração com ou sem a bola. É essencial que jogadores ataquem a cesta, isso gera ângulos de passe, arremessos livres, faltas, etc.

Um fator importante, são Jogadores inteligentes que saibam ler defesas. Durante a partida é fundamental ter autonomia de tomar decisões rápidas com base no que o adversário propõe.  Nem a bola nem os jogadores devem parar. As decisões devem ser rápidas, não importa se o jogador com a bola resolveu passar ou ir para o um contra um, ou se um dos companheiros resolveu cortar para a cesta. Todos devem decidir rápido e com propósito. Sem esse fundamento o triângulo não flui. Por isso treinadores de High School evitam usar o sistema.

Utilizar talentos individuais também é uma das características do sistema ofensivo, Phil Jackson e Tex Winter aprenderam essa com Michael Jordan e, anos depois, isso ajudou Shaq e, eventualmente, Kobe. O jogador tem liberdade para tirar vantagem da defesa, quando seus talentos permitem que fuja um pouco do sistema.

Para o triangulo ofensivo funcionar é essencial ter no elenco atletas completos que realizem diversas funções. Cada jogador deve estar pronto para fazer o que for pedido, seja armar a fazer o poste baixo, um ótimo aproveitamentos nos arremessos, tudo isso em alto nível. Se seu time é versátil, o triângulo pode ter muito sucesso.

O triangulo ofensivo só funciona se todos estiverem envolvidos. Do armador ao pivô, todos participam de forma significativa no jogo, e todos precisam fazer a mesma leitura para a jogada ter êxito.

O triângulo ofensivo na prática

A jogada começa quando o armador passa para o ala e corre para o lado forte, onde está a bola. Normalmente, ele tem uma concentração maior de jogadores. O triângulo é criado pelo jogador no post do lado forte, no canto do lado forte, e o ala se movimenta, recebendo o primeiro passe.

A opção inicial desejada é passar para o jogador no post do lado forte no bloqueio que está em boa posição de arremessar. Ele tem a opção de arremessar para a cesta ou passar para um dos dois jogadores no perímetro que estão trocando de lado, um corte para o fundo, ou para o ala oposto na cabeça do garrafão, para começar uma segunda opção.

A segunda opção é um passe para o ala do lado fraco que instantaneamente passa para o topo do garrafão ou para a ala do lado forte. Se passado para o ala as opções são arremessar, passar para o bloqueio do lado forte ou fazer um pick and pop com o ala.

Existe ainda uma terceira opção para o ala do lado fraco, passar para o ala do lado forte, esse recebe o passe, corta para a cesta no backdoor, ou seja, ultrapassar o adversário para se aproximar da cesta. Enquanto isso, os alas trocam em um corta luz. O atleta com a bola pode passar para o ala do corta luz ou para o ala que está saindo do corta luz, se eles estiverem marcados a opção é o arremesso.

Além de obrigar que seus atletas deem o máximo de sua capacidade mental, o triângulo conta com infinitas opções e alternativas em resposta a esforços defensivos. Se bem treinado, é basicamente impossível impedir uma cesta.

O tão famoso e eficaz triângulo ofensivo, recebeu algumas críticas por não ser mais útil no estilo de jogo do basquete moderno.  Um dos maiores jornais do mundo, o New York Times, diz que a tática que consagrou Jordan e Kobe está 'morta'. Mesmo diante de várias discussões, a tática continua sendo utilizada por diversos treinadores.