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A promissora e habilidosa geração portuguesa: O que os “gajos” podem atingir no futebol? 

8 de março de 2021

(por Matheus Correia) 
 

Com a aproximação da Copa do Mundo de 2022, no Catar, começam os debates e as especulações das seleções favoritas para a conquista de um dos troféus mais importantes e cobiçadas da história do futebol. A última edição, na Rússia, deixou bem claro que não existem grandes favoritos. No âmbito europeu, a atual campeã da competição, França, mantém a mesma base da última escalação em 2018. Alemanha e Espanha contam com nomes promissores e novos no mundo do futebol (como Werner, Goretzka, Kimmich, Torres, Oyarzabal, Rodri, entre outros), mas ainda não demonstram um padrão definido ou entrosamento que as transformem em máquinas dentro de campo, como foram nas copas de 2010 (Espanha) e 2014 (Alemanha). Enquanto Itália e Inglaterra ainda buscam qualquer tipo de êxito entre as mais variadas escalações e sistemas táticos, surge na costa oeste do continente uma geração de atletas que representam uma seleção muitas vezes reconhecida apenas por seu “lobo solitário”.  

Desde o quarto lugar na Alemanha em 2006, a seleção portuguesa conseguiu chegar duas vezes no mata-mata (2010 e 2014), sendo eliminada nas oitavas de final em ambas as ocasiões. Mesmo com a emocionante (e nem tão brilhante) conquista da Eurocopa em 2016, a seleção das Quintas nunca foi vista como uma grande ameaça nos últimos anos; o real perigo sempre foi seu protagonista: Cristiano Ronaldo. São 170 jogos, 102 gols, 41 assistências, nenhuma expulsão. Queira ou não, os comentários de que Cristiano carregou a equipe de seu país nas costas na última década é completamente justificável. Não é fácil ganhar uma Copa do Mundo com Nani, Pepe e Quaresma como coadjuvantes. Mas, em 2021, podemos afirmar que este pensamento foi superado. Com uma leva de jogadores técnicos, habilidosos e promissores, o esquadrão dos “Imortais” terá no Catar provavelmente sua melhor chance desde 1966 de conquistar o mundo.  

 

O surgimento de novos “áses” 

Mesmo após criticarmos a falta de “companhia” de CR7 na seleção, Portugal já havia demonstrado sinais promissores na convocação da Copa de 2018. Nomes que na época poderiam ser vistos como apostas, hoje já se definem como jogadores sólidos e alguns até craques do cenário mundial. Raphael Guerreiro, Rúben Dias, William Carvalho e André Silva são jogadores que evoluíram desde então, e há atletas como Bernardo Silva que, apesar de já ser considerado uma realidade na época, ninguém esperava sua consistência e protagonismo que demonstrou no Manchester City. Claro, também existem as decepções: João Mario, Gonçalo Guedes, Gelson Martins e Cédric Soares também figuravam entre os 23 convocados e eram tratados como jogadores habilidosos; mas que não conseguiram atingir um alto nível futebolístico. Muitos talentos surgiram no período pós-Copa: Diogo Jota, Francisco Trincão, João Cancelo, Pedro Neto, Ferro, e talvez o mais célebre entre eles, João Félix. Jota, Cancelo e Félix caminham para se tornarem grandes nomes do futebol mundial; o primeiro, destaque recente no Liverpool de Klopp; o segundo, considerado um dos melhores laterais no futebol atual, um dos grandes destaques do Manchester City; o último, uma das referências da equipe de Simeone na Espanha. Trincão, Ferro e Neto são nomes que ainda se encaixam no diagnóstico de “grandes promessas do futebol”, sendo muito cedo para tirar quaisquer conclusões sobre sua capacidade dentro das quatro linhas.  

 

Portugal invade a terra da rainha 

Sabemos que se você acompanha futebol europeu, provavelmente está desesperado por ainda não termos citado aquele que hoje é um dos atletas de mais destaque neste esporte. É que este jogador é o representante máximo da imensa horda de portugueses que nos últimos três anos se transferiram para um dos campeonatos mais competitivos e vistosos no cenário atual: a Premier League. Ultrapassando a Escócia, Portugal figura como o sexto país com mais jogadores na primeira divisão da liga inglesa (21), com cinco a menos que o Brasil. A equipe dos Wolverhampton Wanderers ganhou até mesmo notoriedade por conta deste fato: são 8 jogadores portugueses na equipe principal (Rui Patrício, Nelson Semedo, Ruben Neves, Daniel Podence, João Moutinho, Vitinha, Pedro Neto e Fábio Silva), 3 emprestados a outros clubes (Vinagre, Bruno Jordão e Toti Gomes), além do técnico Nuno Espírito Santo. E esta é uma experiência que parece funcionar: Os Wolves terminaram na sétima colocação na temporada de 2019/20, chegando às quartas de finais da Europe League no mesmo ano, e em 2020-21, mesmo com um futebol considerado abaixo do rendimento normal, figuram na 12ª colocação. Temos também no Manchester City a dupla portuguesa já citada anteriormente, que na janela de transferências recente se tornou um trio. Bernardo Silva teve uma boa temporada em 2019/20, com 6 gols e 7 assistências. João Cancelo se destacou na temporada atual por ótimas atuações defensivas, enquanto Rúben Dias parece ter se firmado como a solução na dupla de zaga na equipe, o que era um dos principais problemas no elenco. Diogo Jota tem sido destaque recente uma espécie de “desafogo” no Liverpool. Há também outros atletas de menor destaque na liga, como Ricardo Pereira (Leicester), Andre Gomes (Everton), Cedric (Arsenal) e Helder Costa (Leeds United). E por último, mas não menos importante, temos Bruno Fernandes. Líder técnico absoluto do Manchester United, é uma das grandes sensações do futebol. Os números falam por si só: 39 partidas, 23 gols, 17 assistências. Podemos tranquilamente afirmar que os Diabos Vermelhos estariam em uma situação tremendamente pior sem Bruno no elenco. E também que ele é o segundo melhor jogador português em atividade. 

 

Onde a seleção pode chegar? 

Sabemos que para uma seleção conquistar o troféu da Copa do Mundo não basta apenas um punhado de bons jogadores na lista de convocação, vide Brasil de 2006 e 82, Itália de 1990 e 94, França de 1982 e 86, entre diversos outros exemplos. Mas, geralmente, é o necessário para chegar longe na competição. Na última partida disputada, contra a Croácia pela UEFA Nations League, o técnico Fernando Santos escalou a equipe da seguinte maneira: Uma formação 4-3-3, com Rui Patrício no gol, Mario Rui, Rúben Dias, Rúben Semedo e Nelson Semedo completando a defesa. No meio campo, Danilo Pereira exercia a função de marcação enquanto João Moutinho e Bruno Fernandes atuavam como meias criadores. No ataque, João Felix e Diogo Jota se distribuíam pelas pontas enquanto Cristiano Ronaldo desempenhava-se como centroavante. Há mudanças que ainda podem ser realizadas em busca de um time mais técnico e fluído, como Cancelo no lugar de Nelson Semedo, Rubén Neves no lugar de Danilo Pereira e, possivelmente a concretização de Ferro com um zagueiro de alto nível para atuar no lugar do limitado Rúben Semedo. Fernando Santos teve seu contrato renovado até 2024, e já é o técnico com mais partidas comandadas a frente da seleção, recorde que antes pertencia a Luiz Felipe Scolari, o Felipão. É difícil definir o cume que Portugal poderá alcançar. Talvez o Campeonato Europeu de Futebol de 2020 (ou Euro 2020, antiga Eurocopa) que será realizado em junho de 2021 sirva como uma demonstração do que está por vir. Os portugueses estão no grupo da morte: França, Alemanha e Hungria. Uma terceira colocação pode tornar tudo que foi escrito neste texto completamente irrelevante. Mas, futebol é futebol. Onde os portugueses podem chegar?