Conteúdo

(Por Vinícius Freitas)

Gunnar Nordahl, Nils Liedholm e Gunnar Gren (1949/50 - 1950/51)

O trio sueco foi responsável pela maior conquista da seleção da Suécia: a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1948 em Londres. Foram 4 vitórias em 4 jogos e 22 gols anotados, sendo 7 deles do artilheiro Nordahl, que dividiu a artilharia da competição com o dinamarquês John Hansen, um dos atacantes da Juventus, futuro rival do trio no futebol italiano. Os suecos venceram em sua jornada, Áustria (3x0), Coréia do Sul (12x0), Dinamarca (4x2) e Iugoslávia (3x1). 

Depois da conquista, Nordahl acertou sua ida para o Milan, deixando sua equipe de terra natal, o IFK Norrköping, onde atuava ao lado de Liedholm, que também acertaria com o gigante italiano por influências de artilheiro na temporada 1949/50. Outro grande nome da seleção Sueca foi Gren, que atuava pelo IFK Göteborg, mas devido ao entrosamento nas Olimpíadas com a dupla recém-contratada pelos milaneses, também se juntou ao elenco naquela temporada. Os italianos fizeram bom proveito da safra sueca, com outros grandes nomes da época como Sune Andersson atuando pela Roma, e Nacka Sköglund pela Internazionale.

Na época, jogadores que atuavam fora de sua terra natal não podiam mais jogar pela Seleção, com o trio sendo um grande desfalque na Copa do Mundo de 1950 no Brasil. Apesar do vice-campeonato em 1948, com 16 pontos atrás da Juventus (na época a vitória valia apenas 2 pontos) e 76 gols marcados em 40 jogos, o Milan vivia um jejum gigante, vencendo os títulos italianos de 1901, 1906 e 1907, e desde essa época não conseguia se firmar na elite do futebol bicampeão do mundo. 

Na primeira temporada com o trio, os milaneses foram novamente vice-campeões atrás da Juventus, mas com incríveis 118 gols em 38 jogos, com destaques para as goleadas de 9x1 no Bari (sem Nordahl), 7x1 na Juventus, 7x1 no Pro Patria, 7x0 no Torino e 6x2 na Roma, com Nordahl conquistando a artilharia com 35 gols. Gren e Liedholm também foram fundamentais no ataque, com 18 gols cada um, além de Renzo Burini, outro eficiente atacante, que anotou 22 gols, atrás apenas de Nordahl. 

O grande ano do trio foi na temporada 1950/51, com a conquista do Scudetto depois de quase 45 anos de espera, conquistando 26 vitórias, 8 empates e 4 derrotas, à frente da rival local, a Internazionale, que acabou com o vice um ponto atrás do Milan, também dividindo o posto de melhor ataque da temporada, com 107 gols. O Milan continuou sendo o terror dos adversários, aplicando novas goleadas, 6x2 na Udinese, 9x2 no Novara, 7x4 no Atalanta, 9x0 no Palermo e 7x2 no Como, com mais uma artilharia de Nordahl, com 34 gols. 

Depois da conquista do título, o Milan ainda conseguiria o vice-campeonato em 1951/52 e o terceiro lugar em 1952/53, com Nordahl ganhando mais uma vez a artilharia, com 27 gols, mas sendo esse o último ano do trio sueco jogando junto em Milão. 

Gren foi o primeiro a deixar o time em 1953, indo para a Fiorentina. Nordahl conquistaria mais um Scudetto, em 1955 e mais uma artilharia, anotando mais 27 gols em 34 jogos, mas também deixaria o clube para outro rival italiano em 1956/57, a Roma. Gunnar deixou o Milan com 225 gols anotados em 291, uma excelente marca para o forte futebol defensivo da Itália. Liedholm permaneceu no Milan até a temporada 1960/61, onde se aposentou no término daquele ano, conquistando dos títulos do Campeonato Italiano de 1957 e 1959, além de participar do vice-campeonato da Champions League na temporada 1957/58, vencido pelo Real Madrid na prorrogação por 3x2.

John Charles, Omar Sívori e Giampiero Boniperti (Juventus 1957/58 - 1959/60)

Depois do título da temporada 1951/52, já com o jovem Boniperti, que seria um dos maiores nomes do clube, o clube vinha de um período de transição, mas em um período decadente. A Vecchia Signora havia ficado apenas na 9ª colocação em 1957, com 54 gols em 34 jogos, mas tudo mudaria depois da contratação de dois jogadores para o ano seguinte: o galês John Charles, principal nome do Leeds United, com ótima finalização e porte físico, além do baixinho argentino Omar Sívori, que veio do River Plate, e foi o melhor jogador argentino dos anos 60.

Na temporada 1957/58, o time seria campeão, conquistando 23 vitórias e 6 derrotas em 34 jogos, com Boniperti, Sívori e Charles formando um grande trio ofensivo. A equipe foi o melhor ataque do campeonato com 77 gols, e John Charles sendo o artilheiro, com 28 deles, e Sívori anotando 22, com grande parte deles saindo dos pés de Boniperti. Com o título, a equipe se tornaria a primeira a utilizar a estrela dourada em seu uniforme, que simboliza a conquista de 10 títulos nacionais. Na Copa da Itália, apesar de não conquistarem o título, anotaram 22 gols em 9 jogos, mostrando uma grande eficiência ofensiva. 

Em 1959, a equipe ganhou o direito de disputar a Liga dos Campeões, e na primeira rodada venceu em casa por 3x1 o Wiener SC (Áustria) com 3 gols de Sívori, mas o jogo da volta foi um verdadeiro desastre, com a Juve perdendo por inacreditáveis 7x0, mesmo jogando com o seu trio de ataque, sendo eliminada precocemente. A equipe também não conseguiu ir tão bem no Campeonato Italiano, sentindo bastante a derrota na Champions, terminando em 4º lugar. Como consolação, a equipe conquistou a Copa da Itália, o que não acontecia desde a temporada 1941/42, vencendo o Alessandria (6x2 na prorrogação, com 3 gols de Sívori e 3 de John Charles), Fiorentina (3x1), Genoa (3x1) e Internazionale (4x1).

Na temporada 1959/60, sem participar da Champions, o time de Turim se dedicou aos campeonatos locais, vencendo mais uma vez o Campeonato Italiano, com 25 vitórias, 5 empates e 4 derrotas, e também com o melhor ataque, anotando 92 gols, com Sívori na artilharia, com 28 gols, e John Charles com 23. A Juve também conquistaria a Copa da Itália, dessa vez com um caminho mais árduo, passando por Sampdoria (5x4 na prorrogação),  Atalanta (2x2 e vitória na decisão por pênaltis 7x6), Lazio (3x0) e Fiorentina (3x2 na prorrogação), fazendo a dobradinha e podendo mais uma vez disputar a Liga dos Campeões.

A temporada 1960/61 seria a última do trio, e o eficiente ataque garantiu mais um scudetto, com 22 vitórias, 5 empates e 7 derrotas, novamente sendo o melhor ataque, com 80 gols. Sívori anotou 25 gols e John Charles 15, mas dessa vez sem nenhum dos dois como artilheiro. Apesar do domínio no futebol italiano, a Vecchia Signora não conseguia se colocar entre os melhores do continente. Os italianos venceram o CSKA Sofia em casa por 2x0, mas no jogo da volta, nova desclassificação precoce com os búlgaros vencendo por 4x1. 

Boniperti anunciaria sua aposentadoria no final da temporada, e depois da saída do craque a Juventus ficaria apenas no 13º lugar no Italiano, porém, na Champions conseguiria passar da primeira fase, eliminando o Panathinaikos (1x1 fora e 2x1 em casa) e o Partizan (2x1 fora e 5x0 em casa) antes de ser eliminada pelo Real Madrid nas quartas de final, em um jogo desempate por 3x1, depois de cada equipe vencer fora de casa por 1x0.

Em 1963, John Charles retornaria para o Leeds United, e depois jogaria pela Roma até o término da temporada. Depois disso assinaria com o Cardiff City, onde permaneceria até se aposentar. Sívori seguiria na equipe até 1965, conquistando mais uma Copa da Itália em seu último ano no clube, e depois indo para o Napoli, onde encerraria sua carreira. A Juve demoraria mais duas décadas até formar um time tão encantador quanto esse, com nomes em seu plantel como Platini, Scirea, Gentile, Cabrini, Tardelli, Boniek, Paolo Rossi e Michael Laudrup, dessa vez conseguindo conquistar a Europa além da Itália.

Kenny Dalglish, Ian Rush e Graeme Souness (Liverpool 1981/82 - 1983/84)

Depois da chegada do técnico Bob Paisley ao time principal em 1975, o Liverpool se tornou uma das elites do futebol. Com um ótimo elenco, com jogadores importantíssimos de sua história como Kevin Keegan, Ray Clemence, Phil Neal, Alan Hansen, Terry McDermott, Ronnie Whelan e Phil Thompson, sendo esse o período mais vitorioso dos "Reds", onde conquistou o Campeonato Inglês 4 vezes (1976, 1977, 1979, 1980), uma vez a Recopa Europeia (1976), a Liga dos Campeões por 3 vezes (1977, 1978 e 1981), e uma vez a Supercopa Europeia (1977).

A dupla escocesa Kenny Dalglish e Graeme Souness já faziam parte da equipe nos anos anteriores, sendo cruciais em grande parte das conquistas, mas um jovem galês chegava do modesto Chester City para fazer história em um dos principais times da Inglaterra. Apesar de já integrar o time campeão da Champions de 1981, Ian Rush pouco atuou pela equipe, sendo mais utilizado como um reserva de luxo.

Apesar de ser o atual campeão do principal torneio continental, a equipe não foi bem na competição, eliminando o OPS da Finlândia (1x0 fora e 7x0 em casa) sem dificuldades na primeira rodada, mas sofrendo bastante para passar pelo AZ Alkmaar nas oitavas, empatando na Holanda por 2x2 e vencendo por 3x2 no jogo de volta. Nas quartas-de-final, os "Reds" venceram o CSKA Sofia, base da seleção búlgara, por 1x0 no primeiro jogo, mas perderam o jogo de volta por 2x0, sendo eliminados apesar de todo o favoritismo.

Mesmo com a desclassificação inesperada, o Liverpool manteve o foco e conquistou mais um título do Campeonato Inglês, com 26 vitórias e 7 derrotas em 42 jogos, sendo também o melhor ataque com 80 gols, com 30 gols da dupla de ataque, Rush (17) e Dalglish (13), que mostravam um ótimo entrosamento.

Na temporada 1982/83 os "Reds" tiveram vida fácil nas duas primeiras rodadas, vencendo o Dundalk da Irlanda (4x1 fora e 1x0 em casa) e o HJK da Finlândia (derrota por 1x0 fora e vitória por 5x0 em casa) sem surpresas. Mas novamente nas quartas-de-final o time foi surpreendido, dessa vez pelo Widzew Lodz da Polônia, que venceu o primeiro jogo em casa por 2x0. Na volta, os ingleses abriram 1x0, mas tomaram a virada logo no começo do segundo tempo. A equipe lutou até o final, virando o jogo para 3x2, mas sendo novamente eliminada por uma equipe sem tradição.

O cenário do ano anterior havia se repetido, com os "Reds" vencendo mais um Campeonato Inglês, com 24 vitórias e 8 derrotas em 42 jogos, com a melhor defesa (37) e o melhor ataque (87) do torneio, com 24 gols de Rush, 18 de Dalglish e 9 de Souness, que apesar de ser um volante de marcação e muito vigor físico, também aparecia muito bem no ataque.

Apesar da saída do técnico Paisley, substituído por Joe Fagan, a temporada 1983/84 foi uma das mais vitoriosas daquele time, que conquistou a Copa da Liga contra o Everton, por 1x0 em jogo desempate. Também ergueria mais uma vez a Taça da Liga Inglesa, dessa vez com 80 pontos, sendo 22 vitórias e 14 empates em 42 jogos, e também com a melhor defesa (32), liderados por Ian Rush, que foi artilheiro com 32 gols e o grande nome da equipe na competição. Na Liga dos Campeões o time teve vida fácil na primeira rodada, contra o Odense BK (Dinamarca) vencendo por 1x0 fora e 5x0 em casa. Nas oitavas, teve duro confronto contra o Bilbao (bicampeão espanhol em 1983 e 1984), empatando em casa por 0x0 e vencendo por 1x0 fora com gol de Ian Rush. Nas quartas, enfrentaram o Benfica, também vencendo com facilidade (1x0 fora e 4x1 em casa) e depois o Dínamo Bucareste, também vencendo os dois jogos (1x0 em casa e 2x1 na Romênia), chegando em mais uma final do torneio continental.

O adversário era a Roma, que tinha como maiores destaques os brasileiros Falcão e Toninho Cerezo, além de Bruno Conti, Francesco Graziani e Roberto Pruzzo, treinados pelo sueco Liedholm. O jogo foi bem truncado, com poucas chances para os dois lados, com o placar terminando em 1x1 no tempo normal e também na prorrogação. Nos pênaltis, os ingleses começaram atrás, depois de Nicol errar a primeira cobrança. Mas depois disso os italianos só acertaram 1 das 3 seguintes, e o Liverpool ao fazer 4x2 confirmou mais um título europeu, consagrando ainda mais o período de ouro da equipe, sendo o 4º título continental dos "Reds".

Depois da conquista, a equipe ainda se manteve na elite do futebol inglês chegando também na final da Champions em 1985, mas sendo vice-campeão para a Juventus de Platini, Boniek, Paolo Rossi e companhia, em jogo que ficou marcado pelo triste evento conhecido como a "Tragédia de Heysel Park".