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O tamanho do Super Bowl para os Estados Unidos 

13 de fevereiro de 2022

(por Jefferson Castanheira)
 

Todo fevereiro a mesma história se repete. A grande final da National Football League sobe os degraus do esporte e aparece para o mundo todo, como um gigantesco e impactante evento esportivo. O Super Bowl, como é chamada a final da NFL após sua unificação em 1967, atrai os olhares mais específicos e diferentes no mundo todo, servindo de vitrine para muita gente conhecer o esporte, se encantar pela organização do evento e também movimentar a economia dos Estados Unidos.

Os números exorbitantes são o carro-chefe quando falamos de economia, por exemplo. O Super Bowl é o evento mais rentável do mundo para investidores em grande mídia, atraindo gigantes corporações de todos os tipos de setores para divulgar seus novos produtos e reafirmar grandezas. Comerciais nos intervalos do Super Bowl em 2020, na edição LIV, tiveram custos aproximados de US$ 5.6 Milhões de dólares, quase R$ 30 milhões de reais. A audiência apenas nos EUA foi de 102 milhões de pessoas assistindo o evento em média, com picos que chegaram em 124 milhões de pessoas vendo a grande final da NFL simultaneamente somente nos EUA. Esse número somado com os espectadores do mundo todo chega a bater 160 milhões de telespectadores. Os ingressos para o Super Bowl chegam a custar US$ 50 mil dólares, com os mais baratos custando em média US$ 4,9 mil.  Além dos valores diretos do evento, o Super Bowl faz uma explosão absurda de consumo de alimentação, bebidas e antiácidos no dia seguinte do espetáculo: 25 mil toneladas de petiscos como asinhas de frango, pizzas, hambúrgeres, hot-dogs são consumidos durante o jogo, assim como 1,2 bilhões de litros de cerveja. No dia seguinte, a compra de antiácidos nas farmácias e adjacentes sobe mais de 45%. Cada pessoa que assiste o Super Bowl gasta em média US$ 70 dólares para o dia da final, movimentando mais de US$ 7,3 bilhões de dólares em apenas 24 horas.

Anualmente, o Super Bowl atrai grandes artistas para performarem no tradicional Half-Time Show que, como diz o nome em inglês, acontece no intervalo da grande final. Quem vê a movimentação da indústria da música popular mundial para assistir e produzir o show do intervalo hoje em dia, não imagina que um dia no passado ele só era um mero mini-evento para animar os torcedores durante o intervalo. Quem mudou essa chave foi Michael Jackson, em 1993, que após realizar um show espetacular e histórico, abriu as portas para tornar o Super Bowl não só um evento esportivo anual, mas também um encontro de várias audiências diferentes e um evento midiático absoluto para o mundo todo. Artistas como Rolling Stones, U2, Lady Gaga, Beyoncé, Paul McCartney já subiram no palco de um show que encanta o mundo pela sua precisão e beleza.

Para os EUA, fica claro que o Super Bowl é um ponto de exclamação na cultura norte-americana. E para o mundo? Nós, que pertencemos à cultura ocidental, somos impactados diretamente pelo Super Bowl. Nossas preferencias musicais, esportivas, apreço pelo espetáculo, por conhecer lançamentos de empresas de todos os segmentos, para ver trailers de novas séries e filmes aclamados, tudo isso gira em torno de um único evento que dura em média 4-5 horas. O impacto esportivo é abissal, pois o Super Bowl é o grande responsável por fazer pessoas se interessarem pelo esporte, e se apaixonarem em seguida. Mas o impacto cultural é ainda maior, trazendo um foco de entretenimento quase que explosivo e inevitável. O palco que consagra grandes lendas e heróis do futebol americano, também exalta uma cultura de união, consumo, satisfação e deslumbre por todo o globo.