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Melhores trios do futebol europeu - Parte 1

21 de agosto de 2021

(por Vinícius Freitas)
 

Depois do acerto de Lionel Messi com o PSG, o time francês se torna um dos mais fortes candidatos ao título da próxima Uefa Champions League, além de causar grandes expectativas e ansiedade para os amantes do esporte, pois teremos um forte trio ofensivo formado por ele, Neymar e Mbappé.

Veja outros grandes trios da história do futebol europeu, que fizeram história tanto pela quantidade de títulos conquistados quanto pelo nível técnico de seus integrantes.
 

Ruud Gullit, Marco Van Basten e Frank Rijkaard: Milan 87/88 - 89/90

O trio holandês foi um dos mais temidos no final dos anos 80, fazendo história tanto pela quantidade de títulos conquistados como pela força tática e futebol vistoso. 

Treinados pelo estrategista Arrigo Sacchi, o Milan dominou a Europa no final da década, conquistando o Campeonato Italiano depois de 9 temporadas em 87/88, em um momento muito competitivo no país, com equipes de alta qualidade como Inter, Juventus, Napoli, Sampdoria, Fiorentina e Roma. O Milan foi campeão com 17 vitórias e apenas duas derrotas nos 30 jogos disputados, sofrendo apenas 14 gols (melhor defesa) e anotando 43 tentos. 

Em 88/89, os rossoneros vinham fortes para a conquista do continente, que não acontecia desde 68/69. E apesar do começo tranquilo na competição, a equipe sofreu bastante na fase final, vencendo nos pênaltis o Estrela Vermelha, que seria campeão europeu em 90/91 nas Oitavas, e depois eliminando o Werder Bremen por 1-0 no agregado, em vitória sofrida diante de sua torcida nas Quartas de Final. 

Nas semifinais teriam o grande teste, o Real Madrid de Sanchíz, Vázquez, Schuster, Michel, Butragueño e Hugo Sánchez, e o começo do confronto não foi nada esperançoso depois de um empate na Itália por 1-1. Mas, os italianos não tomaram conhecimento da forte equipe espanhola e aplicaram uma goleada histórica sobre o Real Madrid por 5-0 no Santiago Bernabéu, impressionando até mesmo o mais otimista torcedor da equipe. Empolgados com o triunfo do jogo anterior, a equipe emendou outra goleada, agora por 4-0 (com dois gols de Gullit e dois gols de Van Basten) sobre o Steaua Bucaresti na final, time que havia sido campeão europeu dois anos antes e contava com boa parte do elenco titular da Seleção da Romênia, entre eles Gheorghe Hagi, Dan Petrescu, Victor Piturca e Marius Lacatus. A equipe conquistou seu terceiro título continental com sobras, ainda com Van Basten sendo artilheiro, com 10 gols em 9 jogos. 

Na temporada 89/90, o Milan era o favorito a conquistar novamente a Europa, mas mesmo com o favoritismo ao seu lado, a equipe teve momentos tensos no torneio. Nas Oitavas de final, novamente encararam o Real Madrid, dessa vez vencendo em casa por 2-0 e perdendo na Espanha por 1-0. 

Nas quartas de final, depois de empate sem gols com o KV Mechelen na Bélgica, os italianos, mesmo jogando em casa, só conseguiram superar a defesa belga na prorrogação, vencendo por 2 a 0. Na semifinal, mais um duelo difícil, agora contra o Bayern Munique. 

Depois de vitória por 1-0 no San Siro, os alemães também venceram pelo placar mínimo, levando mais um embate dos italianos para a prorrogação. O Milan fez 1-1 e praticamente garantiu a classificação, pois os bávaros precisavam de dois gols para avançar. Apesar do cenário difícil, o Bayern ainda fez 2 a 1 nos minutos finais, mas não conseguiu evitar a eliminação. Na final os italianos venceram o Benfica por 1-0, mas apesar do placar magro, a equipe dominou o jogo e não deu chances para o azar, se sagrando bicampeã e conquistando sua quarta taça da competição. Além disso, o time italiano também conquistou a Copa Intercontinental de 88/89 e 89/90, a Supercopa da UEFA de 88/89 e 89/90 e a Supercopa da Itália em 87/88, sendo esse período o auge da história rossoneri até então. 

Apesar do poder ofensivo da equipe ser dominado por Gullit e Van Basten, dois atacantes muito técnicos e de excelente vigor físico, a equipe ainda contava com jogadores como Roberto Donadoni e Daniele Massaro no ataque. Rijkaard era um dos principais volantes do mundo na época, e também tinha grandes companheiros ao seu lado, como Carlo Ancelotti, Paolo Maldini, Franco Baresi e Alessandro Costacurta, sendo um dos maiores esquadrões da história do futebol.
 

Ferenc Puskás, Alfredo Di Stéfano e Paco Gento: Real Madrid 58/59 - 59/60

A equipe foi a mais dominante da história da UCL, sendo a única a conquistar cinco vezes seguida a orelhuda, e o que foi considerado por muitos como o melhor ataque que existiu no futebol, por contar com dois dos melhores atacantes da história, o húngaro Puskás (sim, o prêmio Puskás que existe atualmente é por causa dele), e o argentino Di Stéfano (com ambos se naturalizando espanhóis e também atuando pela Seleção), além do ótima ponta esquerda Gento, rápido, driblador e muito eficiente nas jogadas de linha de fundo, se tornando um dos maiores ídolos do time. Mesmo dominando os primórdios dos torneios continentais da Europa, conquistando o tricampeonato da UCL, os madrilenhos ainda contariam com a chegada de Puskás em 58/59, tornando o plantel que já era ótimo em excelente. Apesar do desfalque de Puskás na final da UCL em 58/59 por conta de lesões, os merengues conquistaram o tetracampeonato sem grandes sustos, com destaque para o 7-1 (com 4 gols de Di Stéfano) contra o Wiener SC nas quartas de final, e o duro confronto na Semifinal contra o arquirrival Atlético de Madrid, que precisou do jogo de desempate (na época não existia a regra de gol fora e o jogo acontecia em campo neutro) para classificar o Real para a sua quarta final consecutiva. Encararam o forte ataque do Stade Reims, time base da Seleção Francesa da Copa do Mundo de 1958, com grande atuação de Gento e Di Stéfano, vencendo por 2-0, conquistando a quarta taça em sequência. 

Na temporada 59/60, a equipe não teve grandes rivais até o confronto das semifinais, que seria outro clássico espanhol, dessa vez contra o Barcelona de Evaristo de Macedo e Sandór Kocsis, ex-companheiro de Puskás na Seleção da Hungria. Apesar da forte rivalidade entre as equipes, o Real Madrid venceu os dois jogos por 3-1, com dois gols de Di Stéfano e um de Puskás fora de casa, e dois gols de Puskás e um de Gento em Madrid. Embalados pela vitória no clássico, os madrilenhos conquistaram o quinto título continental com uma vitória avassaladora de 7-3 sobre o Eintracht Frankfurt, com 3 gols de Di Stéfano e 4 de Puskás, conquistando o quinto título continental, feito que não foi superado até os dias de hoje. 

Além do trio principal, a equipe ainda teve jogadores como José Santamaria, Raymond Kopa, Héctor Rial, Luis Del Sol e José Maria Zarrága, um time que também poderia facilmente ser chamado de "galáctico”.
 

Eusébio, Mario Coluna e José Águas: Benfica 60/61 - 61/62

Depois da hegemonia do Real Madrid, o time que dominou a Europa foi o Benfica, que apesar de ter conquistado "apenas" os títulos da Uefa Champions League de 60/61 e 61/62, chegou em outras três finais na década, 62/63, 64/65 e 67/68. Com um poder ofensivo de altíssimo nível formado por Eusébio (o atacatnte nascido em Moçambique era considerado o melhor centro-avante na Europa nos anos 60, apelidado posteriormente de Pantera Negra), o habilidoso meio-campista Mario Coluna (também nascido em Moçambique) e o exímio cabeceador José Águas, o Benfica surgiu com força total em um país que não tinha tanta tradição no esporte na época e despertou ainda mais o interesse dos portugueses. Treinados pelo ótimo técnico Béla Guttman (que treinou o SPFC em 1958 também), as águias conquistaram em 60/61 o Campeonato Português, com 22 vitórias e duas derrotas em 26 jogos e 92 gols (!), com uma média acima de 3.5 por jogo, mostrando o forte poder ofensivo da equipe. O time tinha problemas burocráticos para incluir Eusébio no seu elenco, mas isso não impediu o Benfica de também conquistar a UCL de 60/61, superando o Barcelona na final de UCL por 3-2, em um jogo bastante aberto (com algumas oportunidades desperdiçadas pelos portugueses, que poderiam ter vencido com um pouco mais de folga) e terminaram a competição como o melhor ataque, anotando 26 gols em 9 jogos, com José Águas sendo artilheiro da competição com 11 gols. 

Em 61/62, agora com Eusébio, os portugueses apesar de não terem conquistado o Campeonato Português, conseguiram seu segundo título continental, vencendo ninguém menos que o tradicional Real Madrid na final por 5-3, com três gols de Puskás pelo lado espanhol e com dois gols do Pantera Negra, um gol de José Águas e um gol de Mario Coluna, além do tento do lateral ambidestro Cavém, outra peça importantíssima da equipe ao lado do ponta-direita José Augusto e do zagueiro Germano. Um fato curioso é que depois da conquista do bicampeonato, o técnico Béla Guttman pediu um aumento, que foi recusado, e após deixar o time, fez a seguinte afirmação: "Nos próximos 100 anos o Benfica não voltará a ser campeão europeu", agouro que perdura até os dias de hoje, quase 60 anos após a maldição proferida pelo ex-técnico.
 

Cristiano Ronaldo, Gareth Bale e Karim Benzema: Real Madrid 13/14 - 17/18

Novamente na história os merengues se mantiveram no topo do velho continente. Apesar de não igualar o feito do time dos anos 50, coincidentemente foi o único que realmente chegou perto da façanha, possuindo um ataque digno de comparação ao dessa época. Com um ataque mortal e muito eficiente, principalmente nas jogadas de contra-ataque, explorando a velocidade de CR7 e Bale, além do poder de finalização de Benzema e uma equipe muito bem estruturada pelo experiente técnico italiano Carlo Ancelotti, o Real Madrid sobrou na competição continental, conquistando 4 títulos em 5 temporadas. 

Na temporada 13/14, a equipe voltava a conquistar a UCL depois de mais de uma década, último título havia sido em 01/02, sem deixar nenhum tipo de dúvida sobre sua superioridade. Com uma campanha cheia de goleadas, entre elas 6-1 sobre o Schalke 04 nas oitavas, 3-0 sobre o Borussia Dortmund nas quartas, 4-0 sobre o Bayern de Munique na semi, e 4-1 sobre o arquirrival Atlético de Madrid na final, na prorrogação, com Sergio Ramos fazendo o gol milagroso no empate em 1 a 1 no tempo normal, os madrilenhos ainda contaram com Cristiano Ronaldo na artilharia com 17(!) gols, e com o melhor ataque da competição, sendo 41 tentos anotados em 13 jogos. 

Apesar de ter passado em branco na temporada seguinte, sendo eliminada pela Juventus nas Semifinais da UCL, a equipe não se abateu e voltou com tudo para a temporada 15/16. Agora com o ídolo Zinedine Zidane como treinador, apesar da campanha não ter sido tão dominante como dois anos antes, o Real sagrou-se campeão em mais um duelo contra o Atlético de Madrid, dessa vez em um embate muito mais sofrido, vencendo o rival nos pênaltis por 5 a 3, porém com mais uma artilharia de Cristiano Ronaldo, dessa vez com 16 gols. 

Na temporada 16/17, diferentemente dos anos anteriores, a equipe acabou em segundo lugar de seu grupo, atrás do Borussia Dortmund, preocupando de certa forma seus torcedores. A equipe eliminou velhos conhecidos, como o Bayern de Munique (que apesar da derrota em casa por 2-1, venceu fora também por 2-1 no tempo normal, mas não conseguiu segurar os anfitriões, tomando 3 gols na prorrogação e sucumbindo por 4 a 2) nas quartas de final, o Atlético de Madrid nas semifinais e a Juventus na final, se vingando da eliminação de 14/15, com o placar de 4 a 1 e mais uma artilharia para CR7, que anotou 12 gols no torneio. 

O começo da Champions de 17/18 foi bem parecido com a temporada anterior, com os madrilenhos mais uma vez terminando no segundo lugar de seu grupo, atrás do Tottenham. Para chegar a mais um título, a equipe passaria novamente por cima de fregueses  rivais recentes, eliminando a Juve nas quartas, os bávaros nas Semifinais, e superando o Liverpool na grande final por 3-1, com dois frangos do goleiro Karius e um golaço de bicicleta de Bale. Só para não perder o costume o português terminaria com mais uma artilharia da competição, com 15 gols. Com o título de 17/18 os merengues alcançaram sua 13ª conquista continental, se isolando no topo dos maiores vencedores. Nesse período a equipe ainda conquistou o Campeonato Espanhol de 16/17, a Supercopa da UEFA de 13/14, 15/16 e 16/17, além do Mundial de Clubes em 13/14, 15/16, 16/17 e 17/18, escrevendo seu nome na história como um dos maiores esquadrões, que além do trio ofensivo, possuía nomes em seu plantel como Sergio Ramos, Toni Kroos, Casemiro, Marcelo e Luka Modric.
 

Johan Cruijff, Johan Neeskens e Ruud Krol: Ajax 69/70 - 72/73

Considerada a equipe que inovou o modelo tático do esporte, o esquadrão holandês base da Seleção vice-campeã do mundo em 1974 aterrorizou os adversários na primeira metade dos anos 70. Comandados pelo lendário técnico Rinus Michels e posteriormente pelo ótimo treinador romeno Stefan Kovács, e liderados por um dos mais habilidosos jogadores da história, Johan Cruijff e uma equipe cheia de jogadores técnicos como o lateral-esquerdo Ruud Krol e o pulmão do time, Johan Neeskens, a equipe colocou o país no cenário do futebol pela primeira vez. 

Na temporada 68/69, o time chegou na final da Liga dos Campeões, mesmo sem jogadores como Krol e Neeskens, que formariam a espinha dorsal do Ajax, e mesmo com a derrota por 4-1 para o Milan, a campanha teve vitórias notáveis contra o Benfica de Eusébio e o Nurenberg (atual campeão alemão). 

O Ajax depois da chegada de Krol e Neeskens sobrava em seu país, vencendo o Campeonato Nacional de 69/70 com 27 vitórias e apenas uma derrota em 34 jogos, com 100 gols marcados, deixando o Feyenoord atual campeão europeu) para trás. 

No ano seguinte, não conseguiram repetir o feito no Campeonato Holandês, mas conquistaram pela primeira vez a UCL, sem grandes sustos, eliminando equipes como o Celtic, e o surpreendente Panathinaikos na final, com vitória tranquila por 2 a 0, consagrando o futebol inovador e de encher os olhos que a equipe apresentava, revezando seus jogadores em vários setores do campo. 

Em 71/72, mais um título nacional para a conta, alcançando agora 30 vitórias e uma derrota em 34 jogos, dessa vez com 104 gols anotados e com Cruijff sendo o artilheiro da competição com 25. Os holandeses conquistariam mais um título da UCL, dessa vez contra a bicampeã do torneio, a Internazionale, que não teve forças para bater de frente com o ótimo jogo coletivo adversário e também sucumbiu por 2-0. Diferentemente do ano anterior, da qual a equipe optou em não participar do Torneio Intercontinental, a equipe enfrentou o Independiente da Argentina, e depois de um empate sofrido em 1 a 1 fora de casa, venceu com sobras por 3 a 0 na Holanda, conquistando seu primeiro título mundial. 

Na temporada 72/73 o Ajax mais uma vez sagrou-se Campeão Holandês, com 30 vitórias e 4 derrotas com 102 gols marcados. A equipe havia vencido todos os 46 jogos em casa nas temporadas 70/71, 71/72 e 72/73. Na Liga dos Campeões, teve uma jornada mais difícil do que nos anos anteriores, eliminando o forte Bayern de Munique (que seria base da Seleção da Alemanha Campeã do Mundo em 1974 em cima da própria Holanda e dominaria a Europa de 73/74 a 75/76, o Real Madrid, e superando a forte defesa da Juventus na final, por 1 a 0, para conquistar o tricampeonato e encerrar sua hegemonia com chave de ouro. Apesar da grande base formada pelo trio Cruijff, Neeskens e Krol, a equipe ainda tinha nomes como Johnny Rep, Pietr Keizer, Wim Suurbier, Arie Haan, Sjaak Swart e Velibor Vasovic, conquistando também o tricampeonato da Copa da Holanda 69/70, 70/71 e 71/72 e a Supercopa da UEFA, tida por muitos amantes do esporte como o melhor time da história.