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Série Análise de Torcedor: As escolhas do Las Vegas Raiders

29 de abril de 2020

(por Layo Lucena)

 

Semana passada aconteceu um dos melhores eventos da offseason da NFL: o Draft. Vários jogadores universitários foram selecionados pelas 32 equipes da liga, e poderão finalmente atuar como profissionais. 

Os Raiders, especificamente, em sua primeira temporada em Las Vegas, selecionaram Henry Ruggs III (12), wide receiver de Alabama, Damon Arnette (19), cornerback de Ohio State, Lynn Bowden Jr (80), WR/RB/QB de Kentucky, Bryan Edwards (81), wide receiver de South Carolina, Tanner Muse (100), LB/S de Clemson, John Simpson (109), offensive line de Clemson, e Amik Robertson (139), cornerback de Louisiana Tech.

No momento inicial, como torcedor, não me alegrei com os dois primeiros jogadores selecionados por Jon Gruden (Head Coach) e Mike Mayock (General Manager). No meu entendimento, CeeDee Lamb e Kenneth Murray seriam as melhores opções na 12ª e 19ª posições, respectivamente. Porém, depois de refletir, meditar e analisar todos os jogadores selecionados pelos Raiders neste draft, cheguei a conclusão que todos foram bem escolhidos, de Ruggs III a Robertson. 

Vamos começar pela primeira rodada. Com a 12ª escolha, os Raiders optaram por selecionar Henry Ruggs III, de Alabama, como o primeiro recebedor da classe. Vendo por um ângulo, você pode criticar a decisão: por que não CeeDee Lamb? Na minha análise, percebi que Ruggs, dos três recebedores (Ruggs, Lamb e Jeudy), era o que mais combinava com o sistema de jogo dos Raiders.

Ruggs é um velocista nato, faltou muito pouco para ele quebrar o recorde das 40 jardas durante o Combine. Dos três recebedores já citados, Ruggs é o mais dinâmico. Pode receber, conquistar jardas depois da recepção, “queimar” completamente o cornerback adversário com sua velocidade e é perfeito para screens de wide receiver, jogada muito utilizada pelos Raiders na temporada passada. Além disso, Ruggs com certeza será usado na equipe de times especiais como retornador.

Outro motivo da escolha de Ruggs é o fator Tyreek Hill do Kansas Chiefs. Os dois possuem características físicas e atléticas bem similares. Com isso, você pode pensar que os Raiders cansaram de ver Hill acabando com a sua secundária duas vezes ao ano, e decidiram aderir às características do oponente. 

Na 19ª posição, uma surpresa: Damon Arnette, cornerback de Ohio State. Na minha visão, ficou claro que A.J. Terrell, cornerback de Clemson, era o objetivo principal para reforçar a secundária dos Raiders. Como os Falcons surpreenderam ao selecionar Terrell, Gruden e Mayock se viram em uma posição complicada. No entanto, após assistir vídeos e textos sobre Arnette, percebi que foi a APOSTA certa. 

Arnette não ganhou muita atenção durante o Combine, já que não teve seu melhor desempenho. Semanas depois, foi esclarecido que o jovem atleta estava “batalhando” contra uma lesão durante o evento. Em sua carreira universitária, o ex-Buckeye era o número 2, atrás apenas de Okudah. Arnette tem um dado bem interessante, em seus quatros anos de universidade, somente em três ocasiões cedeu um touchdown ao recebedor. Além disso, o camisa 3 adora tacklear, essa é uma parte de seu jogo que está bem desenvolvida, comparado a outro jogadores da classe  Arnette chega para disputar a segunda vaga de cornerback no elenco dos Raiders, sendo Trayvon Mullen o número um.

Já na terceira rodada, a equipe de Las Vegas optou por dois recebedores, ambos bem diferentes. Lynn Bowden Jr, de Kentucky, e Bryan Edwards, de South Carolina. Bowden é um caso parecido de Taysom Hill. O ex-jogador de Kentucky pode atuar como recebedor, running back e quarterback. Vejo ele sendo colocado em situação de wildcat, onde pode exercer a escolha entre correr, entregar a bola para o wide receiver ou até mesmo lançar. 

Já Edwards adiciona altura para o corpo de recebedores da equipe. O ex-jogador de South Carolina, com seus 1,90 de altura, é perfeito para disputar lançamento altos em profundidade, algo que Carr fazia muito em seus primeiros anos. Com a chegada de Edwards, essa opção pode voltar ao playbook dos Raiders.

No final da terceira e já na quarta rodada, os Raiders decidiram escolher dois jogadores de Clemson, Tanner Muse e John Simpson. Muse é versátil, pode atuar como linebacker (função que deverá exercer em Las Vegas) e safety. O camisa 19 era um dos líderes defensivos da última temporada de Clemson, ao lado de Isaiah Simmons, agora jogador dos Cardinals. Já Simpson, é um início de rejuvenescimento da linha ofensiva dos Raiders. Em Clemson, Simpson tinha a difícil tarefa de proteger Trevor Lawrence, um dos novos queridinhos da América, futura escolha de primeira rodada.

Por último, mas não menos importante, Amik Robertson, cornerback de Louisiana Tech. Robertson, possivelmente, pode ser um dos “roubos” desta classe. Apesar da sua baixa estatura, o ex-jogador de Louisiana adiciona energia, impulsão e vontade para a debilitada secundária dos Raiders. Na minha visão, Robertson é uma versão um pouco maior de Lamarcus Joyner, safety dos Raiders.   

Em resumo, acredito que o Las Vegas Raiders tenham acertado em todas as suas escolhas. Cada jogador selecionado reforçará uma posição precária no elenco do time, além dos atletas corresponderem perfeitamente a cada requisito do sistema, tanto ofensivo quanto defensivo dos Raiders.

Com a chegada dos novos jogadores, caso correspondam tão bem quanto na teoria, os torcedores do Raiders podem esperar, ao menos, uma temporada positiva em 2020/2021. Vale lembrar da volta do segundanistas do elenco, como Maxx Crosby, Josh Jacobs, Trayvon Mullen, Hunter Renfrow, Clelin Ferrell e até o fullback, Alec Ingold, que tiveram um primeiro ano acima das expectativas.