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O vencedor das 500 milhas hoje beberá leite e não leitelho!

23 de agosto de 2020
13h 58

(por Sérgio Viana)

Você certamente viu um dos quatro brasileiros que já ganharam as 500 milhas de Indianápolis celebrarem a vitória bebendo leite, viu também aqui conosco na Playmaker, que Emerson Fittipaldi, em 1993, bebeu suco de laranja, mas você sabia que a primeira vez que um piloto tomou a bebida era leitelho e não leite?

Essa história começa em 1933, com Louys Meyer, piloto americano que acabava de vencer a prova pela segunda vez. Naquela época, os pilotos dirigiam à victory lane, recebiam ali um trofeu pela vitória e uma coroa de louro, não haviam um protocolo de comemoração com bebida, foto, etc, os pilotos com sede, bebiam o que estivesse a mão.

Meyer tinha o habito de beber leitelho, que é um tipo de leite coalhado retirado durante o processo de produção de manteiga, gelado nos dias quentes para se hidratar, conselho de mãe que os antigos contam que Meyer seguia à risca. Ele sedento, pediu um copo de leitelho e foi atendido prontamente. Ele correu em 1934 e 1935 e não obteve destaque e bons resultados.

Mas, em 1936, Meyer se tornou o primeiro piloto a vencer as 500 milhas de Indianapolis três vezes. Novamente o bom filho ao final de 200 voltas e mais de quatro horas de prova, comemorou bebendo leitelho. Só que desta vez ele foi FOTOGRAFADO com uma garrada na mão. O maior campeão de uma prova de automobilismo bebe leite, campeões bebem leite, vencedores, bebem leite. Os produtores de leite americanos pensaram assim, e passaram a patrocinar a corrida, embora esse patrocínio não acontecia de maneira contínua.
Somente em 1956, 20 anos depois do registro histórico de Meyer, a Indy resolveu oficializar a comemoração com uma garrafa de leite, obviamente motivado por patrocinadores ávidos para ter sua marca exposta no pódio.
Ano passado, na pesquisa anual para saber qual tipo de leite cada piloto quer beber se vencer a corrida, Ed Carpenter e James Hinchcliffe, disseram que queriam beber leitelho.

Essa pesquisa iniciou em meados dos anos 90...pode isso produção?

“É o que Louis Meyer bebeu. Isso é o que deu início à tradição. Se vamos continuar a tradição, devemos continuar a tradição e deve ser a única opção. Estou desapontado. Lá muitas coisas que fazemos por volta do mês de maio são apenas por tradição, então por que não continuar com leitelho? " – disparou um Hinchcliffe desapontado por não ter leitelho como opção. Há uma explicação para isso.

A Associação Americana de Laticínios, esclareceu que o leitelho que Meyer bebeu, era sobras de manteiga produzida pela sua mãe, uma bebida refrescante, rica e cremosa. Mas, ele não existe mais porque os laticínios são produzidos em grandes fábricas e o antigo leitelho é altamente perecível.“O leitelho moderno é o leite normal com uma cultura (e às vezes sal para dar sabor) e, embora você possa bebê-lo, tem um sabor azedo e é mais usado na culinária.”, explicou à época Brooke Williams, Diretora de Comunicação da associação.
Hinchcliffe não ganhou, não teve que beber o leite integral, sua opção diante da ausência de leitelho.