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Para os Patriots, faz sentido trocar por Josh Rosen?

21 de maio de 2020
20h 44

(por Henrique Rodrigues)

 

Na tarde de hoje (21/05), Michael Luciano, do site 12up, escreveu um texto falando que os Patriots deveriam perguntar aos Dolphins sobre Josh Rosen, o que gerou no grupo da redação a pergunta do título. Já adianto que a resposta da pergunta é sim. Por mais que Josh Rosen tenha falhado em corresponder às expectativas em seus primeiros dois anos, os Patriots não têm um QB pela primeira vez neste milênio. Com a saída de Tom Brady, o grupo de quarterbacks de New England conta com, atualmente, Jarrett Stidham, Brian Hoyer, Brian Lewerke e J’mar Smith. Stidham foi escolha de quarta rodada ano passado e tudo indica que a comissão técnica confia nele para ser o próximo QB do time, mesmo tendo jogado mal nas poucas aparições que teve em 2019. Brian Hoyer mostrou que não passa de um reserva mediano quando está em um dia bom, enquanto Lewerke e Smith não foram escolhidos no Draft de 2020.


Como Rosen está atualmente em um rival de divisão (Dolphins), a negociação talvez seja um pouco mais complicada, já que trocas dentro da divisão são raras na NFL. Mesmo assim, o preço deve ser baixo para New England, visto que os Dolphins acabaram de pegar Tua Tagovailoa no Draft e já tem um reserva em Ryan Fitzpatrick. Se quiserem realizar a troca, uma escolha de quinta rodada em 2021 e uma sétima em 2022 devem ser suficientes. 


Josh Rosen chegaria para disputar a vaga de titular com Stidham se conseguir decorar o playbook rapidamente, e pelo menos já seria uma melhora em relação a Brian Hoyer como reserva. Todas as qualidades que Rosen mostrou em UCLA continuam com ele, como inteligência, bom braço e boa precisão nos passes. Porém, o grande questionamento das pessoas é: por que trocar por um quarterback que se mostrou um bust? A resposta é simples: porque ele não é. 


Josh Rosen nunca soube o que é estabilidade nas comissões técnicas. Em UCLA foram dois coordenadores ofensivos e dois técnicos de QBs diferentes em seus 3 anos na faculdade. Na NFL, seu primeiro OC foi demitido no meio do ano, enquanto seu técnico foi mandado embora após a temporada. Chegando em Miami, encontrou novamente um head coach novato (Brian Flores) e um coordenador ofensivo que não durou uma temporada (Chad O’Shea). Em New England ele teria estabilidade nessas funções, já que Bill Belichick e Josh McDaniels, além de fazerem o que fazem há anos, são os melhores em suas funções.


Outra coisa muito importante e que tem que se levar em conta é que Josh Rosen não é um QB móvel. Em outras palavras, ele não consegue esconder se a linha ofensiva for ruim, o que aconteceu em Arizona e Miami. Além disso, os recebedores deixaram muito a desejar, principalmente em 2019.


Com os Cardinals em 2018, a única opção de passe que Rosen tinha era Fitzgerald (em tempo, parabéns para os Cardinals por melhorar a posição para Kyler Murray), enquanto nos Dolphins era um Devante Parker começando a mostrar mais serviço. Para se ter ideia, os Dolphins lideraram a NFL em drops em 2019. Mesmo com o grupo de recebedores de New England não sendo muito bom, ainda é significantemente melhor do que era o de Miami ano passado. Isso sem contar com a defesa dos Patriots, que, enquanto tiver Belichick no comando, será uma das melhores da liga.


Para Rosen, New England seria um time com bons técnicos e o melhor elenco em volta dele, o que daria espaço para desenvolvimento. Para New England, Rosen seria uma aposta com baixo custo, e que, se conseguirem desbloquear o potencial que vimos em 2018, colocaria os Patriots de novo como fortes candidatos ao título.