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Opinião - Djokovic disputará o Aberto da Austrália, mas coloca em jogo a credibilidade do torneio e sua própria reputação

5 de janeiro de 2022

(por Rafael Lima)

Novak Djokovic é um dos maiores jogadores de tênis da história e, provavelmente, em números, encerrará sua carreira como o principal tenista de todos os tempos. Porém, sua conduta fora das quadras, não condiz com o seu tamanho dentro delas. 

Polêmico, o tenista sérvio é um dos mais famosos negacionistas em relação à Covid-19 e, além disso, segue com um discurso anti-vacina, realizando inclusive um evento que causou aglomeração no auge da pandemia. 

Partindo do princípio de que ele tem o direito de fazer o que quiser com o próprio corpo, como prega, isso não lha dá carta branca de colocar outras pessoas em risco. E o fato de jogar o primeiro Grand Slam do ano na Austrália, conseguindo atestados médicos para driblar a obrigatoriedade da vacina, é um desrespeito aos outros atletas e ao esporte, em que ele é um dos maiores.

Alheio ao bom senso, Nole declarou nas redes sociais a permissão que conseguiu: "Passei dias fantásticos com minha família durante a pausa [da temporada] e agora estou indo para a Austrália com uma permissão de exceção”.

Apesar da falta de ética de Djokovic, o torneio ter liberado o atleta para jogar e o Ministério da Saúde australiano ter sido conivente com isso, alegando que 'a liberação médica ocorreu após um rigoroso processo encabeçado por especializas', abrem espaço para outra discussão. Se não se tratasse do número 1 do mundo, será que a decisão de aceitar a presença do jogador no campeonato seria a mesma?

Nunca saberemos essa resposta, mas é fato que a competição com Djokovic chama muito mais a atenção do que sem ele. Porém, esse é mais um episódio, que determina o fato da idolatria de Djoko ser bem menor do que a de Roger Federer e Rafael Nadal por exemplo, pois é impossível separar o atleta do cidadão o tempo todo.