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Marcus Ericsson vence em final épico das 500 Milhas de Indianápolis

29 de maio de 2022

(Por Jefferson Castanheira)

Back Home Again In Indiana. A 106º Edição das 500 Milhas de Indianápolis foi mais um absurdo de espetacular. Duelo absurdo pela vitória, ultrapassagens geniais e um final épico. A primeira vitória de um sueco desde Kenny Brack. O retorno da Chip Ganassi ao topo do maior templo do automobilismo mundial. A terceira vitória do tão contestado Marcus Ericsson, tão criticado – algumas vezes com razão. A pista escolhe o vencedor, essa é a mística de Indianapolis. Tivemos bandeira vermelha, relargada com duas pro fim, mas nada poderia estragar uma atuação digna de Masterclass do piloto sueco, com defesas incríveis nas voltas finais contra Pato O’Ward pela vitória. 

A prova começou com Scott Dixon perdendo a primeira posição logo de cara para Alex Palou, mas como sabemos, a Indy 500 não se vence nas primeiras voltas, onde os pilotos estudam como os carros se comportam na turbulência e como rendem nela, além de conservação de combustível para estender a primeira janela de pit stops. Helio Castroneves adotou uma estratégia de conservação de combustível, e na primeira parada de bandeira verde não mexeu sequer no carro, apenas trocando pneus e reabastecimento. Com isso, o brasileiro sinalizava que tinha um carro muito rápido, que poderia ir mais longe. Dixon e Palou trocaram entre si a primeira e a segunda colocação, poupando combustível utilizando do vácuo para isso. A liderança foi compartilhada com Rinus Veekay, até que o holandês inaugurou o muro de Indianapolis batendo seu belo carro laranja com 40 voltas completadas. 

Antes da segunda janela de pits, Callum Illott estancou o carro no muro com batida idêntica á de Veekay, e Alex Palou acabou entrando nos boxes com eles fechados, o que parecia acabar com as chances do espanhol de vencer a prova por ser punido por esse motivo. Ainda assim como Illott e Veekay, o ex-Fórmula 1 Romain Grosjean foi para o muro da mesma forma, traseirando na curva 2 devido ás condições de vento. A aerodinâmica foi a chave para a vitória e consistência dos pilotos.

Tony Kanaan se manteve o tempo todo entre os primeiros, sempre membro do Top 10 assim como Helio Castroneves foi escalando até chegar no Top 10. Com 50 voltas pro final, o caos tomou conta da prova e todos apostavam suas fichas nas voltas de reabastecimento. Alexander Rossi passou a dar show de ultrapassagens, escalando também o grid. Scott Dixon e Pato O’Ward passaram a trocar ultrapassagens em duelos extraordinários, com as McLarens chegando cada vez mais na ponta da prova. Scott Dixon parecia sozinho como a Ganassi, mas Marcus Ericsson apareceu pra render mais. Scott McLaughlin perdeu o controle de sua Penske, muro para o então líder do campeonato. 

As apostas jogaram Tony Kanaan para o Top 5, mas acabaram com Scott Dixon. O neozelandês que se transformou no piloto que mais liderou voltas em Indy 500 cometeu um erro de puro nervosismo, tomando punição após queimar o limite de velocidade na entrada dos pits. Marcus Ericcson, Pato O’Ward e Tony Kanaan eram o Top 3. Helinho não conseguiu manter o ritmo e acabou caindo pra P9. Tudo parecia garantido pra vitória de Marcus Ericsson, tão rápido com sua Chip Ganassi liderando por 4 segundos na frente de Pato e Tony. Até que Jimmie Johnson encontrou o muro de Indianapolis ao pisar na faixa interna de concreto e trouxe um final épico para Indianapolis.

Com quatro voltas para o fim, bandeira vermelha. A prova foi interrompida para que acabasse em um duelo absurdo. Ericsson, Pato, Kanaan, Rosenquist e Rossi eram os cinco primeiros. A bandeira verde veio com 2 para o fim. A pista escolhe o vencedor. Marcus Ericsson não só tinha o melhor carro, mas tinha a melhor condução. Na relargada, Pato O’Ward quase ultrapassou o sueco, mas com manobras espetaculares de defesa, com zig zags, com tudo o que tinha direito, Marcus Ericsson veio pra vitória. O mexicano Pato O’Ward ficou em segundo, com Kanaan em terceiro e Rosenqvist em quarto. Helinho no fim usou de tudo o que tinha e realizou ultrapassagens até chegar em sétimo, vinte na frente da posição de largada. 

Os ventos de Indianapolis colocaram Ericsson no topo. O sueco mais feliz do mundo depois de passar por tanto. A pista de Indianapolis é conhecida por dar redenção aos seus competidores, e de fato, essa lenda é verdadeira e não poderia ter escolhido melhor redentor do que Marcus Ericsson.