Conteúdo

Narrativas da bolha: O surpreendente T.J. Warren, o novo Cameron Payne e as decepções individuais até aqui

10 de agosto de 2020

(por Matheus Correia)
 

Era de se esperar que algumas coisas iam ser bem diferentes na “bolha" em Orlando. Com as equipes sem jogar uma partida oficial em mais de quatro meses, diversos desfalques e um ambiente completamente distinto, dá para dizer que o reinicio da temporada parece mais o início de uma nova competição.

Os favoritos podem até ser os mesmos, mas se tratando de briga pelos playoffs e performances individuais, há muitas narrativas inesperadas que tornam a NBA na “bolha" um pouco mais “especial” e interessante.

Um jogador que surpreendeu a todos com suas atuações foi T.J. Warren. Podemos até considerá-lo a maior surpresa até o momento. Indiana mantém a colocação pré-suspensão (5º) na Conferência Leste, e tem apenas uma derrota em cinco partidas até agora (10/08). T.J. Warren é sem dúvidas umas das principais razões do sucesso dos Pacers em Orlando. Com médias de 34.8 pontos (incluindo um carrer-high de 53 pontos), 6.6 rebotes, 60.4% de aproveitamento de field-goal e 50.94% nos arremessos de três pontos nestes cinco jogos, o ala vem sendo, estatisticamente, espetacular. Poucos jogadores na história tem números tão bons quanto os de Warren, mesmo que seja em um período de apenas cinco partidas. Sua atuação com 9 bolas de três contra os 76ers é a melhor atuação individual de um jogador na "bolha" até o momento. Tem também os 39 pontos contra os Lakers (sem LeBron, tudo bem). É um verdadeiro fenômeno. Assim como existem as lendas de “alter egos” que inexplicavelmente jogam melhor em determinadas condições, como Hoodie Melo, Untucked Kyrie ou Flu Game Jordan, também existe o Orlando Bubble TJ Warren. Há apenas uma coisa que pode determinar as boas atuações de Warren: Consistência. Porém, vai ser difícil, se não quase impossível, manter os números desde cinco primeiros confrontos pelo resto da temporada. O que importa é que TJ contribui de forma enorme para Indiana, um verdadeiro tapa na cara de Phoenix que o trocou por “considerações financeiras”.

Já fazem cinco anos desde que Cameron Payne foi draftado. Neste período, sua contribuição nas equipes em que jogou (OKC, Bulls e Cavs) foi praticamente nula. O atleta é conhecido mais pelas suas danças e comemorações em jogo, quando claro, está esquentando o banco. Contratado por Cleveland esta temporada, não havia feito uma partida sequer antes da suspensão da liga em março. Dentre todas as opções, Phoenix decidiu assinar com o jogador antes da retomada da temporada, para suprir a ausência de Elie Okobo e Jalen Lecque, ambos lesionados. O que inicialmente poderia ser visto como uma movimentação de mínimo impacto por parte dos Suns, acabou surpreendendo positivamente, assim como a própria equipe. São cinco vitórias em cinco jogos, e Payne vem sendo um grande contribuinte. O armador vem sendo o líder ofensivo do banco de Phoenix, com médias de 10.2 pontos, 3.6 rebotes e 2.8 assistências. Com um excelente aproveitamento nos arremessos de três pontos (49.94%, média de 1.8 convertidos por partida), consegue suprir bem o ataque quando Devin Booker está descansando.  

Pelo lado negativo, o reinício da temporada marcou a decadência produtiva de alguns jogadores. O caso mais notório é o de Lonzo Ball. No início da temporada, muitos achavam que Lonzo tinha definitivamente “estreado” na NBA, devido a sua boa contribuição com a camisa dos Pelicans. Entretanto, sua performance na “bolha" vem sendo bem abaixo do que se espera. São cinco partidas, com médias de 5.8 pontos, 6.4 assistências e 5.4 rebotes. A eficiência que parecia ter encontrado nos seus arremessos de três pontos se transformou em um aproveitamento de 22.7% do perímetro. Somando com seu aproveitamento de 27.5% de field goal e 33.3% nos lances livres, Ball é um dos piores arremessadores da liga em Orlando.

Um jogador que também se encontra nesta lista, é Danny Green. Antes da paralização da temporada, convertia 37.8% dos seus arremessos de três. Não parece ser grande coisa comparado aos 46.3% de George Hill (melhor aproveitamento da liga), mas contribuía de forma enorme para os Lakers, que possuem uma gigantesca necessidade de arremessadores de três pontos no seu elenco. Na “bolha", Green tem um aproveitamento de 20%. Uma média de uma cesta convertida a cada cinco arremessos.