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Será que depois de 22 anos, o Chicago Bulls voltará a ser relevante?

20 de maio de 2020

(por Matheus Correia)

 

Viver às sombras de um dos melhores atletas da história é um fardo que o torcedor de Chicago tem que carregar. Desde 1998, a franquia não sabe o que é glória ou sucesso. Até mesmo seu melhor momento neste período (Era D-Rose), acabou de forma trágica e infeliz. Por anos e anos os Bulls lidam com má administração, problemas de vestiário, lesões, entre diversos outros problemas. A má fase parece ter atingido o limite entre a última temporada e o pouco que se foi jogado desta.

A desgastada relação entre o então vice-presidente de operações de basquete Jim Paxson e o GM Gar Forman foi apontada como um dos principais problemas da franquia. Ambos os executivos somam terríveis decisões enquanto estiveram à frente da equipe, apesar de terem montado um elenco decente entre 2009-2012. Péssimas trocas, demissões questionáveis de técnicos, contratos bizarros e perdas propositais de jogos.

Entretanto, em abril deste ano, com a temporada já suspensa, o Chicago Bulls fez a decisão mais certa de sua história (depois de ter draftado Jordan). Gar Forman foi demitido e Jim Paxson foi movido para o cargo de consultor sênior do departamento. O lituânio Arturas Karnisovas, ex-GM do Denver Nuggets, foi contratado para substituir Paxson no cargo de vice-presidente de operações. Karnisovas foi o responsável pela escolha de Nikola Jokic na 41ª posição do Draft de 2014, e também por ter montado uma das equipes mais consistentes e promissoras da liga. Um especialista em rebuilds e jogadores internacionais, parece ser o nome perfeito para a situação da franquia de Illinois. Para o lugar de Forman, Karnisovas contratou Marc Eversley, ex-vice-presidente sênior de elenco do Philadelphia 76ers. Eversley é conhecido pela sua excelente relação com os jogadores, algo que os Bulls precisam mais do que nunca neste momento.

Ainda existe um pequeno problema que incomoda o torcedor de Chicago: Jim Boylen. Conhecido por decisões precipitadas e por estar distante do elenco, o técnico ainda tem vínculo com a franquia, mas existem rumores de que ele ainda será demitido. O nome mais cotado para uma possível reposição é Adrian Griffin, ex-jogador e assistente técnico do Toronto Raptors.

É possível afirmar que quase todos os jogadores do elenco caíram significante de produção nesta temporada. Além disso, é dito que o staff médico da franquia tem feito um péssimo trabalho, liberando o finlandês Lauri Markkanen para jogar mesmo não tendo se recuperado de uma lesão. Independente disso, o núcleo jovem de Chicago continua extremamente promissor. Zach LaVine parece ter evoluído ainda mais seu jogo e com certeza será o franchise player da equipe (por enquanto). Nomes como Wendell Carter Jr. e Coby White ainda tem muito o que provar, mas são extremamente promissores.

E claro, existem os erros que franquia não pode repetir. O terrível contrato que foi assinado com Cristiano Felício é um deles. E o problema é que nesta offseason (2019), Chicago novamente pagou mais do que deveria para meros role-players (Tomas Satoransky e Thaddeus Young). A sorte da equipe é o fato de alguns de seus jogadores estarem em um contrato de novato, o que não impacta tanto no cap space. Jogadores como Khris Dunn, Chandler Hutchinson e Ryan Arcidiacono podem ser envolvidos em trocas na tentativa de se livrar dos contratos de Young e Satoransky, aliás, são jovens e tem seu valor. 

Chicago tem a oportunidade de se tornarem relevantes novamente, sem um Derrick Rose ou um Michael Jordan. Apesar de não possuírem uma grande quantidade de picks para o futuro, a classe de free-agents de 2021 conta com excelentes nomes, e pode ser a melhor chance de montar um elenco de um contender, ou no mínimo, de um candidato certeiro aos playoffs. Uma das franquias mais tradicionais da NBA não merece ser tratada ou comandada de forma que seja vista como a “piada” da liga. Os Lakers se reergueram, os Celtics se reergueram, e até mesmo os 76ers. Está na hora dos Bulls.