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Série Análise de Torcedor: O desempenho dos 49ers no Draft 2020

2 de maio de 2020

(por Nilton Sérgio)

 

Draft é sempre tempo de esperança. Isso vale tanto para o time que terminou mal a temporada e, escolhendo no topo, espera pegar os melhores prospectos universitários, quanto para a equipe com elenco já forte e vê a oportunidade de se reforçar, sobretudo com uma classe tão privilegiada quanto a de 2020.

Com 10 pontos de vantagem e menos de 10 minutos pra vencer o Super Bowl, o torcedor dos Niners teve todos os motivos para passar a offseason com uma tremenda ressaca. As coisas não melhoraram muito nos meses seguintes com duas peças chave da campanha deixando o time: o excelente DL DeForest Buckner, trocado por uma primeira escolha do Indianapolis Colts, e o WR Emanuel Sanders, que saiu para um contrato melhor no New Orleans Saints.

Diante de tantos golpes seguidos na moral dos ‘Forever Faithful’, somente o draft poderia trazer um pouco de alento e fé de que o time continua numa trajetória ascendente. Tendo como principais necessidades da linha defensiva (após a saída de Buckner), o corpo de recebedores (já era uma necessidade sem Sanders), a secundária e linha ofensiva, o GM John Lynch tinha poucas escolhas no bolso, mas munição suficiente pelas duas disponíveis no primeiro round (a 13ª dos Colts e a original 31ª) para trocar e adquirir mais.

Com essa doutrina em mente, Lynch começou seu belíssimo draft. Percebendo o desespero do Tampa Bay Buccanneers por um dos melhores OL disponíveis, desceu apenas uma escolha, adquiriu um pick de 4º round e ficou com o jogador que já desejava, o DL Javon Kinlaw, segundo melhor da classe e virtual substituto de Buckner.  Um jogador ainda cru, que precisa de desenvolvimento, mas com grande potencial. A fórmula de sucesso de 2019, uma dominante linha defensiva, está mantida!

A próxima grande necessidade do time, um wide receiver, seria mais fácil de ser preenchida, já que esta classe de recebedores era tida como a melhor dos últimos anos. Mesmo assim, Lynch não quis arriscar e tomou controle da situação mais uma vez: usando como munição a escolha a mais que recebeu dos Bucs, subiu da 31ª para a 25ª para pegar Brandon Aiyuk. Considerado um dos melhores da classe no quesito YAC (yards after catch- jardas após a recepção), cai como uma luva no esquema de Kyle Shanahan. Os Niners estavam tão enamorados pelo jogador que Lynch jura que estava no topo do board do time e teria saído até na 13ª escolha, caso Kinlaw não estivesse mais lá.

Entre os rounds 5 e 7, os Niners voltaram a atacar suas necessidades e escolheram o OL Colton McKivitz, o TE Charlie Woerner e o WR Jauan Jennings, atletas que têm boas chances de contribuir no futuro.

Draft não é ciência exata, e nunca será. Basta comparar as carreiras dos QBs JaMarcus Russell- desastre escolhido na primeira geral- e Tom Brady, que saiu na 199ª para se tornar um dos melhores de todos os tempos. Mesmo assim, é um tempo de esperança, de olhar para o futuro. E, em 2020, com tanto sofrimento imposto pela covid-19, acompanha-lo de casa foi como um bálsamo para aliviar tantas notícias ruins que se acumulam no mundo todo.

Hoje, os torcedores dos Niners não têm como saber se Kinlaw ou Aiyuk serão as peças que faltam para uma nova aparição no Super Bowl. Infelizmente, nem sabemos se em setembro a NFL estará de volta. Porém, o sopro de esperança que os nomes deles trazem, sem dúvida, tornou um pouco melhores os últimos dias para os fãs do atual vice-campeão do Super Bowl.