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Organizado taticamente, Palmeiras é cirúrgico para derrotar o Flamengo e conquistar o tri da América 

27 de novembro de 2021

(por Rafael Lima)
 

Chegou o grande dia. Palmeiras e Flamengo foram ao Centenário em Montevidéu para voltarem ao Brasil com o tricampeonato da Copa Libertadores da América. O Palmeiras mais tático e pragmático, diante de um Flamengo mais técnico e superior individualmente. Dentro de campo o verdão mostrou que empenho e organização no futebol atual desequilibram, vencendo o torneio sul-americano pela segunda vez consecutiva, sendo o melhor time da América com todos os méritos. 

Palmeiras organizado e letal 

O jogo começou nervoso, com as equipes pilhadas brigando por todas as bolas. Porém, logo aos seis minutos, Gustavo Gómez lançou Mayke nas costas de Filipe Luís, que estava por dentro. O lateral direito do verdão levantou a cabeça e foi inteligente para cruzar rasteiro para atrás e encontrar Raphael Veiga de frente. O meia, iluminado, não deu a menor chance ao goleiro Diego Alves. O jogo mal começava e o Palmeiras já abria o placar. 

Depois do gol a partida seguiu truncada, o Flamengo tinha mais a bola, mas não conseguia criar chances claras. Aos 16’ Andreas Pereira deu lindo passe para Bruno Henrique, mas o atacante, dentro da área, não conseguiu finalizar. Dois minutos depois, em cruzamento de Arrascaeta, Gabigol cabeceou para fora.

Com meia hora de jogo o panorama era o mesmo, o Flamengo tentando o empate, mas sem muita inspiração, e o Palmeiras bem postado defensivamente, mas com o contra-ataque encaixado. Muita correria e poucos lances de perigo. 

Aos 42’ a melhor chance do Flamengo. Gabigol cruzou na cabeça de Bruno Henrique. O atacante escorou para Arrascaeta que finalizou bem, mas parou na ótima defesa de Weverton. 

Daí para frente, com a pobreza criativa do rubro-negro, nada de importante aconteceu e os times foram aos vestiários com o Palmeiras na frente pela contagem mínima. 

O primeiro tempo apresentou um Palmeiras muito aplicado taticamente, com um plano de jogo de forte marcação, encaixotando o Flamengo, que não soube sair da armadilha do verdão. Muito propenso a atacar pelo lado esquerdo e com Arrascaeta abaixo do que pode por problemas físicos, o rubro-negro muitas vezes era armado por David Luiz, algo que claramente não dava resultado. 
 

Flamengo reage, pressiona e Gabigol brilha 

O Flamengo voltou para a etapa complementar com tudo para frente. Gabigol teve duas chances em dois minutos, mas em ambas não conseguiu finalizar. 

O rubro-negro estava com as linhas altas, tentava pressionar, mas o Palmeiras seguia bem postado e ainda assustava. Aos 7’, Roni acertou belo chute de fora da área, obrigando Diego Alves a realizar ótima defesa. 

Aos 10 minutos foi a vez de Weverton brilhar. Após cobrança de falta de Everton Ribeiro, David Luiz apareceu nas costas da zaga, dominou e saiu na frente do goleiro palmeirense, que cresceu para cima do flamenguista e fez uma defesaça! O jogo estava muito bom. 

Aos 14’, depois de escanteio da esquerda, Bruno Henrique subiu sozinho e cabeceou com muito perigo. O Flamengo produzia muito mais no segundo tempo em relação ao primeiro. Parecia que o gol estava amadurecendo. 

O jogo teve uma queda de ritmo, porém, quando estava morno, Gabigol tabelou com Arrascaeta e finalizou no canto de Weverton, que acabou aceitando. Era o empate do rubro-negro aos 26 minutos.

O Flamengo seguiu melhor, mas não finalizava. Até que aos 40’, Arrascaeta conseguiu lindo lançamento para Michael, que recebeu a bola e bateu cruzado levando muito perigo ao gol de Weverton. Que chance!

Depois disso os times se acomodaram aguardando o fim do tempo normal para levarem a decisão ao tempo extra. 

O Flamengo fez um belo segundo tempo, empurrando o Palmeiras para buscar o empate a todo custo. Arrascaeta foi o maestro do time e Gabigol, predestinado como sempre, deixou tudo igual em uma rara falha de Weverton. A prorrogação prometia. 
 

Falha de Andreas, Deyverson predestinado e Palmeiras tri

O tempo extra começou com o Palmeiras apresentando uma postura mais ofensiva. E, aos 4 minutos, as linhas altas do verdão deram resultado. Andreas Pereira falhou na defesa e Deyverson aproveitou para roubar a bola e sair na cara de Diego Alves. O atacante não perdoou e recolocou o Palmeiras na frente. 

Dois minutos depois, em bela trama do rubro-negro, a bola foi de pé em pé até Gabigol finalizar por cima. 

Depois disso, o Palmeiras controlou o jogo defensivamente e não sofreu. O Flamengo pecava no último passe e nada mais aconteceu até o fim do primeiro tempo da prorrogação.

Na segunda etapa do tempo extra, o Palmeiras amarrou o jogo, atuando em bloco atrás da linha da bola, encaixotando o Flamengo que conseguia apenas finalizações difíceis e de fora da área. 

No final Danilo Barbosa ainda perdeu uma grande chance de decretar o título palmeirense. Mas o lance não fez falta. O Palmeiras na base da tática garantiu o tricampeonato da Copa Libertadores da América.
 

Final: Palmeiras 2x1 Flamengo 
 

Vitória da aplicação tática. O Palmeiras fez tudo o que estava planejado, soube marcar o Flamengo e criar a armadilha para vencer o jogo. Mais inteiro fisicamente, contando com a falha de Andreas Pereira e a estrela de Deyverson, o verdão conquistou o tri de forma incontestável. 

Já do outro lado, o rubro-negro não soube desatar o nó tático e ficou refém da qualidade individual de seus atletas. Arrascaeta e Bruno Henrique não estavam 100% e assim a vida do Palmeiras ficou mais fácil.

Parabéns ao verdão pela fantástica campanha, deixando dois dos melhores times do Brasil pelo caminho, o Atlético Mineiro, virtual campeão brasileiro na semifinal, e o milionário Flamengo na final. 

Agora o Palmeiras se iguala a São Paulo, Santos e Grêmio como os maiores brasileiros campeões da Libertadores da América.