Conteúdo

Terminou a melhor temporada de F1 dos últimos 30 anos! Max Verstappen, campeão mundial de Kart, é campeão mundial de F1

12 de dezembro de 2021

(por Bruno Braz)
 

Ah, Latifi! Você será o Timo Glock dos ingleses.

Que ano foi esse, senhoras e senhores? Que ano foi esse?!?!?!

Sim! Abuso dos pontos de interrogação e exclamação! Se colocasse 1000 pontos de exclamação, não daria a altura do que foi esse campeonato de 2021. A minha vontade era de mandar áudio para vocês, leitores. 

Tentando respirar aqui, enquanto busco encontrar as melhores palavras para esse texto, mas não está fácil. A busca é em vão. Que ano! Que ano, pessoal!

Geralmente, faço um texto destacando o que foi a corrida, pontos chaves, opinião aqui e ali, mas vou abrir mão de fazer um relato. Acho que a ocasião permite.

A corrida? Foi chata. Foram 56 voltas monótonas. Tivemos emoção na volta 1, quando Lewis tomou a ponta na largada. Aconteceu uma ultrapassagem de Max sobre Lewis, onde Hamilton foi sim para fora da pista e ganhou vantagem, mas, novamente, os comissários mudaram a forma de interpretar um lance semelhante. Aqui, vale um pequeno destaque: se teve algo ruim nesta temporada, foi a FIA. Comissários lentos para decidir, com decisões saindo por vezes, no dia seguinte. E coisas que víamos como "está valendo" em um GP, em outro, eram punidas. Faltou bastante por parte da FIA. Como agilidade, transparência e, acima de tudo, mesmo peso e medida em casos semelhantes.

Porém, os erros da FIA e seus comissários, se apequenaram neste momento. Lewis e Max os ofuscaram com suas luzes próprias e fizeram isso por muito. Que pilotos!

Confesso que com 10 voltas para o fim, já tinha o título desta matéria pronta, tamanha a calmaria que foi a prova. O título era "Fim de temporada. Lewis Octa. FIA é o destaque negativo do campeonato". E aí, decorreria, enaltecendo Lewis, Max e seguiria "batendo" na FIA, como fiz acima. Só que não. Estamos na temporada de 2021. A melhor em muito tempo. 

Voltando para a corrida, reafirmo: foi chata. Acho que além da volta 1 e da derradeira, tivemos emoção com o brilhante Sérgio Pérez, segurando Lewis de uma forma espetacular, para que Max tirasse os 10 segundos de atraso. Fora isso, honestamente, a corrida, nesta pista, não teve nada demais.

Só que, quis o destino, que o melhor campeonato da história fosse resolvido, na última volta, da última corrida, onde ambos começaram a prova derradeira empatados em pontos. 

Louco. Insano. Um presente que quem gosta de Fórmula 1, recebeu. 

A Mercedes errou. Pegou o título das mãos de Hamilton e deu para Max. Difícil entender não colocarem pneus novos em Lewis nas oportunidades que tiveram. Já a Red Bull, que andou o GP inteiro em condição de inferioridade, tomava decisões corretas uma atrás da outra. Era o All In. E deu In.

Qualquer um dos dois, que ganhasse o campeonato, seria extremamente digno e merecedor. Esses caras se colocaram no limite. O que foi essa arrancada que Lewis deu? O que foi o GP de São Paulo que ele fez? Esse cara é gigante. E hoje, Max também foi.

Por ofício, gosto muito dos números. Eles não mentem. O custo? Está lá. Quantas vezes determinado evento ocorreu, também. Tudo vira dado bruto que, analisado, vira informação. Por isso, Max foi um pouco mais merecedor. Foi quem mais liderou voltas, o piloto que mais venceu, e fez mais poles. Se colocou em condição de caça. Hamilton teve que virar caçador, depois de anos de hegemonia merecida, diga-se de passagem. 

Lewis é um gigante, assim como a Mercedes. Foram inferiores no começo, equilibraram e se colocaram como superiores ao ponto de, nós, daqui, cravarmos o oitavo título de Lewis. Que equipe! Que piloto! Meus aplausos para o que fizeram. E tudo isso, depois de eu afirmar, quando faltavam quatro GPs para o fim, que Max já era o campeão. Engoli cada palavra. Mercedes é Mercedes. Lewis é Lewis. Meu eterno respeito e admiração.

"Verstappen toma a ponta na última volta!", disse Sérgio Maurício. Na última volta, da última corrida. Nesse momento, desacreditei no desfecho. Tirei o notebook do colo, fiquei de pé e soltei um “P*** que pariu!".

Acho que amanhã consigo escrever algo melhor, mas hoje, não está fácil. Você se pega lembrando do GP da Inglaterra, Baku, Holanda, Itália, São Paulo... Foram muitos. Do tanto que Max foi resiliente e Hamilton, guerreiro. 

Para nós que amamos automobilismo, foi absurdo. Recebemos um presente. Do universo, dos Deuses, sei lá. Cada um com sua crença, mas esse ano, terminando desta forma, como se fosse um roteiro de Hollywood, ficará para a história.

Guardem essa temporada, amigos. Independente da sua torcida por Max ou Lewis, aplauda. Você viu um campeonato que, dificilmente, veremos novamente, em relação à disputa, embates, equilíbrio e surpresas. Que ano!