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O que a Mercedes e Hamilton querem?

15 de janeiro de 2022

(por Bruno Braz)
 

Pois é, muito se tem falado de que Hamilton estaria esperando a investigação da FIA para decidir se corre ou não em 2022. A mídia inglesa e a alemã já cravaram: há um acerto entre Mercedes e FIA para que a cabeça de Michael Masi role. O fato de seu nome ter saído do organograma oficial da FIA, corrobora com essa teoria.

Mas, de fato, qual seria o objetivo de Hamilton e a Mercedes? É extremamente improvável, para não dizer, impossível, que a FIA mude o campeão. Se o GP tivesse seu resultado anulado, em último caso, Max seguiria como campeão pelo critério de desempate.

Então, o que estaria por trás disso? O bem do esporte? Talvez. Lembrar que diretores precisam seguir o regulamento à risca, sem fazer interpretações "inovadoras" de última hora? Talvez. Aqui fico sempre com a dúvida: existia ou não o acordo entre equipes e direção de não encerrar uma prova em Safety Car? Acho que nós, mortais, não teremos essa resposta. A lógica me faz crer que, se havia o acordo de não acabar um GP em Safety Car, fazia mais sentido interromper a prova com bandeira vermelha.

Com tudo isso no contexto, o que dá para tirar de conclusão, na minha visão? Que a Mercedes já aceitou a "derrota". Hamilton, também. Porém, há um preço por isso. Acredito que se a Mercedes seguisse com sua apelação, talvez tivesse cancelado o GP. Se Hamilton estivesse um ponto na frente de Verstappen antes da prova, seguiriam nesta trilha com chance de sucesso. Mas, e aí? O que querem afinal de contas?

Acredito que o plano, considerando o pedido da cabeça do diretor de provas e do responsável pela divisão de monopostos, é bem simples: manchar para todo o sempre o título de pilotos de 2021. Deixar cravado na testa de Verstappen que ele só venceu porque, de alguma maneira, foi beneficiado pela direção de provas. Tão simples quanto isso.

O que me preocupa, é que se a FIA atender a todos os desejos da Mercedes e de Hamilton, estará atestando, sem sombra de dúvidas, que eles são maiores que a FIA e que a F1. 

Uma pena Charlie Whiting ter partido de sopetão, forçando a subida precoce de Michael Masi para o cargo. O ano de 2021 foi recheado de discórdias por parte dele, hora beneficiando Lewis, outras vezes sendo benéfico para Max.

Logo saberemos o que acontecerá. Só lamento profundamente que, mais uma vez, o esporte, que deveria ser simplesmente esporte, seja decidido por política e arranjos, se apequenando diante de algo que deveria ser simples e, apenas, esporte.