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Série análise de torcedor – O Draft do Kansas City Chiefs

30 de abril de 2020

(por Mattheus Prudente)

 

Depois do título do Super Bowl, o Kansas City Chiefs se tornou o time a ser batido na NFL, e muito disso vinha daqueles que não acompanham tanto o time, e acham que só ter Patrick Mahomes resolve todos os problemas do mundo, mas esse não é o caso. Na verdade, depois do título, nós, torcedores dos Chiefs, nos olhamos e falamos: “Cara... e agora?”

As coisas estavam longe do paraíso com os Chiefs. O pouco espaço no cap e o grande número de jogadores importantes pare renovar nos faziam ficar desesperados com o futuro da equipe, e sempre tinha aquele medo de Mahomes acabar vivendo o mesmo calvário que Aaron Rodgers vive no Green Bay Packers, tendo que jogar com elencos claramente inferiores ao seu talento durante anos e anos.

Além disso, tinha a crescente preocupação com a renovação do próprio Mahomes, que está estimada para custar em torno de US$ 41 milhões por ano ao cofre dos Chiefs.

Nesse momento, os torcedores dos Chiefs olhavam com esperança para o Draft, pois ele poderia suprir todas as necessidades do time, que eram muitas.

Com um pouco da mágica dos campeões, o general manager Brett Veach fez uma grande free agency, renovando com quase todos os nomes importantes que deu para renovar, mesmo que perdesse alguns como Kendall Fuller e Emmanuel Ogbah. No final, a equipe não tinha nenhuma necessidade clara para o Draft, pois estávamos bem resolvidos em todas as posições.
 

Running back na primeira rodada... sério?

Sério. Running back na primeira rodada. 

A escolha de Clyde Edwards-Helaire dividiu os torcedores dos Chiefs, pois alguns achavam melhor suprir as necessidades da equipe antes, e, óbvio, existem aqueles que tem um pensamento (horrível) de que não se deve escolher running back na primeira rodada. Eu não poderia discordar mais dessas pessoas, pois, se você tem a chance de adicionar habilidade ao seu ataque, a posição não devia importar tanto.

O valor de uma escolha de Draft vai muito além do dia do recrutamento. Ao saber do encaixe que ele vai ter na equipe, você não acha que um jogador pode aumentar o seu valor de escolha? A irresponsabilidade de alguns “jornalistas” brasileiros, que repassam opiniões estrangeiras sem a sua própria personalidade, criam pessoas com as mesmas opiniões impensadas. Talvez os veículos nacionais devessem revisar sobre quem estão mantendo para comentar os seus esportes.

Fiquem comigo no planeta Terra. Edwards-Helaire era um dos principais jogadores do ataque de Joe  Burrow, e, se o novo quarterback do Cincinnati Bengals fez a temporada que fez, muito se deve ao running back, que era uma das suas principais válvulas de escape, tanto correndo quanto recebendo passes. Além disso, é um ótimo bloqueador. Tudo isso vai ajudar Mahomes.

Tudo bem, Kristian Fulton era tido como um dos cornerbacks mais habilidosos do Draft, mas os seus problemas extra campo não valem uma escolha de primeira rodada. Para aqueles que não sabem, Fulton fraudou o seu próprio exame de drogas, e perdeu uma temporada inteira suspenso por conta disso.

Não existia nenhum IOL para ser escolhido na nossa escolha, e a classe de linebackers é ruim. O que mais podíamos fazer além de escolher o cara que foi pedido por Mahomes? Ou vocês realmente querem que ele vire o novo Rodgers?

Edwards-Helaire mostra mais do que apenas habilidade, mas mostra a confiança de Andy Reid e Veach em Mahomes, e os pedidos dele serão atendidos. No final, todas as necessidades da equipe foram atendidas nas rodadas inferiores, e conseguimos pegar o que era, na minha opinião, o melhor running back do Draft para o sistema dos Chiefs.

Edwards-Helaire é o futuro, e Mahomes vai adorar o seu novo brinquedo.

 

As necessidades atendidas: Gay Jr, Niang e Sneed

Depois da escolha (correta) de Edwards-Helaire, os Chiefs partiram para as suas necessidades. Não é de agora que a equipe precisa de um linebacker patrulheiro. Buscaram Anthony Hitchens, mas ele consegue falhar em tudo. Muito lento para marcar e pesado para fazer infiltração em blitz. Está sentado em um contrato grande, mas não tem nenhuma capacidade para receber o que recebe.

Para isso, pegou um dos melhores run and hit linebackers desse Draft. Willie Gay Jr é um jogador muito atlético, com grande poder de reação e uma agilidade impressionante. Exímio marcador, consegue anular tight ends adversários e parar corridas. Seu único problema dentro de campo é a leitura de jogadas, que ainda é um pouquinho falha, então ele não consegue adiantar os movimentos do adversário.

Além disso, ele espancou o seu quarterback. Mas, se fizer isso com Mahomes, eu posso fazer uma lista de mil pessoas que vão lá bater nele.

Depois disso, o tackle Lucas Niang foi a escolha na terceira rodada e, para mim, a melhor de todas. Niang é perfeito para o presente e para o futuro. Agora, ele vai conseguir ocupar o tão necessitado interior da linha dos Chiefs, que acabou perdendo Stefan Wisniewski na free agency. No futuro, será o substituto natural de Eric Fisher, que deve ser um dos cortes feitos a partir do ano que vem para a renovação de Mahomes, por seu grande contrato.

Então, Niang supre mais uma necessidade.

A terceira delas era o cornerback, os Chiefs resolveram com facilidade, buscando um dos jogadores mais rápidos desse Draft. L’Jarius Sneed é bem ágil, mas também consegue criar uma ilha contra o recebedor por conta da sua altura. Não é um jogador muito físico, mas também não vai perder as batalhas contra recebedores facilmente por conta disso. 

Ah, eu já mencionei que Sneed é rápido? Sim, ele é bem rápido, e pode assumir a posição de titular nos Chiefs já de cara, pois a equipe perdeu Bashaud Breeland suspenso por quatro partidas.

 

Danna e Keyes: a parte ruim do Draft

Com apenas uma escolha para o final, os Chiefs escolheram um jogador que não fazia o menor sentido ser escolhido. Mike Danna é um defensive end de Michigan que não tem tamanho para ser DE e nem agilidade para ser linebacker. O que Kansas City pretende fazer com ele? A única coisa boa é que ele parece ter sido um pedido de Brandon Daly, coordenador da defesa terrestre de KC, então a qualidade dele contra jogo terrestre será explorada. Mesmo assim, existiam outros nomes melhores para isso.

Os Chiefs voltaram para o Draft na sétima rodada para escolher BoPete Keyes, que é um jogador que eu esperava que não fosse draftado, então parece mais uma escolha para não ter que brigar para assinar com ele depois do recrutamento. Nada a reclamar, mas ele também não deve ter muitas chances.

 

No final, tudo certo em Kansas City

Base do time mantida e habilidade adicionada. Misture isso com o melhor quarterback da Liga e você tem um favorito para ser campeão novamente. Os Chiefs conseguiram manter quase todo o seu time campeão do Super Bowl e pegou um cara consistente no backfield, além de um linebacker interessantíssimo, um tackle/guard que não cedeu nenhum sack em dois anos de College, e um cornerback muito bom para a posição escolhida. 

Muito cuidado com os Chiefs de novo!