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Mazepin começa fundação para ajudar atletas que não podem competir por “razões políticas”

9 de março de 2022

(por Mattheus Prudente)

Após a sua demissão da Haas, o piloto russo Nikita Mazepin vai tentar ajudar outros atletas que passaram pela mesma situação. Nesta quarta-feira (9), o piloto lançou uma fundação para ajudar atletas que foram impedidos de competir por “razões políticas”. A mesma será mantida com o dinheiro que seria injetado na Haas pela UralKali, empresa de seu pai e antiga patrocinadora. 

“A fundação irá alocar recursos, financeiros ou não financeiros, para atletas que passaram a sua vida lutando para tentar chegar nas Olimpíadas ou Paraolimpíadas, ou outros eventos de nível mundial e foram barrados dessas competições só por conta do passaporte que eles possuem. 

Ninguém está pensando no futuro desses atletas. A fundação irá incluir atletas de todas as zonas de conflito. Nossa porta está aberta para todos. Nós iremos começar com a equipe paralímpica da Rússia, que foi banida dos jogos mesmo sendo dito que eles poderiam viajar para Pequim.” Disse Mazepin. 

A fundação, de nome “We Compete As One”, também irá criar empregos e dar apoio psicológico para todos os afetados pela guerra na Ucrânia. Mazepin foi demitido da Haas mesmo após a FIA ter permitido que atletas russos competissem sob bandeira neutra. O piloto afirmou que teria assinado o documento com as regras para pilotos russos que a FIA disponibilizou, e se disse chocado pela notícia de sua demissão criticando a equipe. 

“Eu não esperava que a Haas iria quebrar o meu contrato. Foi uma situação muito dolorosa e inesperada para mim. Eu acredito que eu deveria ter recebido mais suporte, pois não tinha nenhum impedimento legal para a equipe quebrar o meu contrato. Eu perdi o meu sonho. 

Eu sou um jovem de 23 anos, e eu não estava pronto. Eu não recebi nenhuma notícia antes disso, ou nenhum suporte para receber a notícia, só ‘essa foi a decisão que tomamos. Vai ao ar em 15 minutos. Esteja pronto.’” Disse Mazepin. 

O piloto também foi enfático ao falar que não confia mais na Haas e, se ele tiver a oportunidade de voltar à F1, não quer correr mais por eles. Ele revelou que recebeu mensagens de apoio de vários pilotos do grid, como George Russell e Charles Leclerc, mas nenhuma de Mick Schumacher, seu companheiro de equipe. Ao falar do alemão, Mazepin disse que “conheceu a verdadeira face daqueles que estavam ao seu redor.” 

A Haas ainda deve ter um problema judicial envolvendo a Uralkali, já que a empresa deve exigir um reembolso de todo o investimento feito para a temporada 2022 pela companhia. A equipe anunciou que Kevin Magnussen irá tomar o lugar de Mazepin para as próximas temporadas, retornando após uma temporada afastado. 

Falando sobre a guerra, Mazepin disse que as pessoas que vivem fora das zonas de conflito têm uma visão diferente daqueles que são nativos, e que teve amigos e parentes que se viram dos dois lados do conflito. Ele não respondeu se era diretamente contra a guerra, apenas afirmando que “já deu a sua visão e o seu ponto sobre a situação.”