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(por Vinícius Freitas)
 

Confira a segunda parte da nossa série sobre os melhroes trios da história do futebol europeu.

Lionel Messi, Andrés Iniesta e Xavi Hernández (Barcelona 08/09 - 11/12)

Depois da fantástica passagem de Ronaldinho Gaúcho pelo Barcelona, conquistando o segundo título da Liga dos Campeões do time, a equipe catalã caiu de rendimento e não conseguiu mais apresentar o bom futebol de antes. Tudo mudaria com a chegada do ídolo Pep Guardiola, que dominou a Espanha e a Europa com o estilo tiki-taka, focado na troca de passes curtos e a movimentação inteligente de seus jogadores, que contou com passagens de estrelas como Thierry Henry, Samuel Eto'o, Zlatan Ibrahimovic, Daniel Alves, Carles Puyol e David Villa. 

Liderados por Lionel Messi no ataque e uma das melhores duplas de meias de todos os tempos, formada por Xavi e Iniesta, o Barcelona massacrou quase todos os seus adversários nesse período depois de adotar com maestria o estilo de jogo implantado por Guardiola. A equipe venceu com sobras o Campeonato Espanhol de 08/09, com 27 vitórias e 5 derrotas em 38 jogos, além de 105 gols anotados, com vitórias marcantes na temporada como o 6-1 contra o Atlético de Madrid, 4-0 contra o Sevilla e 6-2 contra o arquirrival Real Madrid, fora de casa. Na UCL o time não teve dificuldades na primeira fase, terminando na primeira posição do grupo. Passou por Lyon (1-1 fora e  5-2 em casa) e Bayern (4-0 em casa e 1-1 fora) antes do adversário mais difícil da temporada. A semifinal contra a forte defesa do Chelsea foi complicadíssima, pois os espanhóis não conseguiram furar a defesa inglesa e empataram o primeiro jogo por 0-0 em casa. Na volta, Essien abre o placar logo aos 9', com um golaço de fora da área, complicando a vida do time catalão. O Chelsea desperdiçava várias oportunidades de aumentar o placar, e o Barcelona, sem Puyol e Thierry Henry, suspensos por receber o terceiro cartão amarelo, estava apático, sem demonstrar reação. Abidal foi expulso aos 66' ainda, e se não fosse a atuação lamentável do juiz, que deixou de marcar vários pênaltis para os ingleses, o Chelsea teria se classificado. Iniesta, que não tem nada a ver com isso, recebeu passe livre de Messi na entrada da área e acertou um chute magnífico de 3 dedos para empatar a partida e garantir a classificação dos espanhóis para mais uma final de Champions. Mesmo jogando contra o atual campeão do torneio, o Manchester United de Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney, Nemanja Vidic, Rio Ferdinand e Van der Sar, a equipe dominou o jogo e venceu por 2-0 (um de Eto'o e outro de Messi, de cabeça, artilheiro do torneio com 9 gols no total), conquistando a terceira taça da competição para o time. No mesmo ano a equipe também conquistaria a Copa do Rei da Espanha (que não acontecia desde 97/98), vencendo por 4-1 o Athletic Bilbao na final. 

No Mundial de Clubes, sofreu para vencer o esforçado time do Estudiantes na final, com empate no final do jogo e vitória na prorrogação, conquistando também seu primeiro título da competição. Em 09/10, o craque sueco Zlatan Ibrahimovic chegava a equipe, em troca envolvendo Samuel Eto'o que ia para a Inter de Milão. O Barça conquistou mais um título espanhol, sendo ainda mais dominante do que no ano anterior, com 31 vitórias e apenas uma (!) derrota (para o Atlético de Madrid por 2-1 fora de casa), com 98 gols marcados, 24 gols sofridos (melhor defesa) e com Messi artilheiro, com 34 tentos. Na Liga dos Campeões, terminou em primeiro de seu grupo mais uma vez, vencendo o confronto direto contra a Inter de Milão, empatando na Itália por 0-0 e vencendo na Espanha por 2-0. Nas oitavas e quartas de final passou sem grandes dificuldades por Stuttgart (1-1 fora e 4-0 na Espanha) e Arsenal (2-2 fora e 4-1 na Espanha), respectivamente. Na semifinal, novamente a Inter de Milão pelo caminho, e apesar de abrir o placar na Itália, a equipe tomou a virada por 3-1. Na volta, mesmo com a expulsão de Thiago Motta, a equipe não conseguiu reverter a derrota do primeiro jogo, vencendo apenas por 1-0 e sendo eliminada do torneio. Apesar da derrota na Liga dos Campeões, o Barcelona teve seus três principais jogadores indicados para o prêmio de melhor do mundo na temporada, com Messi em 1º lugar, Iniesta em 2º e Xavi em 3º na votação (ambos campeões com a Espanha atuando como titulares na Copa do Mundo de 2010 e nas Euros de 2008 e 2012), um feito inédito na história do esporte. 

Em 10/11, já sem Ibrahimovic, que deixou a equipe depois de desentendimentos com o técnico Guardiola, a equipe contava agora com David Villa, que vinha do Valencia. Os catalães dominaram mais uma vez o Campeonato Nacional, conquistando o tricampeonato seguido, com 30 vitórias e apenas 2 derrotas, sofrendo apenas 21 gols (melhor defesa) e com 98 gols marcados, com vitórias acachapantes, como 5-0 sobre o Sevilla, 8-0 no Almería e 5-0 no Real Madrid. Terminaria mais uma vez na liderança de seu grupo na Liga dos Campeões. Eliminou Arsenal (derrota por 2-1 na Inglaterra, e vitória por 3-1 em casa), e Shaktar Donetsk (5-1 em casa e 1-0 fora). Nas semifinais enfrentaria o Real Madrid, que nos últimos anos tinha sido freguês dos catalães, mas uma eliminação na Champions levantaria a moral do time. O primeiro jogo no Bernabéu foi bastante tenso, sem muitas chances de gol. Pepe foi expulso aos 60', complicando a situação dos merengues, depois de entrada dura em Daniel Alves. Messi brilhou nos minutos finais do jogo, anotando os dois gols da vitória do Barça, o segundo, um golaço, driblando vários jogadores adversários antes de tocar para o gol, dando um grande passo para mais uma final da competição. O Real teve um gol anulado erroneamente no começo do segundo tempo, tornando o clima da partida ainda mais tenso. Pouco tempo depois os anfitriões abriram o placar, aumentando para 3-0 o agregado. O Real ainda chegou ao empate, mas não foi o suficiente para conseguir avançar, e o Barcelona ia para mais uma final de UCL. Novamente o título de melhor da Europa ficava entre Barcelona e Manchester United, e apesar do primeiro tempo equilibrado, que terminou em 1-1, os espanhóis dominaram a partida e venceram por 3-1, conquistando seu quarto título e com Messi mais uma vez artilheiro, agora com 12 gols. 

No Mundial de Clubes, os catalães passearam em campo (como esperado), e na final venceram o Santos por 4-0, nitidamente pegando leve no segundo tempo, sem visar aumentar o placar.

Em 11/12 a equipe não conseguiria o sucesso dos anos anteriores conquistando apenas a Copa do Rei e o vice no Campeonato Espanhol, que contou com artilharia de Messi anotando incríveis 50 gols, e Cristiano Ronaldo logo atrás com 46. Na Liga dos Campeões passaram com sobras na primeira fase e nas oitavas de final, vencendo o Bayer Leverkusen por 3-1 na Alemanha e por 7-1 na Espanha (com 5 gols de Messi). Nas quartas enfrentaram o Milan, empatando sem gols fora e vencendo por 3-1 em casa. Nas semifinais teriam pela frente o Chelsea, que dessa vez se vingaria da eliminação de 08/09, vencendo em casa por 1-0, e empatando por 2-2 na Espanha, com John Terry sendo expulso no primeiro tempo e Messi errando cobrança de pênalti na segunda etapa. 

Depois disso, o técnico Guardiola deixou a equipe, e junto com ele o estilo tiki-taka, que foi tão eficiente no time. Nesse período a equipe ainda conquistou o tri da Supercopa da Espanha (08/09, 09/10 e 10/11), e foi bicampeã da Supercopa da UEFA (08/09 e 09/11)

 

Thierry Henry, Dennis Bergkamp e Robert Pires (Arsenal 01/02 - 03/04)

A história da tradicional do Arsenal começaria a mudar depois da chegada do técnico francês Arsène Wenger, na temporada 96/97, que além do padrão tático, traria também o fator competitivo como uma de suas características, na sua longínqua passagem pelo clube, que perdurou até a temporada 17/18. O Arsenal conquistou a Premier League em 97/98 e depois disso se manteve como um dos melhores times do país até meados dos anos 2000. Porém, o auge da equipe foi no começo da década, depois da contratação da dupla francesa, Thierry Henry, jovem craque que vinha da Juventus, e Robert Pirès, deixando o Olympique de Marseille, formando um dos maiores trios do futebol inglês junto com o holandês Dennis Bergkamp, outro atacante muito técnico e habilidoso. 

Com um futebol muito vistoso e empolgante, o Arsenal dominou a Terra da Rainha, conquistando mais um título da Premier League, ficando 7 pontos à frente do vice campeão Liverpool, com uma campanha de 26 vitórias, 9 empates e apenas 3 derrotas, com 79 gols marcados e Henry sendo o artilheiro da competição com 24 gols, mesmo com a ausência de Pirès, que se lesionou e desfalcou a equipe nos últimos jogos da temporada. O time ainda venceria o clássico contra o Chelsea na final da Copa da Inglaterra por 2-0, trazendo mais um caneco para casa e confirmando sua hegemonia local. 

Na Liga dos Campeões a equipe ficou no segundo lugar da primeira fase de grupos, atrás do Panathinaikos, mas ficando à frente de Schalke 04 e Mallorca. O sucesso que o time obteve em sua terra natal não foi o mesmo atuando pelo resto do continente, sendo eliminado na segunda fase de grupos junto com a Juventus, ficando atrás de Bayer Leverkusen (vice-campeão naquele ano) e Deportivo La Coruña. Na temporada 02/03 conquistaram a Supercopa da Inglaterra sobre o Liverpool, vencendo por 1-0, e mais uma Copa da Inglaterra, se mantendo na elite do futebol inglês. Apesar de terminar como o melhor ataque da Premier League, com 85 gols, não conseguiram tirar o título do Manchester United, que terminou com 5 pontos de vantagem sobre o Arsenal, que perdeu para o Leeds United em casa por 3-2 na penúltima rodada, dando adeus ao título depois desse jogo. Na UCL a equipe passou pela primeira fase de grupos na liderança, deixando para trás Borussia Dortmund, Auxerre e PSV, porém, mais uma vez seria eliminada na segunda fase de grupos, decepcionando seus torcedores, que tinham grandes expectativas de boas campanhas no torneio continental. Dessa vez o time seria eliminado junto com a Roma, ficando atrás de Ajax e Valência, encerrando o ano com dois títulos de menor expressão, o que não era muita coisa para um time com um elenco tão qualificado como o Arsenal daquela época. 

Os Gunners, apesar da temporada discreta, compensaram a falta de títulos com um feito histórico em 03/04. O time londrino foi campeão da Premier League novamente, dessa vez com 11 pontos de frente para o segundo colocado, o Chelsea, com 26 vitórias e 12 empates, sendo o único clube até hoje a vencer de forma invicta a competição no formato de 38 rodadas, e com Henry sendo mais uma vez artilheiro, dessa vez com 30 tentos anotados. A equipe alcançaria uma sequência de 49 jogos de invencibilidade na competição, recorde que se mantém até hoje. 

Diferente dos anos anteriores, o Arsenal foi o primeiro colocado de seu grupo na Champions. Depois de derrota em casa por 3-0 para a Internazionale, empate por 0-0 contra o Lokomotiv Moscou na Rússia e derrota por 2-1 para o Dínamo de Kiev na Ucrânia, parecia que a história iria se repetir e o time londrino seria eliminado novamente na primeira fase, pois era o último colocado com 1 ponto em 3 rodadas. A equipe venceu o Dínamo de Kiev por 1-0 em casa, se vingou da Internazionale na Itália por 5-1, e superou o Lokomotiv por 2-0 em Londres, mostrando uma incrível recuperação. Nas oitavas passaram sem dificuldades pelo Celta de Vigo, vencendo por 3-2 na Espanha e 2-0 em casa. Nas quartas de final teria um clássico com o Chelsea, que na temporada não tinha um retrospecto nada favorável contra os gunners, não conseguindo nenhuma vitória até aquele momento. O Chelsea saiu na frente no comecinho do segundo tempo, mas Pirès empatou e determinou o placar em 1-1, com Desailly expulso no final da partida, com uma pequena vantagem para o Arsenal, que jogava fora de casa, apesar das duas equipes serem da capital inglesa. Na segunda partida o Arsenal fez 1-0 nos acréscimos do primeiro tempo, com um cenário totalmente favorável, mas o Chelsea empatou, e aos 87' virou a partida, frustrando mais uma vez a fanática torcida do Arsenal.

Apesar de não ter conquistado o tão sonhado título da Champions, amargando pouco tempo depois o vice campeonato contra o Barcelona em 05/06, a equipe depois do título invicto nunca mais conquistou um campeonato de expressão, nem conseguiu montar uma equipe tão competitiva, contando com o trio Henry, Bergkamp e Pirès, além de outros grandes nomes como Patrick Vieira, Fredrik Ljungberg, Ashley Cole, Sol Campbell, Gilberto Silva, Ray Parlour, Martin Keown, e os goleiros David Seaman e Jens Lehmann
 

Michel Platini, Zbigniew Boniek e Paolo Rossi (Juventus 82/83 - 84/85)

Apesar da boa fase da equipe depois da chegada do técnico Giovanni Trapattoni, na temporada 76/77, que conquistou 1 Copa da Itália (78/79) e 4 Campeonatos Italianos (76/77, 77/78, 80/81 e 81/82), os torcedores da Vecchia Signora teriam um futuro ainda mais incrível do que esperavam depois da chegada de uma das grandes estrelas da Copa do Mundo de 1982, o meia Michel Platini, um dos grandes responsáveis pelo ressurgimento da Seleção Francesa no futebol mundial, formando um trio com os também recém-chegados Paolo Rossi (artilheiro da Copa de 1982 e campeão com a Itália) e o polonês Zbigniew Boniek (considerado o melhor jogador de seu país na história). A falta de entrosamento não foi um problema para o trio, que logo na sua primeira temporada juntos, em 82/83, conquistaram mais uma Copa da Itália e terminaram como vice-campeãos italianos, alcançando o melhor ataque (49 gols em 30 jogos) e com Platini artilheiro da competição, com 16 tentos. 

Na Liga dos Campeões a equipe passou tranquilamente por Hvidovre (vitória por 4-1 na Dinamarca e empate por 3-3 na Itália), Standard Liège (1-1 na Bélgica e 2-0 na Itália) e o atual campeão do torneio, o Aston Villa (vitória por 2-1 na Inglaterra e 3-1 na Itália). Nas semifinais teriam pela frente o Widzew Lodz, ex-equipe de Boniek, que havia eliminado equipes tradicionais da época, como o Rapid Viena e o Liverpool (campeão do torneio em 80/81), mas depois de boa vitória por 2-0 jogando em casa, a equipe foi jogar sem pressão na Polônia, conseguindo empate por 2-2 e chegando em sua segunda final de UCL na história depois de 10 anos (foi vice para o Ajax em 72/73). Eram favoritos na final contra o Hamburgo, da Alemanha, que apesar dos importantes nomes da Seleção Alemã na época, como Manfred Kaltz, Ditmar Jakobs, Horst Hrubesch e o craque do time, Felix Magath, não tinha tradição e vivia um de seus melhores momentos na história. Os alemães abriram o placar aos 9', com um golaço de Magath de fora da área, e mesmo jogando no contra-ataque, tinham as melhores chances da partida. A Juve não conseguia impor seu jogo, demonstrando que tinha sentido o gol, forçando muitos cruzamentos na área. O Hamburgo conseguiu segurar os italianos e conquistou seu primeiro (e único) título da competição, frustrando os torcedores e sendo uma das maiores zebras da história do torneio. 

Apesar dos dois vice-campeonatos, Platini conquistou pela primeira vez em sua carreira o prêmio de melhor jogador da temporada (Bola de Ouro), em um ótimo ano de estreia pela tradicional equipe de Turim. 

Em 83/84 a Vecchia Signora conquistou mais um título do Campeonato Italiano, dessa vez com 17 vitórias e 4 derrotas em 30 jogos, e mais uma vez como melhor ataque (57 gols) e com Platini artilheiro, com 20 tentos anotados. Na época apenas o campeão nacional participava da Liga dos Campeões, com a Roma representando os italianos. A Juventus disputou a Recopa Europeia (extinta depois da temporada 98/99 e atual Liga Europa), passando sem dificuldades pela equipe polonesa do Lechia Gdansk (7-0 em casa e 3-2 fora), depois pelo PSG em um duelo muito disputado, (2-2 na França e 0-0 na Itália, se classificando pelos gols feitos fora), vencendo os dois jogos contra o surpreendente time finlandês do Haka FC por 1-0 e eliminando o Manchester United (1-1 na Inglaterra e 2-1 na Itália) nas semifinais. Nas finais fez um duelo muito equilibrado contra a competitiva equipe do Porto, conseguindo a vitória por 2-1 e conquistando mais um título na temporada, o primeiro da equipe na competição. 

Platini terminava mais uma vez com o prêmio da Bola de Ouro, confirmando a importância e protagonismo do francês na sólida equipe italiana, que contava com outros grandes nomes, entre eles Gaetano Scirea, Antonio Cabrini e Marco Tardelli. 

A temporada 84/85 já começou com a conquista de outro título, a Supercopa da Europa, vencendo o atual campeão da Liga dos Campeões, o Liverpool, com autoridade, contando com dois gols de Boniek, um bom presságio. Focado na conquista de sua primeira UCL, a Juve terminou apenas no quinto lugar do Campeonato Italiano, mas com Platini na artilharia pela terceira vez consecutiva, dessa vez com 18 gols. Os italianos começaram muito bem na UCL, eliminando o Ilves Tampere (4-0 na Finlândia e 2-1 em casa), o Grasshoppers (2-0 na Itália e 4-2 na Suiça) e o Sparta Praga (3-0 em casa e derrota por 1-0 na Tchecoslováquia). Nas semifinais teriam o Bordeaux pela frente, que tinha uma boa parte da base francesa da última Copa do Mundo, entre eles Battiston, Tigana, Giresse e Lacombe, além do meia português Chalana e o atacante Dieter Müller. A Juventus fez valer o apoio da torcida, vencendo por 3-0 a primeira partida, dominando o embate. Mas na volta, os franceses também tiveram boa atuação e venceram por 2-0, mas o placar não foi o suficiente para avançarem para a grande final do torneio. A final seria contra o Liverpool, que já havia perdido um título para a Juventus na temporada. Apesar da grande expectativa para o duelo, o jogo foi muito tenso e com poucas chances de gol, com a Juventus vencendo por 1-0, em um pênalti anotado por Platini (que terminaria como um dos artilheiros da competição, com 7 gols) assinalado erroneamente, depois de jogada em velocidade de Boniek, que sofreu falta fora da área. Os italianos seguraram o placar e conquistaram seu primeiro título, que não chegou nem a ser comemorado, por conta de um dos maiores desastres da história do futebol, conhecido como a "Tragédia de Heysel”. 

O jogo aconteceu em Bruxelas, na Bélgica, no estádio Heysel Park, e tudo aconteceu depois de uma investida da torcida organizada inglesa sobre os italianos em uma determinada parte da arquibancada, com as grades de segurança quebradas pelos ingleses, que utilizaram as mesmas como armas, para agredir a torcida rival, forçando um grande número de torcedores a se aglomerar na tentativa de fuga, causando a queda de uma parte do muro e levando alguns torcedores italianos juntos. Foram contabilizadas 39 mortes e cerca de 600 pessoas feridas, com os clubes ingleses sendo punidos com 5 anos de exclusão dos campeonatos da UEFA. A “Velha Senhora” teve mais uma disputa muito acirrada no Torneio Intercontinental contra o Argentinos Juniors, empatando por 2-2 no tempo normal (com 1 golaço de Platini anulado erroneamente). O goleiro Tacconi brilhou nas cobranças de pênalti, defendendo duas delas e fechando o placar em 4-2 para os italianos, que conquistavam seu primeiro título Mundial. 

Apesar da mancha extra-campo ocorrida no título continental dos italianos, a equipe viveu uma de suas eras mais vitoriosas, com Michel Platini terminando a temporada com sua terceira Bola de Ouro seguida e considerado o maior jogador da história da equipe, que teve sua fase dourada na era mais competitiva do futebol italiano e se consolidou como uma das equipes mais vitoriosas de sua época e também como uma das melhores defesas.
 

Valentino Mazzola, Ezio Loik e Guglielmo Gabetto (Torino 45/46 - 48/49)

Apesar do futebol italiano ser conhecido como uma das melhores escolas de zagueiros e goleiros, o Torino teve uma equipe totalmente ofensiva, que provavelmente manteria a seleção entre as melhores do planeta após a conquista do bicampeonato Mundial, em 1934 e 1938. 

Liderado por  um dos maiores jogadores italianos de todos os tempos, o meia Valentino Mazzola (pai de Sandro Mazzola, um dos maiores jogadores da história da Inter de Milão), Ezio Loik, outro habilidoso meia e principal parceiro de Mazzola, e o matador Gabetto, o segundo time de Turim (cidade também da Juventus), botava medo nos seus adversários por conta de seu forte poder ofensivo e preparo tático. Vale ressaltar que a base da equipe havia conquistado o Campeonato Italiano de 42/43 e provavelmente só não emendou uma sequência de 7 títulos por conta do cancelamento do torneio em 43/44 e 44/45, devido a Segunda Guerra Mundial. 

Antes da geração de ouro, o time só havia conquistado duas taças: o Campeonato Italiano em 27/28, e uma Copa da Itália em 35/36. Em 45/46, a equipe conquistou o bicampeonato consecutivo, com 30 vitórias e 7 derrotas em 40 jogos disputados, em uma competição semelhante a Copa João Havelange, que ocorreu no Brasil em 2000, com times das séries B e C na fase final. 

Em 46/47, agora com os pontos corridos de volta, o clube dominou o campeonato, com 28 vitórias e apenas 3 derrotas, em 38 jogos, deixando sua grande rival, a Juventus, no segundo lugar, com 104 gols anotados e Mazzola sendo o artilheiro, com 29 tentos. A equipe foi apelidada de "Touro Indomável" pela mídia depois do feito, que não pararia por aí. O auge do time foi em 47/48, com o Torino quebrando vários recordes na época, como melhor campanha da história, maior número de vitórias jogando em casa (19 em 20 jogos), menor número de gols sofridos (33), melhor média de gols (3.13), maior goleada (10-0 contra o Alessandria) e também maior goleada jogando fora de casa (7-0 contra a Roma). O time terminou a temporada com 29 vitórias e 4 derrotas em 40 jogos, e com incríveis 125 (!) gols anotados, um marco na história do tradicional Campeonato Italiano, maior campeão mundial da época. 

Em 48/49 a era dourada teria fim, mas não por motivos banais, como envelhecimento ou desmanche do time, mas por uma causa maior. Em uma viagem aérea no dia 04 de maio de 1949, depois de um amistoso contra o Benfica em Portugal, o avião da equipe se chocou com a Basílica de Superga, em Turim, não deixando sobreviventes, em uma das maiores tragédias da história do esporte. A fatalidade levou cerca de 500 mil pessoas ao funeral dos jogadores e da comissão técnica. A equipe liderava mais uma vez o Campeonato Italiano, e mesmo sem o encerramento, foi declarada campeã pela Federação Italiana, alcançando o pentacampeonato. 

Depois disso o time juvenil participou dos quatro jogos restantes, vencendo todos eles. Em um grande gesto de respeito, os quatro rivais do Torino também escalaram seus elencos juvenis.

Touro Indomável  era uma verdadeira seleção, possuindo grandes nomes, além de seu trio principal, como os defensores Aldo Ballarin e Virgilio Maroso, o líbero Mario Rigamonti, e os pontas Romeo Menti e Franco Ossola. Provavelmente seria a base da Seleção Italiana nas Copas de 1942 e 1946 (que também não ocorreram por conta da Segunda Guerra Mundial) e também da Copa de 1950, no Brasil. Mesmo sem disputar torneios continentais como a Liga dos Campeões, é inegável a importância do esquadrão de Turim para a história do futebol, que infelizmente teve sua jornada interrompida por um dos acontecimentos mais melancólicos da história do futebol. 

 

Bobby Charlton, George Best e Dennis Law (Manchester United 64/65 - 67/68)

Depois de um grande time de base formado pelo técnico Matt Busby (que treinou a equipe de 45/46 até a temporada 70/71) nos anos 50, que assim como o Torino dos anos 40, teve um fim trágico por conta de um acidente aéreo, em 1958, o Manchester United conseguiria se reerguer pouco tempo depois, formando um dos ataques mais letais do velho continente. Bobby Charlton, considerado o maior ídolo da história do clube, foi um dos sobreviventes do acidente aéreo de 1958. Na temporada 62/63 o time acertou a vinda do ótimo atacante escocês Denis Law, que, ironicamente, começou a ter notoriedade em sua carreira no outro time da cidade, o Manchester City. No ano seguinte, o ponta norte-irlandês, extremamente habilidoso e driblador, George Best, subia das categorias de base para o time principal, formando um trio letal, posteriormente conhecido como The United Trinity

Os Diabos Vermelhos conquistaram o Campeonato Inglês na temporada 64/65 em um duelo muito equilibrado na tabela contra o Leeds United, terminando a competição com a mesma pontuação, mas com o Manchester United vencendo por conta do saldo de gols, com 89 tentos em 42 jogos. No mesmo ano, o time de Manchester também dividiu o título da Supercopa da Inglaterra com o Liverpool depois de empate em 2-2, com um início de jornada empolgante e promissor. 

Em 65/66, a equipe focou na conquista da Liga dos Campeões, não conquistando nenhum título local. Não tiveram dificuldades para vencer o HJK (3-2 na Finlândia e 6-0 na Inglaterra) e o Vorwärts Berlin (2-0 na Alemanha Oriental e 3-1 em casa) nas primeiras rodadas do torneio. Nas quartas de final teriam pela frente o forte time do Benfica, com nomes de peso, como Eusébio, Mario Coluna e José Augusto. Os ingleses venceram o primeiro jogo em casa por 3-2, vitória magra contra o forte ataque adversário, que tinha anotado 23 gols em 4 jogos antes do confronto com o Manchester. Em Portugal, com uma das melhores apresentações individuais de sua carreira, George Best anotou 2 gols nos primeiros 11 minutos de jogo, deixando os anfitriões desnorteados e sendo o principal responsável pela vitória majestosa de 5-1 sobre o Benfica, mesmo jogando longe de sua terra natal. Os Diabos Vermelhos chegavam com moral para o embate contra a forte equipe iugoslava do Partizan, um dos times base da seleção de seu país. Os iugoslavos venceram em casa por 2-0, abrindo uma boa vantagem, mas depois da vitória esmagadora contra o Benfica, fora de casa, tudo era possível para os fanáticos torcedores ingleses. Apesar do forte arsenal inglês, a equipe não conseguiu reverter o placar, vencendo apenas por 1-0 e ficando de fora das sonhadas finais do campeonato continental daquele ano. 

Na temporada 66/67 o time conquistou novamente o Campeonato Inglês, dessa vez com 4 pontos de vantagem sobre o vice campeão, com 24 vitórias, 12 empates e 6 derrotas, em 42 jogos, com 84 gols anotados e o grande destaque para o trio Charlton, Law e Best, que novamente ganharia o direito de disputar a Liga dos Campeões no ano seguinte para tentar a tão cobiçada taça orelhuda. Os ingleses eliminaram o Hibernians (4-0 em casa e 0-0 em Malta), o FK Sarajevo (0-0 na Iugoslávia e 2-1 em casa) e o Górnik Zabrze (2-0 em casa e derrota por 1-0 na Polônia) antes de enfrentar o campeão da época, o Real Madrid, nas semifinais. A notícia ruim era a lesão no joelho de Denis Law, que atuou apenas nos três primeiros jogos da equipe na competição, desfalcando os ingleses no restante das partidas. Os Diabos Vermelhos venceram o primeiro jogo por 1-0, com gol de George Best. Na Espanha teriam a dura missão de segurar o hexacampeão do torneio. Os merengues abriram 2-0 no primeiro tempo, com total domínio, mas em um lançamento longínquo do meio-campo, o volante Zoco foi afastar a bola e acabou fazendo gol contra, colocando os ingleses no jogo novamente. Apesar do susto, o Real Madrid terminou o primeiro tempo com vitória parcial de 3-1, não dando chances para o Manchester. Os espanhóis dominavam no segundo tempo, mas sem conseguir ampliar a vantagem, e em mais uma falha defensiva, botaram o adversário no jogo novamente, deixando David Sadler livre para marcar o segundo do Manchester depois de uma cabeçada errada de George Best. Os ingleses cresceram no duelo depois do gol, e chegaram ao empate, depois de bela jogada de Best na linha de fundo, tocando para Bill Foulkes, livre, na ponta da pequena área, chutar rasteiro e vencer o goleiro Betancort. O jogo terminou 3-3 e os ingleses chegavam à tão sonhada final, que naquele ano seria disputada no estádio de Wembley, em Londres. Teriam pela frente mais uma vez o Benfica, que queria dar o troco depois dos 5-1 sofrido em casa. O jogo foi parelho e o tempo normal acabou em 1-1, com gols de Bobby Charlton e Jaime Graça. No primeiro tempo da prorrogação, os ingleses emendaram 3 gols seguidos, com George Best, Brian Kidd e Bobby Charlton, fazendo 4-1 e se tornando o primeiro clube inglês a conquistar a Liga dos Campeões, coroando o legado do trio. A equipe ainda foi vice-campeã do Campeonato Inglês, com George Best sendo artilheiro com 28 gols, e dividindo mais uma vez o título da Supercopa da Inglaterra, depois de um empate por 3-3 contra o Tottenham. 

Os Diabos Vermelhos disputaram ainda o Torneio Intercontinental contra o Estudiantes, que havia superado o Palmeiras na final da Libertadores. Na Argentina, em um jogo de muita catimba e malandragem dos hermanos, os anfitriões venceram por 1-0. Na Inglaterra, os argentinos abriram o placar logo no começo do jogo, com o craque do time, Juan Ramón Verón (pai de Juan Sebastián Verón), que tinha o apelido de La Bruja (A Bruxa, em espanhol), por conta das jogadas de técnica e habilidade no meio-campo. Os ingleses não conseguiram furar a forte defesa argentina, e aos poucos iam se irritando com o forte jogo físico adversário e as provocações, que junto com o nervosismo só atrapalhavam os anfitriões. No final do jogo George Best, que era um dos mais esquentados do time, agrediu o zagueiro Hugo Medina, causando a expulsão de ambos. Pouco depois da confusão, o Manchester ainda empatou a partida, aos 89', mas o placar de 1-1 garantiu o título Mundial para os argentinos.

Mesmo com todo o drama vivido pelo clube depois do acidente aéreo de 1958, após uma década apenas, o time se colocava como um dos maiores da Europa, e deixava seu legado como o primeiro clube inglês a conquistar a Liga dos Campeões, e formar um dos maiores trios de todos os tempos, com Bobby Charlton, Denis Law e George Best, que possuem até uma estátua no lendário estádio do Old Trafford, casa dos Diabos Vermelhos. Treinados também por outro grande responsável pela ascensão do clube, o técnico escocês Matt Busby, o United dos anos 60 foi um dos melhores times ingleses de todos os tempos, contando também com outros ótimos jogadores, como Bill Foulkes, Pat Crerand, Nobby Stiles, David Herd e John Aston.

 

Gostou? Caso não tenha lido a primeira parte da série, confira aqui.