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As melhores campanhas da NBA na história da temporada regular

28 de novembro de 2020

(por Vinícius Freitas)


Confira as melhores campanhas da história da temporada regular da NBA.

 

Boston Celtics 68V-14D em 72/73 (0.829%)

Donos da maior hegemonia da liga até hoje, os celtas passavam por um momento de transição desde a aposentadoria de grande parte de seus ídolos após o título de 68/69, entre eles Bill Russell e Sam Jones. O ex-jogador e também ídolo Tom Heinsohn, ala-pivô e grande dupla de Bill Russel no garrafão, era o treinador de equipe, e apesar das duas temporadas sem jogar os playoffs, conseguiu selecionar ao lado do agora dirigente Red Auerbach, grandes nomes da história da franquia nesse período, como o pivô Dave Cowens e o armador Jo Jo White, que ao lado do remanescente John Havlicek, tornavam a franquia verde e branca competitiva novamente, chegando às finais do Leste na temporada 71/72, mas sendo superados pelo New York Knicks de Walt Frazier e Willis Reed por 4-1.

Na temporada 72/73 encontraram as peças que faltavam para montar o seu esquadrão, o ala-pivô Paul Silas, ótimo “reboteiro” e com boa presença ofensiva no garrafão e o armador Paul Westphal, outra grande escolha no draft, posteriormente sendo um dos melhores nomes da posição na década. Com isso a equipe dominou seus adversários na temporada regular e teve a melhor campanha da liga com sobras. 

Nas semifinais bateram a boa equipe do Atlanta Hawks por 4-2, que tinha um forte poder ofensivo, formado por Lou Hudson, Pete Maravich e Walt Bellamy. 

Nas finais, novo confronto contra o velho conhecido New York Knicks, e apesar de estarem perdendo por 3-1 na série, conseguiram vencer dois jogos seguidos, o segundo deles fora de casa, no Madison Square Garden, empatando a série em 3-3. No jogo 7 os celtas mantiveram o jogo equilibrado até o intervalo, com 45-40 para os Knicks, mas na volta dos vestiários viram o oponente abrir uma grande vantagem e praticamente liquidar o jogo, indo para o último período da partida com uma desvantagem de 72-57. Apesar da derrota, a equipe manteve o foco e conquistou dois títulos na década, um contra o Milwaukee Bucks em 73/74 e o outro em 75/76 contra o Phoenix Suns, coroando a carreira do maior pontuador da história da franquia, John Havlicek (26.395) e a ótima geração construída logo após o desmanche do esquadrão campeão que reinou durante os anos 60.

 

Philadelphia 76ers 68V-13D em 66/67 (0.840%)

Apesar do talentoso elenco dirigido pelo ex-jogador e ídolo Dolph Schayes, formado por Larry Costello, Hal Greer, Chet Walker, Luke Jackson e Red Kerr, os 76ers não conseguiam bater de frente contra as principais equipes da liga, sendo sempre superados nos primeiros duelos dos playoffs. Depois da confirmação de insatisfação do lendário pontuador Wilt Chamberlain no San Francisco Warriors, os dirigentes não pensaram duas vezes e foram atrás do pivô para completar seu plantel. Chamberlain chegou no meio da temporada 64/65, e mesmo depois da chegada do astro, a equipe foi eliminada dois anos seguidos pelo Boston Celtics. Em 65/66 apesar do sonho do título frustrado, outro importante nome da história da franquia foi selecionado no draft, o ala Billy Cunningham, que depois de sua aposentadoria como jogador, seria o técnico do terceiro título da franquia na temporada 82/83. O severo técnico Alex Hannum chegou à equipe em 66/67 para substituir Dolph Schayes, e depois disso, a equipe começou a jogar coletivamente, adotando um novo estilo de jogo, inclusive Chamberlain, conhecido por ser individualista e o finalizador das jogadas, raramente passando a bola para seus companheiros. A equipe sobrou em quadra na temporada regular com a tática adotada e conseguiu também a melhor campanha da história da franquia até hoje. 

Nas semifinais venceram por 3-1 o Cincinnati Royals, e nas finais do Leste, se vingaram dos Celtics por 4-1, dominando o grande rival e sendo a primeira equipe a alcançar as finais desde o começo da dinastia celta, na temporada 56/57. 

Nas finais enfrentaram a ex-equipe de Chamberlain, o San Francisco Warriors, de Nate Thurmond e Rick Barry, e apesar da atuação histórica de Barry (40.8pts de média), os 76ers conquistaram seu segundo título na história, vencendo o confronto por 4-2, com grande atuação coletiva e dedicação defensiva.  

 

Los Angeles Lakers 69V-13D em 71/72 (0.841%)

Depois de três vice campeonatos (67/68, 69/69 e 69/70) e a derrota nas finais do Oeste para o Milwaukee Bucks em 70/71, os Lakers confirmavam ser uma das melhores equipes da liga, porém, não conseguiam transformar esse fator em títulos, sendo inclusive favorito nas finais de 68/69 contra o arquirrival Boston Celtics e contra o New York Knicks em 69/70. O elenco contava com a chegada do ex-jogador e ídolo celta Bill Sharman na temporada 71/72 para treinar a equipe, mas em contrapartida tinha a perda de uma de suas grandes estrelas, o ala Elgin Baylor, que depois de sua lesão no joelho na temporada anterior (onde jogou apenas dois jogos), atuaria apenas em mais 9 oportunidades antes de anunciar sua aposentadoria. Ainda assim, os Lakers tinham um elenco experiente e muito talentoso, com Gail Goodrich, Jerry West, Jim McMillian, Happy Hairston e Wilt Chamberlain. Sharman trabalhou bastante a parte ofensiva do plantel, tornando a equipe o melhor ataque da liga. 

Além disso, o time alcançou a maior sequência de vitórias da história da NBA até hoje, conquistando 33 delas consecutivamente, além da melhor campanha da história dos Lakers. Nos playoffs venceram o Chicago Bulls por 4-0 nas semifinais, e novamente teriam pela frente o Milwaukee Bucks de Kareem Abdul-Jabbar, Bob Dandridge e Oscar Robertson, algoz da temporada anterior. Apesar do forte jogo de garrafão dos Bucks e a diferença de idade de seus jogadores, muito mais novos que os californianos, os Lakers conseguiram explorar muito bem o perímetro e vencer a série por 4-2, com grande atuação coletiva de McMillian, West e Goodrich, líderes da equipe em pontuação. 

Nas finais também encontraria outro antigo carrasco, o New York Knicks, que havia vencido o duelo em 69/70 por 4-3. Apesar da vitória dos nova iorquinos no primeiro jogo, os Lakers dominaram o embate e emendaram 4 vitórias seguidas, com Goodrich liderando a equipe nos pontos e Chamberlain sendo o MVP das Finais (19.4pts, 23.2reb e 60% nos arremessos), tendo uma atuação muito sólida tanto no ataque quanto na defesa, se encarregando de marcar Willis Reed e Jerry Lucas no garrafão, além da expressiva quantidade de rebotes que o pivô conseguia atingir, mesmo em seus últimos anos de carreira.

 

Chicago Bulls 69V-13D em 96/97 (0.841%)

Na conquista do segundo tricampeonato da franquia (95/96, 96/97 e 97/98), os Bulls conquistaram mais de 60 vitórias nas três temporadas, com um basquete muito eficiente nos dois lados da quadra e de grande harmonia entre seus principais jogadores, mesmo com a presença de Dennis Rodman no plantel, que fazia parte dos “Bad Boys” de Detroit e tinha uma forte rivalidade com Michael Jordan e Scottie Pippen. Além do trio citado, a equipe era comandada pelo técnico Phil Jackson (técnico mais vitorioso da história da NBA, com 11 títulos conquistados), responsável pela revolução no ataque da equipe com a implantação do triângulo ofensivo e presente nos dois tricampeonatos da franquia. Os Bulls também tinham ótimas peças de rotação, como o excelente arremessador Steve Kerr (atual técnico do Golden State Warriors), o croata Toni Kukoc, um dos melhores jogadores europeus de sua geração, e o ótimo defensor Ron Harper, nomes importantíssimos no esquema tático de Phil Jackson. A equipe aproveitava muito bem os jogos em casa, perdendo apenas duas vezes diante de sua torcida na temporada regular, jogando com muita intensidade e devoção, principalmente na defesa. 

Nos playoffs também foram dominantes, vencendo o Washington Bullets de Rod Strickland e Chris Webber por 3-0 na primeira rodada do Leste, o Atlanta Hawks de Dikembe Mutombo e Mookie Blaylock por 4-1 nas semifinais e o Miami Heat de Tim Hardaway e Alonzo Mourning nas finais de Conferência também por 4-1. 

Nas finais teriam pela frente o Utah Jazz de John Stockton, Karl Malone e Jeff Hornacek, comandados pelo experiente Jerry Sloan. Antes da final havia uma grande polêmica sobre o prêmio de MVP de Karl Malone, pois grande parte da mídia achava Jordan mais merecedor do prêmio, e conforme as equipes iam avançando para as finais, Malone começou a fazer provocações sobre a discussão, trazendo ainda mais temperos para as finais daquele ano. Jordan afirmou publicamente que tinha levado as declarações de Malone para o lado pessoal e que iria provar novamente quem era o MVP da temporada, assim como já havia feito na temporada 92/93 ao vencer o Phoenix Suns do MVP Charles Barkley nas finais. Apesar do Jazz contar com o melhor armador e o MVP da temporada regular, os Bulls venceram o confronto por 4-2, frustrando o sonho do título de uma das maiores duplas da história da liga, John Stockton e Karl Malone. As equipes também disputariam as finais da temporada 97/98, com os Bulls vencendo mais uma vez por 4-2 e selando o segundo tricampeonato em um período de 8 anos.

 
Chicago Bulls 72V-10D em 95/96 (0.878%)

Mesmo com a volta de Michael Jordan no decorrer da temporada 94/95 (depois de sua primeira aposentadoria anunciada no final da temporada 92/93, com apenas 30 anos, onde tinha ido jogar baseball para homenagear seu pai, assassinado em 1993), o time não conseguiu alcançar o mesmo desempenho do primeiro tricampeonato conquistado no início da década (90/91, 91/92 e 92/93), e acabou sendo eliminada pela jovem equipe do Orlando Magic de Shaquille O’Neal, “Penny” Hardaway, Nick Anderson e o ex-Chicago Bulls Horace Grant por 4-2 nas Semifinais do Leste. A temporada 95/96 era a primeira temporada que Jordan iria jogar inteira depois da volta de sua primeira aposentadoria, e depois da eliminação para o Magic, o astro da NBA pareceu se dedicar ainda mais para conquistar novamente o título da liga. Os Bulls tiveram uma sequência de 18 vitórias seguidas e perderam 2 jogos seguidos apenas uma vez durante toda a temporada, terminando o ano com a melhor campanha da história da liga e se tornando também a primeira equipe a conquistar 70 vitórias na temporada regular. 

Nos playoffs prevaleceram conforme haviam feito durante todo o ano, vencendo sem dificuldades o Miami Heat por 3-0 na primeira rodada do Leste, o New York Knicks de Patrick Ewing, Charles Oakley e John Starks por 4-1 nas Semifinais, e se vingando do Orlando Magic nas finais de Conferência por 4-0. 

Nas finais tinham pela frente o empolgante time do Seattle Supersonics, de Gary Payton, Shawn Kemp, Detlef Schrempf e Sam Perkins, treinados por George Karl, um dos grandes responsáveis pela mudança de patamar da equipe. Os Bulls não tomaram conhecimento e abriram 3-0 de vantagem, praticamente liquidando a série. Os Supersonics ainda conseguiram duas vitórias consecutivas, mas no jogo 6, diante de sua torcida, os Bulls não deram chance para a equipe de Seattle e conquistaram seu quarto título, iniciando a saga do segundo tricampeonato, com Jordan liderando a equipe e conquistando o MVP das finais nas seis ocasiões.

 

Golden State Warriors 73V-9D em 15/16 (0.890%)

A talentosa geração de Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green provou seu valor ao conquistar o título na temporada 14/15, além de registrar a melhor campanha da história da franquia, com 67V-15D. Não satisfeitos com o feito, a equipe comandada pelo ex-jogador Steve Kerr ainda foi além, se tornando a segunda equipe na história da NBA a conquistar pelo menos 70 vitórias na temporada regular e ainda bater o recorde de melhor campanha da liga, superando os Bulls de 95/96, um feito considerado inalcançável por quase todos os amantes mais assíduos do esporte. A equipe da California ainda teve o melhor início de temporada da história, com 24 vitórias seguidas até sofrer a primeira derrota. E os feitos não paravam por aí, depois de vencer o Houston Rockets de James Harden na primeira rodada do Oeste e o Portland Trail Brazers de Damian Lillard nas semifinais, por 4-1, a equipe ainda conseguiu uma virada histórica contra o Oklahoma City Thunder de Kevin Durant e Russell Westbrook nas finais de Conferência, onde perdiam por 3-1 e venceram os três jogos seguintes, alcançando novamente as finais da liga. 

Mas, a temporada que parecia perfeita até então, acabou sendo uma grande tragédia para os torcedores da franquia. Assim como havia acontecido com o OKC nas finais de Conferência, os Warriors venciam as finais contra o Cleveland Cavaliers por 3-1, mas acabaram tomando a virada nas finais, a primeira na história da liga, perdendo três jogos seguidos e não conseguindo fechar com chave de ouro a melhor temporada da história da NBA. Apesar da derrota inesperada, vale ressaltar as atuações magníficas de LeBron James e Kyrie Irving nos últimos jogos do confronto, inclusive com a dupla anotando 41 pontos cada um no jogo 5 da série, sendo a primeira vez na história que dois companheiros de equipe marcavam 40 pontos em um mesmo jogo nos playoffs. 

Depois da derrota nas finais, os Warriors contrataram o ala Kevin Durant, alcançando cinco finais consecutivas (de 14/15 à 18/19) com três títulos conquistados no período. A geração dos “Splash Brothers” se tornou a mais vitoriosa da franquia e uma das maiores dinastias da história da NBA, sendo inclusive a primeira equipe desde o Boston Celtics dos anos 50/60 a alcançar cinco finais em sequência.