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Melhores trios da história do futebol europeu - Parte 3

5 de outubro de 2021

(por Vinicius Freitas)
 

A série com os melhores trios do futebol europeu chegou na terceira parte. Confira como os ataques do Bayern, além de Honvéd, Inter e Liverpool marcaram história. 

E, se você não acompanhou as partes 1 e 2, leia antes de se debruçar na edição 3 da série.
 

Arjen Robben, Franck Ribéry e Thomas Müller (Bayern München 09/10 - 12/13)

Maior clube alemão desde os anos 70, o ótimo elenco liderado pelo trio Robben, Ribéry e Müller contou com outros grandes nomes do futebol mundial, como Bastian Schweinsteiger, Philipp Lahm, Toni Kroos, Miroslav Klose e Mario Gómez, dominando a Alemanha e integrando a elite do futebol mundial no começo da década de 2010. Sob o comando do polêmico técnico holandês Louis van Gaal, os bávaros conquistaram a Bundesliga em 09/10 com domínio total, 20 vitórias e apenas 4 derrotas, em 34 jogos, além de ser o melhor ataque (72) e a melhor defesa (31) da competição. Também venceram a Copa da Alemanha, superando sem dificuldades o Werder Bremen, por 4-0. 

Na Liga dos Campeões tiveram um começo complicado, em um grupo com o surpreendente time do Bordeaux na liderança, que venceu 5 dos 6 jogos, e tendo que decidir a vaga na última rodada contra a Juventus, na Itália, com o empate favorável para o time italiano. Apesar da Juve abrir o placar no primeiro tempo, o time teve frieza e conseguiu uma surpreendente vitória por 4-1, se classificando para os mata-matas. 

Teve duros embates contra a Fiorentina (vitória por 2-1 na Alemanha e derrota por 3-2 na Itália, se classificando por conta dos gols fora de casa) e contra o Manchester United (também vencendo por 2-1 na Alemanha e perdendo por 3-2 na Inglaterra). Nas semifinais venceu os dois jogos contra o Lyon, por 1-0 em casa e 3-0 na França, chegando à final contra a Internazionale de José Mourinho, que tinha jogadores como Samuel Eto'o, Wesley Sneijder e Diego Milito. 

Ribéry, expulso no primeiro jogo das semifinais contra o Lyon por dura entrada em Lisandro López, foi suspenso por três partidas pela UEFA, desfalcando o clube alemão na final do torneio. A forte zaga italiana conseguiu neutralizar o ataque alemão e controlar o jogo, vencendo por 2-0, com dois gols do atacante argentino, Diego Milito. A derrota afetou o desempenho do time, que na temporada 10/11 conquistou apenas a Supercopa da Alemanha, ficando em 3º lugar na Bundesliga, apesar da artilharia de Mario Gómez, com 28 gols. 

Na Champions venceram 5 dos 6 primeiros jogos na fase de grupos, com uma das melhores campanhas da competição, mas nas oitavas encontraram novamente a Internazionale. Venceram os italianos fora de casa por 1-0, decidindo a vaga na Allianz Arena, diante de sua torcida. Apesar do gol de Eto'o logo no início da partida, os bávaros tiveram sangue frio e viraram o duelo ainda no primeiro tempo, com Mario Gómez e Thomas Müller. Os alemães estavam próximos de chegar ao terceiro gol, mas aquele ditado "quem não faz, toma", costuma ser verdadeiro, e foram os nerazzurri que empataram a partida com Sneijder, aos 63'. Os italianos cresceram no jogo depois do empate, e o que parecia improvável aconteceu, Pandev marcou o terceiro da Inter aos 88' e eliminou os alemães da competição. 

Com a temporada muito abaixo das expectativas, o técnico van Gaal foi substituído por Jupp Heynckes em 11/12, que já havia treinado o Bayern anteriormente (87/88 - 91/92 , com 2 títulos alemães) e vinha de um bom trabalho feito no Bayer Leverkusen. Outro nome importante que despontava na equipe era o goleiro Manuel Neuer, substituindo o experiente Hans-Jörg Butt. Os bávaros foram vice da Copa da Alemanha e do Campeonato Alemão, ambos perdidos para o rival Borussia Dortmund, mas apesar disso, a equipe apresentava um futebol mais empolgante e ofensivo, diferente da temporada anterior. Mario Gómez não foi artilheiro mas anotou mais 26 gols na Bundesliga, sendo a grande referência no ataque do Bayern. 

Na Liga dos Campeões terminaram na liderança de um grupo com Manchester City, Napoli e Villarreal, perdendo apenas um jogo. Nas oitavas tomaram um susto contra o Basel, na Suíça, perdendo por 1-0, mas na Alemanha deram um verdadeiro chocolate nos suíços, goleando por 7-0. Depois eliminaram o Olympique de Marseille vencendo os dois jogos por 2-0. Nas semifinais teriam pela frente um dos favoritos ao título, o Real Madrid do técnico José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Di Maria, Ozil, Xabi Alonso, Khedira, Marcelo e Sergio Ramos. Em um duelo muito equilibrado e com poucas chances, Ribéry abriu o placar na Alemanha, aos 17', depois de falha da zaga espanhola em escanteio. Ozil empatou aos 53', dando a vantagem para o Real. Mas, aos 89', Mario Gómez aproveitou cruzamento rasteiro e garantiu o triunfo em casa. Os merengues começaram o jogo de volta com tudo, abrindo 2-0 nos primeiros 15 minutos de jogo, com 2 gols de Cristiano Ronaldo (6' de pênalti e outro aos 14'). O Bayern diminuiu aos 27' , também de pênalti, com Robben, deixando o placar igual ao da Alemanha. O jogo era bastante aberto, diferente do primeiro confronto, com as duas equipes fazendo os goleiros trabalharem. Apesar disso, o placar permaneceu em 2-1, tanto no tempo normal quanto na prorrogação. Nos pênaltis, Neuer brilhou, defendendo as cobranças de CR7 e Kaká, com os alemães abrindo 2-0, com Alaba e Gómez. Casillas defendeu as penalidades de Kroos e Lahm, e Xabi Alonso diminuiu a vantagem para 2-1. Sergio Ramos isolou e Schweinsteiger garantiu mais uma final para os alemães. 

Na final contra o Chelsea, os bávaros jogavam em casa, na Allianz Arena e dominavam a partida, atacando o time inglês a todo momento, mas só conseguiram marcar no final da partida com Müller, aos 83'. Apesar de praticamente garantir o título, Drogba empatou o jogo aos 88', em um dos poucos ataques do clube londrino, levando os alemães para mais uma disputa de prorrogação. Ribéry sofreu pênalti no primeiro tempo da prorrogação, mas na cobrança, Cech defendeu o chute rasteiro de Robben, evitando o gol do título. Nas cobranças de pênaltis o Chelsea venceu por 4-3, com Schweinsteiger e Olic desperdiçando as cobranças pelos alemães, e com isso, o Bayern amargava mais um vice na temporada. 

Heynckes continuou de cabeça erguida, e 12/13 foi a melhor temporada da história do Bayern. O time conquistou a Bundesliga com a melhor campanha da história, alcançando os 91 pontos, com 29 vitórias e apenas uma derrota (2-1 para o Leverkusen em casa) em 34 jogos, com seis rodadas de antecedência, terminando 25 pontos a frente do segundo colocado, o Borussia Dortmund, além de ser a melhor defesa (18) e o melhor ataque (98), com destaque para a vitória de 9-2 sobre o Hamburgo. Os bávaros também conquistaram a Copa da Alemanha, eliminando o Borussia Dortmund pelo caminho e vencendo o Stuttgart na final por 3-2. Também venceram a Supercopa da Alemanha contra o Borussia Dortmund, vencendo por 2-1, com um retrospecto totalmente diferente contra o Borussia em comparação com a temporada anterior. 

Na Liga dos Campeões dominaram o seu grupo, perdendo apenas um jogo, para o surpreendente BATE Borisov, mas vencendo os dois jogos contra o Lille (1-0 fora e 6-1 em casa) e ficando a frente do Valencia (2-1 em casa e 1-1 fora). Nas oitavas venceram o Arsenal fora de casa por 3-1, criando uma boa vantagem, mas no jogo de volta tomaram um sufoco, com o Arsenal abrindo o placar logo aos 3’, e o placar final em 2-0 para o time inglês, com os alemães se classificando pelo gol fora. Nos dois confrontos seguintes dominou seus adversários, vencendo os dois jogos contra a Juventus por 2-0, e fazendo o inimaginável placar agregado de 7-0 contra o Barcelona de Messi, Iniesta e Xavi, com 4-0 na Alemanha e 3-0 na Espanha. 

Na final, teriam o Borussia Dortmund, que ainda não havia vencido o Bayern na temporada. O Dortmund criou as melhores chances no começo do embate, dominando a partida nos 20 minutos iniciais, depois disso o Bayern dominou o primeiro tempo, com Robben dando bastante trabalho à defesa dos aurinegros. Apesar das chances criadas, o placar só foi alterado no segundo tempo, com o Bayern abrindo o placar aos 60' com Mandzukic, depois de boa jogada de Robben. Mas, pouco tempo depois, o zagueiro brasileiro Dante comete pênalti em Marco Reus. Gundogan não desperdiça e empata o jogo aos 68', deixando a partida em um cenário dramático. Depois da igualdade, o Bayern seguia pressionando, e quase fez o segundo se não fosse o milagre de Subotic, tirando um gol de Müller em cima da linha, depois de vencer o goleiro Weidenfeller. Depois de tanto pressionar, o Bayern consegue o gol da vitória com Robben, vilão na temporada anterior depois de desperdiçar o pênalti na prorrogação contra o Chelsea, garantindo o título e fechando a melhor temporada da história de um clube alemão com chave de ouro. 

No Mundial de Clubes não tiveram dificuldades para vencer o Guangzhou Evergrande por 3-0 nas semifinais e o Raja Casablanca (que eliminou o Atlético Mineiro de Ronaldinho Gaúcho e companhia) por 2-0, trazendo mais uma taça para a Alemanha. A equipe perdeu apenas três jogos na temporada, com 156 gols marcados e 33 sofridos, conquistando 149 pontos de 168 possíveis (48V-5E-3D), com um aproveitamento de 88,7%.

Depois da temporada magnífica, Heynckes deixou a equipe dando lugar para Pep Guardiola, que manteve o domínio local, mas sem conseguir conquistar a Europa novamente, apesar de se manter na elite do futebol mundial, alcançando as semifinais da Champions em 13/14, 14/15 e 15/16.
 

Ferenc Puskás, Sandor Kocsis e Jozsef Bozsik (Honvéd FC 49/50 - 54/55)

Depois de mudar o nome de Kispesti FC para Honvéd FC, o ostracismo da equipe da capital húngara teria seu fim depois dessa mudança, que acabou ocorrendo por conta da política local, que vivia sob um forte regime ditatorial na época, visando montar uma forte equipe de futebol, ligada aos militares do país. Até então o time só havia conquistado uma Copa da Hungria em 1926. O cenário na história do Kispesti só começaria a mudar em 1943, depois da chegada de Puskás e Bozsik, sob o comando do lendário técnico Béla Guttmann (que teve passagens pelo SPFC e o Benfica de Eusébio), mas apesar da melhora na qualidade de jogo, o time ainda não tinha forças para bater de frente com os principais clube do país, e foi só após a chegada de outros grandes nomes da história do futebol húngaro, entre eles o goleiro Gyula Grosics, e os atacantes Sandor Kocsis, Zoltán Czibor e Laszlo Budai, que a equipe teria notoriedade e seria também a base da seleção, famosa pelo futebol ofensivo eficiente e grande sensação da Copa do Mundo de 1954 na Suíça, apesar da derrota na final para a Alemanha Ocidental, e campeã olímpica em 1952, com 20 gols anotados em 5 jogos na competição, vencendo todos seus adversários. 

Na época, sob o comando do comunista Mátyás Rákosi, o governo decidiu mostrar sua força através do esporte, no caso o futebol, e o modesto Kispesti foi escolhido para ser um dos times que teriam sua ascensão por conta de sua baixa popularidade e também por ser um time do subúrbio da capital húngara, Budapeste. Os principais jogadores foram divididos entre duas equipes, o MTK Hungaria (time da polícia secreta) e o Honvéd FC (time dos militares, pois a palavra Honvéd é derivada de Honvedseg, nome das forças armadas húngaras na época), a pedido do técnico da Seleção, Gustav Sebes, que pretendia dar mais entrosamento para o time, restringindo a divisão dos principais jogadores locais. Treinados pelo pai de Puskás, conhecido por Ferenc Puskás I, o Honvéd conquistou sem dificuldades o Campeonato Húngaro de 49/50, com 23 vitórias e 3 derrotas em 30 jogos, anotando 84 gols e com Puskás artilheiro, com 31 tentos. Ainda em 1950, com a mudança do calendário no país, a equipe jogaria novamente o Campeonato Húngaro, dessa vez decidido em apenas 15 jogos, perdendo apenas um jogo e anotando incríveis 67 gols, goleando o rival MTK por 6-3 e com mais uma artilharia de Puskás, agora com 25 gols. 

Em 1951 ficaram com o vice-campeonato nacional, mas terminaram com a artilharia de Kocsis, que anotou 30 tentos em 26 jogos. Em 51/52 trocaram de técnico, com Jeno Kalmar substituindo o pai de Puskás, melhorando ainda mais o entrosamento da equipe, que conquistaria mais uma vez o Campeonato Húngaro, com 21 vitórias e 5 empates em 26 partidas, com 88 gols marcados, sendo 36 deles de Kocsis, mais uma vez artilheiro da competição. Depois do terceiro título nacional em quatro disputados e com o sucesso da Seleção Húngara, a equipe começou a excursionar pela Europa, vencendo e dando show na maioria de seus adversários. Além do sucesso do time, a Hungria foi a primeira Seleção a vencer a Inglaterra jogando em casa, fazendo 6-3 nos criadores do esporte e chocando a mídia mundial, que tinha como favorito o selecionado inglês. 

O grande feito da equipe viria em 1954, com a impressionante marca de 100 gols em 26 jogos (33 do artilheiro Kocsis) no Campeonato Húngaro, conquistando mais um título nacional de forma avassaladora, sem dar chances para seus adversários. A equipe quase repetiu o feito em 1955, alcançando os 99 gols (27 de Puskás, artilheiro do torneio), mas com uma campanha melhor do que na temporada anterior, com 20 vitórias e apenas uma derrota nos 26 jogos, sendo considerada a equipe mais dominante do futebol depois do Torino dos anos 40. Infelizmente o time não conseguiu se manter depois da Revolução Húngara, que ocorreu em 1956, uma guerra civil da população contra a imposição soviética que assolava o país. A equipe chegou a disputar a primeira fase da Liga dos Campeões de 56/57, contra o Athletic Bilbao, perdendo por 3-2 na Espanha, mas jogando a partida de volta na Bélgica, por conta da situação em sua terra natal, onde apenas empataram em 3-3 e foram eliminados. 

Depois da eliminação precoce a equipe se desmanchou, com os principais jogadores deixando o time, com Kocsis (153 gols em 145 jogos pelo clube) indo para o Barcelona e jogando junto com Czibor tempos depois, e Puskás (352 gols em 341 jogos) indo para o rival Real Madrid. Apesar da era magistral do time e de ser um dos melhores ataques de todos os tempos, o elenco teve seu fim decretado de forma bastante melancólica, sem conseguir disputar o torneio continental no seu auge e talvez ter colocado o futebol húngaro ainda mais em evidência.
 

Sandro Mazzola, Luis Suárez Miramontes e Giacinto Facchetti (Internazionale 62/63 - 66/67)

Comandados pelo experiente técnico argentino, Helenio Herrera (que já havia feito um bom trabalho no Barcelona dos anos 50), a Internazionale foi um dos primeiros clubes da Itália a explorar com eficiência as jogadas pelas laterais, aprimorando o esquema tático italiano, o catenaccio. Além do técnico, a equipe contava com a chegada do meia Luis Suárez Miramontes, ótimo distribuidor de jogo e também muito habilidoso, ganhador da Bola de Ouro de 1960, uma grande adição para o setor da equipe, que era mais conhecido pelas qualidades defensivas. Com a chegada de Herrera, o ótimo finalizador Sandro Mazzola (filho da lenda italiana do Torino, Valentino Mazzola) e o lateral Facchetti (que se tornaria um ala ofensivo) ganharam destaque no elenco nerazzurri. Apesar do título do rival Milan na Liga dos Campeões em 62/63, a Inter conquistou o título italiano, com 19 vitórias e apenas 4 derrotas em 34 jogos, sendo a melhor defesa da competição, sofrendo apenas 20 gols. 

Com a conquista, a equipe disputaria a Liga dos Campeões no ano seguinte, sendo um bom teste para a forte defesa, que apostava na velocidade dos pontas para puxar o contra-ataque. Na temporada 63/64 empataram na pontuação do Campeonato Italiano com o Bologna, mas no jogo desempate foram derrotados por 2-0, perdendo o título. 

Na Champions tiveram um duelo difícil contra o Everton, empatando por 0-0 na Inglaterra e vencendo por 1-0 na Itália, com gol do brasileiro Jair da Costa. Na sequência eliminaram o Monaco (1-0 em casa e 3-1 fora) e o Partizan (um dos times base da Seleção Iugoslava, vencendo por 2-0 fora e por 2-1 na Itália). Na semifinal teriam o Campeão Alemão, o Borussia Dortmund, que havia eliminado em sua trajetória o Benfica, vencendo por 5-0 em casa. Conseguiram um empate por 2-2 na Alemanha, e no jogo de volta conseguiram conter o adversário, vencendo por 2-0 e alcançando sua primeira final na história. Teriam pela frente o Real Madrid de Puskás, Di Stéfano, Gento, Amancio e Santamaria, maior campeão do torneio. A forte defesa italiana conseguiu parar o temido ataque merengue, vencendo o rival por 3-1, e conquistando sua primeira taça da Champions, de forma invicta. Mazzola ainda dividiu a artilharia da competição ao lado de Puskas e Kovacevic (Partizan), com 7 gols. 

Na Copa Intercontinental enfrentaram o Independiente, que venceu o jogo na Argentina por 1-0. Na volta a Internazionale venceu por 2-0, mas na época o saldo de gols não valia como desempate, sendo necessário mais um jogo para decidir o campeão. O terceiro jogo foi muito equilibrado, com o placar sem gols durante o tempo normal. Na prorrogação, o ponta esquerda Corso fez o gol do título, trazendo mais um troféu para a capital italiana do futebol. 

Empolgados com o título europeu, os nerazzurri dominaram o Campeonato Italiano de 64/65, trazendo mais um scudetto, com 22 vitórias e apenas duas derrotas, terminando com o melhor ataque (68) e com Mazzola mais uma vez sendo um dos artilheiros, com 17 gols. O título teve sabor especial, pois venceram o Milan, vice-campeão, por 5-2, abrilhantando ainda mais a conquista. 

Na Liga dos campeões deram um chocolate no Dinamo Bucaresti, vencendo por 6-0 em casa e 1-0 na Romênia. Nas quartas venceram o Glasgow Rangers em casa por 3-1, mas tomaram um certo sufoco na Escócia, pois os anfitriões abriram o placar aos 6 minutos, e pressionaram bastante os italianos, que conseguiram manter o placar e se classificaram. Na semifinal um confronto duríssimo contra o Liverpool, do lendário técnico Bill Shankly. Os ingleses fizeram um grande jogo e venceram em casa por 3-1, complicando a vida do campeão. No jogo de volta, o cenário logo se inverteu, com a Inter fazendo 2-0 antes dos 10 minutos de jogo. Apesar das fortes qualidades defensivas, a Inter sufocava o Liverpool, conseguindo o terceiro gol com Facchetti e fechando o placar em 3-0. Na final teriam pela frente o Benfica, melhor ataque da competição, com 27 gols anotados em 8 jogos, mais um ótimo teste para o forte esquema defensivo de Herrera. Os italianos conseguiram mais uma vez parar o poder ofensivo do oponente, que tinha ninguém menos que Eusébio, além de José Torres, Mario Coluna, Antonio Simões e Cavém, vencendo por 1-0 com mais um gol importante do brasileiro Jair da Costa, conquistando o bicampeonato da Champions e se tornando o maior italiano do continente.

A Inter disputaria novamente a Copa Intercontinental contra o Independiente, porém, dessa vez o primeiro jogo foi na Itália, com vitória esmagadora por 3-0. No duelo de volta na Argentina, a Inter fechou a casinha e segurou o 0-0, conquistando também o bicampeonato do torneio, sendo a primeira equipe a realizar o feito depois do Santos de Pelé, Coutinho e companhia.

Visando colocar a estrela dourada em seu uniforme, a Inter buscou com mais afinco o décimo título nacional na temporada 65/66 (só a Juventus possuía a estrela em seu uniforme na época). O objetivo foi alcançado, e a Inter conquistou seu terceiro título em quatro anos, terminando com 20 vitórias e apenas 4 derrotas, além de ser mais uma vez o melhor ataque da competição (70). No torneio continental perderam o primeiro jogo para o Dinamo Bucaresti por 2-1, mas conseguiram reverter na Itália, vencendo por 2-0, com gol da classificação de Facchetti aos 89'. Depois do começo difícil, passou sem dificuldades pelo Ferencváros da Hungria (4-0 em casa e 1-1 fora), encarando mais uma vez o Real Madrid, agora nas semifinais. Os espanhóis venceram por 1-0 em casa, e no jogo da volta abriram o placar ainda no primeiro tempo, complicando a vida do atual bicampeão. Os italianos empataram a partida, que terminou 1-1, mas para chegar a sua terceira final precisavam vencer por 3-1, e viram o Real Madrid se vingar do vice-campeonato de 63/64.

Em 66/67, perderam o título italiano na última rodada, depois de uma derrota inesperada para o Mantova, por 1-0, com a Juventus conquistando o scudetto com apenas 1 ponto de vantagem sobre os nerazzurri. Os italianos tiveram mais um começo difícil na Champions, vencendo o Torpedo Moscou em casa por 1-0, e segurando um empate sem gols na União Soviética. Na sequência eliminaram o Vasas SC da Hungria (2-1 em casa e 2-0 fora) e se vingaram do Real Madrid, também vencendo os dois jogos (1-0 em casa e 2-0 fora), encarando o inesperado CSKA Sofia da Bulgária nas semifinais. Depois de dois empates por 1-1 entre as equipes, foi necessário um jogo extra para definir o finalista. A Internazionale aproveitou o jogo na cidade de Bologna, e garantiu mais uma final, vencendo por 1-0. Teriam pela frente o inexperiente time do Celtic, que chegava às finais pela primeira vez, sem eliminar nenhuma equipe tradicional da competição, com grande favoritismo para os italianos. A Inter abriu o placar logo aos 6' com Sandro Mazzola de pênalti, mantendo o jogo sob controle durante todo o primeiro tempo. Mas o aguerrido time escocês depois de tanto pressionar conseguiu o empate aos 62' com Gemmell. A Inter teve que sair para o jogo depois do empate, sem sucesso, pois estava sendo neutralizada pelo oponente, e no final do jogo, aos 84', os escoceses viraram o jogo, fechando o placar em 2-1, se tornando o primeiro clube da Grã Bretanha a conquistar a competição. 

Após a derrota a Inter teve uma campanha bem discreta em 67/68, acarretando na saída de Helenio Herrera do clube. Mesmo com a saída do técnico, a equipe manteria sua base e seria mais uma vez vice da Champions em 71/72, perdendo para o Ajax de Cruijff, Neeskens e companhia.

O esquadrão da Inter foi um dos melhores da história do continente, contando com jogadores como o goleiro Sarti, Burgnich, Picchi, Szymaniak, Guarneri, Corso, Jair da Costa, Domenghini e Peiró, dividindo a hegemonia da década com seu eterno rival local, o Milan.
 

Gerd Müller, Franz Beckenbauer e Sepp Maier (Bayern München 71/72 - 75/76)

A espinha dorsal formada pelo trio fez do Bayern foi um dos clubes mais vitoriosos do continente, contando também com passagens de outros grandes nomes, como Paul Breitner, Karl-Heinz Rummenigge, Hans-Georg Schwarzenbeck, Uli Hoeness, Jupp Kapellmann, Bernd Förster e o sueco Conny Torstensson. O começo da revolução começou com a chegada do técnico Udo Lattek, em 69/70, que aos poucos foi lapidando o elenco para ser a base da forte Seleção Alemã dos anos 70 e também um dos times mais vitoriosos da Europa. A primeira grande conquista veio em 71/72 com o título da Bundesliga, contando com grande temporada de Gerd Müller, que foi artilheiro com 40 gols em 34 jogos, ajudando os bávaros a também terminar como o melhor ataque, com 101 tentos e uma vitória histórica de 11-1 sobre o Borussia Dortmund. O centroavante também ganhou a Chuteira de Ouro da temporada, como melhor atacante e Beckenbauer ganhou a Bola de Ouro como melhor jogador na temporada, mostrando a força coletiva do elenco. Na Recopa Europeia chegaram às semifinais, mas foram eliminados pelo Rangers da Escócia, depois de empate em 1-1 em casa e derrota por 2-0 fora. 

Em 72/73 venceram mais uma vez a Bundesliga, com Müller anotando 36 gols e mais um troféu de artilheiro. O Bayern também terminou com os melhores ataque (93) e defesa (29). Na Liga dos Campeões eliminou o Galatasaray (1-1 na Turquia e 6-0 em casa) e o Omonia (9-0 em casa e 4-0 fora) antes de enfrentar o atual campeão nas quartas de final, o Ajax. Os alemães perderam por 4-0 na Holanda, dando adeus à competição. No jogo de volta venceram por 2-1 apesar dos visitantes abrirem o placar no começo da partida, com Müller artilheiro da competição com 11 gols. 

Os bávaros seguiam dominantes na Alemanha, vencendo mais um Campeonato Alemão em 73/74, dessa vez com apenas 1 ponto de frente sobre o ascendente Borussia Mönchengladbach. Müller dividiu a artilharia com 30 gols ao lado de Jupp Heynckes, centroavante do vice-campeão, sendo os dois melhores ataques da competição, com 95 e 93 gols, respectivamente. Na Champions tiveram um duelo bastante complicado logo no início contra o Atvidabergs FF da Suécia, time de Torstensson, principal jogador da equipe, que seria contratado pelo Bayern na mesma temporada. Cada um venceu seu jogo em casa por 3-1, e o Bayern passou para a próxima fase com muito sofrimento, pois nas cobranças de pênaltis chegou a ficar atrás do placar depois do erro de Gersdorff, que errou a segunda cobrança, deixando o placar em 2-1. Maier defendeu duas cobranças e o Bayern venceu por 4-3, tendo muitas dificuldades contra a surpreendente equipe sueca. Tiveram mais um confronto difícil contra o Dynamo Dresden da Alemanha Oriental, vencendo em casa por 4-3 e empatando em 3-3 fora, depois de abrir 2-0 antes dos 15 minutos de jogo. Nas quartas de final conseguiram boa vantagem contra o CSKA Sofia depois de vencerem por 4-1 em casa e, mesmo perdendo na Bulgária por 2-1, se classificaram para as semifinais, onde também tiveram um duelo mais tranquilo, empatando com o Újpest na Hungria por 1-1 e vencendo por 3-0 em casa, alcançando sua primeira final de Champions na história. Na final empataram em 0-0 com o Atlético de Madrid no tempo normal, mas os espanhóis abriram o placar aos 9' do segundo tempo da prorrogação, em belíssima cobrança de falta de Luis Aragonés. Mas, no último minuto do tempo extra, quando a taça parecia já estar indo para a Espanha, Schwarzenbeck acerta um verdadeiro míssil de fora da área para empatar o jogo em 1-1. Na época a final tinha um jogo desempate, sem cobranças de pênalti, com uma vitória avassaladora por 4-0 dos alemães, conquistando seu primeiro título do torneio na história, com mais uma artilharia de Müller, com 8 gols. O Bayern não quis disputar o Intercontinental por conta dos calendários divergentes, dando lugar ao Atlético de Madrid, que conquistaria o título contra o Independiente da Argentina. 

Em 74/75 a equipe contou com a chegada do novato Karl-Heinz Rummenigge, cotado para ser um dos grandes nomes do futebol alemão, mas também teve a saída do ídolo Paul Breitner, que deixou a equipe para integrar o Real Madrid, afetando bastante o esquema tático do time, que depois do mau começo na temporada, demitiu o técnico Udo Lattek, apostando suas fichas em Dettmar Cramer, sem grandes feitos na carreira até então. O Bayern terminou apenas na 10ª colocação do Campeonato Alemão, muito abaixo das expectativas. 

Apesar disso, começou sua jornada na Liga dos Campeões com uma vitória sobre o FC Magdeburg em casa por 3-2 e também na Alemanha Oriental por 2-1. Nas quartas de final venceram o Ararat Yerevan em casa por 2-0, e perderam o jogo de volta (que foi na Holanda ao invés de ter acontecido na União Soviética) por 1-0. Nas semifinais empataram na França com o Saint-Etienne por 0-0 e venceram por 2-0 em casa, chegando na sua segunda final consecutiva contra o Leeds United, atual campeão inglês. Os ingleses começaram melhores, pressionando bastante o Bayern e obrigando Maier a fazer boas defesas para manter o placar zerado. Apesar de atuarem melhor, os ingleses jogavam duro e lesionaram dois jogadores do time alemão, o atacante Uli Hoeness e o lateral Björn Andersson, ambos deixando o campo ainda no primeiro tempo. O Leeds teve um gol de Peter Lorimer anulado aos 62' depois de um rebote no chute de Billy Bremner, que estava impedido no lance. Os bávaros apesar da pressão e catimba dos ingleses foram frios e conseguiram vencer o jogo, fazendo 2-0 e conquistando o bicampeonato da competição. O Bayern novamente se recusou a disputar o Torneio Intercontinental, que acabou não sendo realizado naquele ano por conta da suspensão do Leeds United em competições futuras, devido ao vandalismo de sua torcida na final da Liga dos Campeões. 

Na temporada 75/76 o Bayern foi o 3º colocado na Bundesliga, vendo o Borussia M'gladbach conquistar o bicampeonato, agora com seu ex-treinador, Udo Lattek no comando do time. Os bávaros disputaram a Supercopa Europeia contra o Dínamo de Kiev, time de uma das grandes revelações do futebol europeu, o ponta Oleg Blokhin, e acabaram perdendo os dois jogos do confronto, por 1-0 em casa e 2-0 fora, com os 3 gols sendo marcados pelo craque soviético. 

Na Champions passaram sem dificuldades pelo Jeunesse Esch de Luxemburgo (5-0 fora e 3-1 em casa). Nas oitavas perderam para o Malmö na Suécia por 1-0, mas deram o troco na Alemanha por 2-0. Nas quartas de final empataram fora com o Benfica sem gols e em casa massacraram o adversário, vencendo por 5-1. Nas semifinais enfrentou o tradicional time do Real Madrid, que contava com Paul Breitner e Gunter Netzer (ex-Borussia M'gladbach) como seus principais destaques. Os bávaros conseguiram um ótimo empate por 1-1 na Espanha, e fizeram valer o apoio da torcida na Alemanha, fazendo 2-0 com total domínio do jogo (os 3 gols do Bayern no duelo foram de Gerd Müller), indo para mais uma final do torneio continental. Na final tiveram os franceses do Saint-Etienne, que fizeram um jogo bastante parelho contra o Bayern. Apesar do equilíbrio, os alemães conseguiram a vitória por 1-0 e igualaram o feito recente do Ajax, conquistando  o tricampeonato da competição. Beckenbauer ainda terminaria a temporada com mais uma Bola de Ouro para a sua coleção. Diferente dos outros anos, dessa vez o Bayern decidiu jogar a Copa Intercontinental, enfrentando o Cruzeiro, que tinha grandes nomes do futebol brasileiro em seu elenco, como o goleiro Raúl Plassmann, Nelinho, Piazza, Palhinha, Joãozinho e Jairzinho. Os brasileiros viajaram até a Alemanha mas não conseguiram conter o ataque alemão, perdendo por 2-0. Na volta, conseguiram segurar o empate por 0-0, conquistando mais um troféu. 

Depois da conquista do tricampeonato europeu, o Bayern fez temporadas discretas, e também contou com a saída de Beckenbauer, que acabou indo atuar nos Estados Unidos ao lado de outros grandes nomes do futebol mundial, como Pelé e Carlos Alberto Torres, no New York Cosmos. O Bayern ainda seria vice da Champions em 81/82 e 86/87, mas só voltaria a viver momentos de hegemonia equivalente no começo dos anos 2010.
 

Mohamed Salah, Roberto Firmino e Sadio Mané (Liverpool 17/18 - 19/20)

Depois da chegada do técnico alemão Jürgen Klopp (que vinha de um belíssimo trabalho no Borussia Dortmund) na temporada 15/16, o tradicional clube inglês começou a ser montado para voltar à elite, com Klopp lapidando cada setor do campo e trazendo nomes até então desconhecidos para mais uma magnífica jornada em sua carreira. Os Reds foram vice-campeões da Liga Europa logo no ano de estreia do técnico, mas em 16/17 tiveram uma temporada bem discreta.

A grande mudança começou em 17/18, depois da contratação do zagueiro holandês Virgil van Dijk e do atacante egípcio Mohamed Salah, deixando a equipe ainda mais competitiva, mesmo já contando com Roberto Firmino, Sadio Mané, Jordan Henderson, Andrew Robertson e Alexander-Arnold. Apesar das ótimas aquisições, o time teve a saída de Philippe Coutinho no decorrer da temporada, um dos principais nomes da equipe até então. Na Premier League terminaram no 4º lugar, mas tiveram como consolação a artilharia de Salah, que anotou 32 gols. 

Na Champions encerraram a primeira fase invictos, com 3 vitórias e 3 empates, em um grupo com o Sevilla da Espanha, Maribor da Eslovênia e o Spartak Moscou da Rússia, sendo o segundo melhor ataque da primeira fase, anotando 23 gols, com destaque para os 7-0 sobre o Maribor (fora), e outro 7-0 sobre o Spartak Moscou no Anfield. O trio de ataque inglês junto com Coutinho atormentava os adversários, anotando pelo menos 1 gol em todos os jogos disputados até então, depois da primeira fase, o brasileiro deixou a equipe, indo para o Barcelona, mas o que parecia ser um problema, não afetou o modo de jogar do time. Nas oitavas eliminaram o Benfica sem dificuldades (5-0 fora e 0-0 em casa). Nas quartas tiveram pela frente o Manchester City, que faria a histórica campanha do título na temporada, com 100 pontos alcançados (32 vitórias, 4 empates e apenas 2 derrotas) na Premier League. Mas na Champions os Reds não deram chance para o adversário, vencendo por 3-0 no Anfield, e por 2-1 (de virada) no Etihad Stadium, com mais uma atuação de gala do trio Salah, Mané e Firmino. Na semifinal estavam vencendo por 5-0 a Roma em casa, mas no final acabaram tomando dois gols que deram esperança para os italianos, que já haviam feito um milagre contra o Barcelona depois de perderem o jogo de ida por 4-1, eliminando os espanhóis depois de vitória por 3-0 na Itália. Os ingleses terminaram o primeiro tempo com um triunfo parcial de 2-1, mas apesar do cenário complicado, o time da capital italiana ainda conseguiu virar o jogo nos minutos finais, fazendo dois gols no final, fechando o placar em 4-2, mas não sendo o suficiente para levar a equipe para a sua segunda final de Champions na história (vice para o Liverpool na temporada 83/84). 

Na decisão teriam pela frente o atual bicampeão, o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Bale, Benzema, Toni Kroos, Modric, Sergio Ramos e Marcelo. O jogo era equilibrado, com os Reds melhores na partida. Mas aos 30', depois de um lance no meio-campo, Sergio Ramos prende o braço de Salah no seu e acaba lesionando o craque do time inglês na temporada, um mau sinal para o Liverpool. O Real cresceu depois da saída do egípcio, e começou a dominar a partida, tendo um gol de Benzema anulado depois de cabeçada de Cristiano Ronaldo, que estava impedido no lance. No segundo tempo, os espanhóis contaram com duas falhas bizarras do goleiro Karius, além de um golaço de bicicleta de Bale, para vencer por 3-1 e conquistar a 13ª taça da competição para os merengues.

Em 18/19, o time manteve a base e contratou dois brasileiros que se tornariam peças fundamentais do esquema tático de Klopp, o goleiro Alisson e o meia Fabinho. Diferente da temporada anterior, os Reds fizeram um duelo equilibradissimo com o Manchester City pelo título inglês, mas acabaram amargando o vice-campeonato, apesar dos 97 pontos conquistados, (30 vitórias e apenas 1 derrota) e de terem terminado como a melhor defesa (22), ficando 1 ponto atrás do rival. Mané e Salah dividiram a artilharia com 22 gols junto com Aubameyang (Arsenal), mostrando o poder ofensivo da equipe. 

Os ingleses não começaram sua jornada na Champions tão bem, conquistando o segundo lugar do seu grupo apenas na última rodada, depois de vencerem o Napoli em casa por 1-0, ficando atrás do PSG. Nas oitavas de final pegaram o forte time do Bayern, empatando em casa por 0-0. Apesar do cenário desfavorável, os Reds foram até a Alemanha e venceram por 3-1, dominando o adversário e se tornando um dos favoritos ao título. Nas quartas venceram os dois jogos contra o Porto (2-0 em casa e 4-1 fora), que havia sido o time com melhor campanha na primeira fase. Nas semifinais outra pedreira, o Barcelona de Messi e Suárez, além do ex-Liverpool, Coutinho. Os espanhóis fizeram valer o jogo em casa e venceram por 3-0, tirando as esperanças do mais fanático torcedor inglês, que não contaria com Salah, que havia tido uma concussão antes do jogo da volta, em duelo pela Premier League contra o Newcastle. Apesar das dificuldades, o Liverpool dominava o jogo, abrindo o placar aos 7' com o belga Origi, que substituiu Firmino, também ausente por conta de problemas musculares. A equipe pressionava e dificultava bastante a saída de jogo adversária, mas apesar de criar algumas chances e jogar melhor, terminou o primeiro tempo vencendo apenas por 1-0. No segundo tempo Klopp tirou o lateral Robertson e colocou o meia Wijnaldum, deixando a equipe mais ofensiva. O jogador que havia acabado de entrar seria o talismã da equipe, fazendo dois gols em sequência e igualando o placar agregado, pois os Reds venciam por 3-0. E o que parecia impossível aconteceu, faltando pouco mais de 10 minutos para o fim, em um escanteio batido rapidamente, Origi anotou o gol da classificação, pegando a defesa espanhola desprevenida, e levando o Liverpool à sua segunda final consecutiva da competição, contra o Tottenham, que também havia feito uma virada espetacular sobre o Ajax na outra semifinal. 

Na final os Reds estavam completos, com Salah e Firmino, e abriram o placar logo no começo, em pênalti sofrido por Mané e convertido por Salah. Apesar de ter sido um jogo completamente diferente do estilo do Liverpool, que deixou o adversário ficar mais tempo com a bola, a equipe teve frieza e conseguiu anular o ataque rival, conseguindo aumentar o placar nos minutos finais, fazendo 2-0 e conquistando seu sexto título na competição. 

No Mundial Interclubes, apesar do favoritismo, não tiveram vida fácil, vencendo o Monterrey do México apenas nos acréscimos do segundo tempo, com Firmino fazendo o 2-1 e garantindo o triunfo. Na final tiveram pela frente o Flamengo, reedição da Copa Intercontinental de 1981, quando os cariocas venceram os ingleses por 3-0. Os Reds desperdiçaram as melhores chances do jogo, apesar dos brasileiros não jogarem acuados, mas o placar permaneceu zerado no tempo normal. Na prorrogação, novamente Firmino anotaria o gol da vitória, conquistando o primeiro título da competição para os ingleses. Para encerrar a temporada com chave de ouro, o goleiro Alisson ganhou o troféu Yashin, dado ao melhor goleiro da temporada, coroando a grande temporada do brasileiro.

Na temporada 19/20 não conseguiram ir tão bem na Champions, e mesmo se classificando em primeiro no seu grupo, foram eliminados logo nas Oitavas de Final, contra o sempre perigoso time do Atlético de Madrid. Mas, na Premier League, a equipe sobrou, vencendo o campeonato com 7 rodadas de antecedência, com 99 pontos, sendo 32 vitórias, 3 empates e apenas 3 derrotas, chegando a ter uma sequência de 18 vitórias, com o vice-campeão, Manchester City, terminando a competição "apenas" com 81 pontos. Os Reds encerravam um jejum de 30 anos no Campeonato Inglês, uma era fantástica para os torcedores da terra dos Beatles.

Depois das conquistas, o Liverpool ainda se mantém como um dos melhores times da Inglaterra, mas já não é tão dominante como antes, sofrendo bastante com problemas de lesões de alguns de seus jogadores. Mesmo assim os Reds não entram mais como azarão, como acontecia alguns anos atrás, mostrando o valor tanto do time quanto de seu treinador, que ainda podem conquistar mais taças para o gigante inglês.