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Takuma Sato supera Scott Dixon e vence as 500 Milhas de Indianapolis pela 2ª vez

23 de agosto de 2020
20h 11

(por Jefferson Castanheira)

A Rahal-Letterman Racing e a Honda tem muito o que comemorar! Takuma Sato guiou de modo brilhante em toda a corrida e foi o grande vitorioso das 500 Milhas de Indianapolis de 2020. Esta é a segunda vez que o Samurai Voador – apelido de Sato na Indy – vence a Indy 500, a primeira foi em 2017. Scott Dixon, que dominou muito bem a prova até as últimas 50 voltas, ficou em segundo, seguido de Graham Rahal, Santino Ferrucci e Josef Newgarden completando o Top 5.

A corrida

Logo na largada o pole-position Marco Andretti perdeu a ponta para Scott Dixon, que já ultrapassou o neto de Mario Andretti na primeira curva. Marco não liderou sequer uma volta na corrida mesmo tendo largado em primeiro, não imprimindo um bom ritmo em nenhum momento da prova, chegando em 13º. A primeira bandeira amarela veio com o disco de freio de James Davidson explodindo. Logo após este momento, Marcus Ericsson foi pro muro saindo de traseira e veio a segunda amarela da prova. Com os carros em estratégias diferentes, Simon Pagenoud e Helio Castroneves foram para a ponta da corrida, apostando em uma estratégia de pit-stops para compensar a falta de ritmo do motor Chevrolet e as falhas da equipe Penske.

Após a verde, Scott Dixon disparou na frente e liderou com mais de 9 segundos de vantagem do segundo colocado, até então Alexander Rossi. Até que Dalton Kellet acertou o muro tentando ter mais velocidade na linha de fora e causou a terceira amarela. Logo após as paradas no pit-stop desta bandeira amarela, um acidente aconteceu na relargada com Conor Daly perdendo tração e batendo no muro interno da reta. Devido a sua desaceleração causada no pelotão, Oliver Askew perdeu o controle de sua McLaren e bateu forte também no muro interno, quase dentro dos pits.

Uma batida forte de Alex Palou trouxe a prova para mais uma bandeira amarela que agora atravessava a barreira das 100 voltas completadas. As paradas de Pit Stop desta vez foram as mais importantes, pois ocasionaram no momento chave que favoreceu Scott Dixon, Takuma Sato e Alexander Rossi para a ponta devido as estratégias tomadas. Porém, no transito das paradas para reabastecimento e trocas de pneu, Alexander Rossi saiu de maneira completamente atrapalhada de seu pitlane e acertou Takuma Sato dentro dos pits. A saída perigosa de Rossi ocasionou em uma punição que mandou o piloto americano para o final da fila dos carros, ficando em 27º colocado. Ainda no caos dos pits, Fernando Alonso deixou seu carro morrer na parada dos boxes e deixou de vez qualquer chance de conquistar a Triplice Coroa do automobilismo.

Depois de todo o caos, Simon Pagenoud tocou a parte de trás do carro de Ryan Hunter-Reay e quebrou o bico do carro, também dando adeus para as chances de vitória. Contudo, na volta 145, Alexander Rossi, que vinha desesperado e muito rápido ultrapassando todos os carros para tentar reverter a punição sofrida, foi para o muro e causou mais uma bandeira amarela.

Com 50 voltas para o final é chegada a famosa “hora da verdade” de Indianapolis. Com todos os carros dessa vez não poupando mais combustível e indo à forra, muitas disputas de posições ocorreram até que Takuma Sato passou a incomodar o então líder Scott Dixon, ultrapassando o neozelandês para a liderança. Dixon “taxeou” o carro de Sato examinando o japonês voador até que devolveu a ultrapassagem e assumiu a liderança novamente. O que Dixon não contava é que Takuma Sato não se afobaria e, esperando o momento certo, Sato passou por fora e abriu sem qualquer precendentes uma distância chave para a vitória, deixando Dixon para trás. Com 5 voltas para o fim da corrida e Dixon se aproximando novamente de Sato, prometendo um final de corrida eletrizante, Spencer Pigot bateu na saída da curva quatro e ricocheteou seu carro com muita força no muro que separa os boxes da pista. Pigot foi levado para o hospital para exames mas passa bem.

Com a batida de Pigot, a prova terminou em bandeira amarela e Takuma Sato foi o grande campeão das 500 Milhas de Indianapolis.


Domínio da Honda, fracasso de Alonso e boa prova dos brasileiros

Desde os primeiros treinos em Indianapolis ficou claro que a Honda tinha muito mais poderio de velocidade do que a Chevrolet, e claro, isso refletiu na corrida. Dos 10 primeiros, apenas Josef Newgarden (5º) e Pato O’Ward (6º) possuíam motores Chevrolet, enquanto os motores da Honda não estiveram em nenhum dos nove últimos carros que completaram a prova cruzando a linha de chegada.

Fernando Alonso talvez teve a sua última chance de vencer em Indianapolis, já que em 2021 e 2022 o piloto espanhol estará na Formula 1 correndo pela Renault, que não irá liberar o piloto para tentar mais uma vez completar a tríplice coroa. Alonso pode tentar de 2023 pra frente, mas fica a questão da idade do príncipe das Astúrias e o questionamento se o espanhol ainda pode ameaçar alguém em uma prova tão intensa como as 500 Milhas de Indianapolis. O bicampeão da F1 terminou a prova em 21º.

Os brasileiros Helio Castroneves e Tony Kanaan terminaram em 11º e 19º, fazendo o melhor que podiam com seus carros e motores limitados. Helio ainda teve chance de vitória, já que arriscou uma estratégia que, se desse certo, ainda colocaria o seu #3 Penske Pennzoil no Top 3.

Takuma Sato, o melhor japonês da história

Takuma Sato agora vence a sua segunda edição das 500 Milhas de Indianapolis, entrando pra um seleto clube de bicampeões da etapa histórica. Sato, veterano com seus 43 anos de idade e que tem um pódio na Fórmula 1, fez história na Indy com suas ultrapassagens arrojadas e sua – as vezes desnecessária – agressividade. Com a experiencia, Sato agora demonstra ser um piloto extremamente técnico e provou em Indianapolis que é sim, um excepcional piloto.

Próxima prova

A IndyCar Series volta a ação já na próxima semana, com a rodada dupla em Gateway, no oval de 1.33 milhas, nos dias 29 e 30 de Agosto.