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Grandes jogadores que não foram campeões: Patrick Ewing

1 de maio de 2020

(por Matheus Correia)

 

Nascido em 5 de agosto de 1962 em Kingston, Jamaica, Patrick Aloysius Ewing é um dos maiores nomes na lista de jogadores que nunca foram campeões da NBA. Jogou a maior parte da sua carreira em Nova Iorque, nos Knicks, franquia onde mais se destacou. Um pivô de 2,13m, selecionado na primeira escolha do Draft de 1985, que também contou com nomes como Chris Mullin, Karl Malone, Joe Dumars e Arvydas Sabonis. Ewing aterrissou em um Knicks totalmente fraco perante a conferência leste, e foi visto como o salvador da franquia após Bill Cartwright, principal nome do elenco na época, ter sofrido uma grave lesão.

Em sua primeira temporada, teve médias de 20.0 pontos, 9.0 rebotes e 2.1 tocos por partida. Ganhou o prêmio de Rookie of the Year e foi eleito para participar do All-Star Game. Não demorou muito para que os Knicks engrenassem com Patrick. Já na temporada de 1987-88, a equipe se classificou para os playoffs depois de quatro temporadas, mas foram desclassificados na primeira rodada para os Celtics. O primeiro grande sucesso de Ewing com sua equipe na pós temporada foi em 1993, sob o comando do lendário Pat Riley, quando a franquia nova-iorquina chegou às finais de conferência contra os Bulls de Jordan. O resultado, todos sabemos. Mas o elenco era forte, contando com nomes como John Starks e Charles Oakley, e as expectativas de um possível título decolaram após Jordan ter anunciado sua “aposentadoria” na temporada de 1993-94. Os Knicks se tornaram os grandes favoritos do leste, e fizeram jus. Marcados pela excelência defensiva, a equipe teve uma ótima temporada regular e eliminou os Bulls de Pippen e os Pacers de Reggie Miller nos playoffs, confronto que ficou marcado na história não só pela rivalidade entre ambas as equipes, mas também pela rivalidade entre Miller e o cineasta Spike Lee. Ewing demonstrava uma consistência incrível, foi extremamente decisivo no jogo 7 contra Indiana e o cestinha da equipe durante toda a pós-temporada, além de ter tido atuações excelentes na defesa. É importante lembrar que durante todo esse período, Patrick era o franchise player de NY com sobras. Starks como segunda opção no elenco era um excelente jogador, mas estava à quilômetros de distância da qualidade de Ewing.

Esta foi a melhor oportunidade dos Knicks pendurarem outro banner no MSG desde 1973, última vez que foram campeões. Na final, enfrentaram os Rockets. Patrick Ewing vs. Hakeem Olajuwon. Um matchup dos sonhos, mas que Olajuwon venceu. O nigeriano não só teve um importante papel defensivo sobre Ewing, mas também foi dominante no ataque, vencendo o prêmio MVP das finais. Os Rockets venceram a série por 4 a 3, depois de estarem atrás por 3 a 2. No jogo 6, Hakeem negou um arremesso de John Starks com a ponta dos dedos, nos últimos segundos da partida. No jogo 7, o mesmo John Starks teve uma atuação terrível, anotando apenas 2 arremessos de 18 tentativas. Para muitos, é o principal culpado da derrota dos Knicks. Ewing teve médias de 18.9 pontos, 12.4 rebotes e 4.3 tocos na série, além de ter estabelecido o recorde de mais tocos numa série de final de NBA, com 30.

A franquia não obteve grande sucesso nos playoffs até o ano de 1999, com uma equipe renovada, mas ainda contando com Ewing. O elenco dos Knicks na temporada 1998-99 tinha como destaques, além de Patrick, o shooting guard Allan Houston e o Small Foward Latrell Sprewell. Com o calendário reduzido para apenas 50 jogos por conta de um lockout, os Knicks se classificaram na 8ª posição da conferência leste para os playoffs. Enfrentaram o Miami Heat de Tim Hardaway e Alonzo Mourning na primeira rodada, e realizaram o feito histórico de eliminarem a equipe, primeira colocada da conferência leste na temporada regular. Foi a segunda vez na história da NBA que o 8º colocado eliminou o 1º nos playoffs. A franquia de NY venceu a série por 3 a 2, onde Ewing teve médias de 14.6 pontos, 10.8 rebotes e 1.2 tocos.

Nas semifinais, os Knicks enfrentaram os Hawks de Steve Smith e Dikembe Mutombo, e varreram a franquia de Atlanta. Sprewell foi o grande destaque da série, com 22.5 pontos de média saindo do banco (com média de 34 minutos por jogo). Patrick teve menor minutagem, tendo médias de apenas 11.3 pontos e 7.3 rebotes.

Na final da conferência, NY enfrentou os Pacers de Reggie Miller. A “velha” rivalidade havia voltado à tona, com a maioria das apostas favorecendo a franquia de Indiana, que estava 8-0 na pós temporada até então. Os Knicks venceram a primeira partida em Indiana, com boas atuações de Ewing e Houston. No jogo 2, os Pacers venceram por dois pontos (88-86) e, para piorar a situação, Patrick Ewing sofreu uma lesão gravíssima, rompendo o tendão de Aquiles. O pivô iria ficar fora pelo resto dos playoffs, fazendo com que Indiana se tornasse o grande favorito para vencer a série e avançar para as finais. Porém, de forma totalmente inesperada, o basquete dos Knicks parece ter melhorado sem Ewing. Houston e Sprewell assumiram a responsabilidade, e NY venceu três dos próximos quatro jogos, fazendo com que a franquia se tornasse a primeira e única na história a se classificar para as finais como a 8ª colocada na temporada regular. Essa “melhora” da equipe recebeu até mesmo uma teoria própria, a “The Ewing Theory”, criada pelo colunista da ESPN Bill Simmons. De acordo com o jornalista, alguns times se tornam inexplicavelmente melhores após perderem seu principal jogador. Um exemplo recente da teoria é o Boston Celtics, que parece ter jogado melhor sem Kyrie Irving nos playoffs de 2017-18, após o mesmo ter se lesionado.

Apesar de toda mística e improbabilidade, os Knicks encontraram os Spurs de Duncan e Robinson nas finais e perderam por 4 a 1. Talvez se Ewing estivesse em quadra, a história fosse diferente, desmistificando a teoria que carrega seu nome. Mas esta, foi a última vez que o jogador ficou perto de um título. Em 2000, os Knicks chegaram à final da conferência leste, mas perderam para os “desafetos” de Indiana. Ewing teve um papel menor nesta pós-temporada, já que estava desgastado não só pela idade, mas também pela recente lesão. O jogador ainda se aventurou por Seattle Supersonics e Orlando Magic antes de se aposentar, jogando uma temporada em cada franquia.

Patrick Ewing encerrou sua carreira 2002, com médias de 21.0 pontos, 9.8 rebotes e 2.4 tocos em 17 temporadas. Foi selecionado para 11 All-Star Games, teve 3 eleições para o All-Defensive Team e 7 para o All-NBA Team (apenas um deles para o 1st). Em 2008, foi introduzido ao Naismith Basketball Hall of Fame. É apenas um dos grandes nomes a nunca ter sido campeão da NBA, mas é provavelmente um dos que mais ficou perto de ter conquistado um título. Hoje, aos 57 anos, é o técnico do Georgetown Hoyas, equipe de college da Georgetown University, onde atuou antes de ser draftado para a NBA.