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Série Análise de Torcedor: O desempenho do Pittsburgh Steelers no Draft 2020

29 de abril de 2020

(por João Zarif)

 

O draft desta temporada para o Pittsburgh Steelers tinha três objetivos: achar um wide receiver que brigue pelo posto de titular, um jogador de linha defensiva que chegue e assuma a titularidade e adicionar peças no elenco para desenvolvimento que possam assumir posições de titularidade em caso de lesão ou saída de atletas nas próximas temporadas.

Diferentemente de outras equipes, a franquia preta e amarela não sofreu perdas tão significativas na intertemporada. Após a aposentadoria do jogador de linha ofensiva Ramon Foster e a saída de BJ Finney, o time contratou Stefen Wisniewski como agente livre, preenchendo essa lacuna na linha. Dito isso, a equipe perdeu John Hargrave, jogador de linha defensiva, que saiu da equipe após o fim de seu contrato e deixou um buraco para ser adereçado no draft.

Vamos as escolhas da equipe, que não tinha nenhuma na primeira rodada, já que trocou sua primeira escolha desse draft com o Miami Dolphins por Minkah Fitzpatrick, que causou ótimo impacto defensivo desde sua estreia e também não tinha escolha na quinta rodada.

 

2ª rodada / escolha 49 / Chase Claypool / Wide-receiver / Notre Dame 

Embora ele esteja listado como um grande recebedor, Claypool têm corpo de tight end, com 1,93m e 108 kg. O atleta dá ao quarterback Ben Roethlisberger um terceiro alvo com grande estatura, junto de Eric Ebron e Vance McDonald, os dois principais tight ends da equipe. O produto de Notre Dame não é apenas um grande alvo, ele também é muito veloz, correndo 40 jardas abaixo de 4,45 segundos no Combine. No ano passado, após a lesão de “Big” Ben, os quarterbacks reservas tiveram dificuldades de conexão com JuJu Smith-Schuster, James Washington e Diontae Johnson, já que nenhum é muito alto, tornando a química entre quarterback e recebedor essencial, coisa que não vimos. Com a chegada de Claypool, é possível prever um ataque muito perigoso, versátil, e que pode enfim se livrar da sombra de Antonio Brown, que deixou a equipe de forma conturbada antes do início da temporada passada. Ótima aposta da direção, principalmente pelo atleticismo do jogador, coisa que falta ao corpo de recebedores do time.

 

3ª rodada / escolha 102 / Alex Highsmith / Linha Defensiva / Charlotte

O Pittsburgh Steelers garantiu o linebacker Bud Dupree para a temporada 2020 com a franchise tag, mas adicionando Highsmith, o time mostra o foco na construção do elenco e também precaução com o futuro.  Embora Dupree tenha assinado a tag, não há garantia de que ele vá assinar um contrato de longo prazo em Pittsburgh.  Highsmith deve estar envolvido com o time especial este ano, para se desenvolver como reserva Dupree e T.J.  Watt. O atleta impressiona pela sua capacidade física, e tem tudo para crescer aos poucos no time. Dificilmente será titular, a não ser que haja alguma lesão, mas isso não é problema, pois ele terá tempo de se adaptar a NFL após sair de uma faculdade que não está entre as principais do país. Excelente manobra dos Steelers, que têm em sua defesa um grande fator e precisam estar preparados tanto para lesões quanto a saídas de atletas importantes.

 

4ª rodada / escolha 124 / Anthony McFarland Jr. / Running-back / Maryland

Os Steelers optaram por não escolher nenhum corredor no segundo dia de draft, apesar de alguns grandes nomes estarem disponíveis. Em vez disso, buscaram fortalecer a posição no terceiro dia com McFarland, companheiro de equipe do filho de Mike Tomlin, Dino, em Maryland. Com isso a equipe mostra confiança em James Conner, apesar de seu problema com lesões na última temporada. A escolha irá pressionar Benny Snell Jr. e Jaylen Samuels na briga pelo papel de primeiro reserva. O jogador têm 1,72m e quase 90 kg. Após uma temporada com 1000 jardas como calouro, ele teve apenas 614 jardas no segundo ano de faculdade. No momento da escolha, alguns prospectos interessantes para o interior da linha defensiva estavam disponíveis, então me surpreendeu a opção por um running back a essa altura, já que a equipe conta com três jogadores para a posição que tiveram bons momentos quando acionados. Era possível escolher um RB para desenvolvimento em escolhas derradeiras. Fico na torcida para que esteja errado.

 

4ª rodada / escolha 135 / Kevin Dotson / Guard / Louisiana

Dotson foi o primeiro jogador do draft que não foi convidado pela liga para o combine.  O atleta, que competiu no Shrine Bowl, nunca perdeu um jogo depois de seu ano como calouro. Pode jogar como tackle ou guard, posição que atuou nos últimos quatro anos. O jogador irá lutar com Stefen Wisniewski, recém-contratado, pela vaga de titular na equipe. Boa escolha, que tenta manter a qualidade da linha ofensiva, crucial para o sucesso do ataque.

 

6ª rodada / escolha 198 / Antoine Brooks Jr. / Safety / Maryland

Brooks é o tipo de defensor que todo treinador quer na equipe. Um time que um dia já teve Troy Polamalu na posição sabe da importãncia nessa posição. O atleta tem a capacidade de jogar por todo o campo e gosta de atacar a bola. Mas, apesar disso, ele pode desempenhar um papel híbrido atuando como linebacker ou cornerback. Deve desempenhar um papel importante nos times especiais e aos poucos ganhar espaços em diferentes formações ofensivas. Boa escolha que pode se tornar muito relevante nos próximos anos na franquia.

 

7ª rodada / escolha 232 / Carlos Davis / Linha defensiva / Nebraska

Na última escolha os Steelers ainda precisavam de um substituto para Javon Hargrave, e eles encontraram. Com 1,88m e 145 kg, Davis é um tanque. A equipe avaliou ele e seu irmão gêmeo, que não estava disponível quando chegou no momento da escolha de sétima rodada.  Ele jogou como nose tackle em Nebraska e pode chegar como titular apesar de escolhido na última rodada do draft. Mesmo com seu porte físico, o atleta correu as 40 jardas no Combine em apenas 4,79 segundos, trazendo a possibilidade de alinhar tanto como nose tackle como em outra posição da linha. A equipe conseguiu achar um ótimo valor no fim do draft.

De forma geral Pittsburgh conseguiu escolher atletas nas posições necessárias, em bons momentos do draft. A única escolha questionável é a de running back, que poderia ter sido deixada para o fim, ou até mesmo preenchida por um jogador não draftado. A equipe deve brigar por uma vaga de playoffs com essas escolhas, já que a defesa deve manter o mesmo nível da temporada passada, e o ataque pode se beneficiar muito com a chegada de Claypool, além, é claro, da volta de Big Ben.