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Lutadores fantásticos até uma derrota contundente; o fator psicológico pode determinar o fim de uma era?

19 de julho de 2021

(por Murilo Paiva)
 

Na tão esperada terceira luta entre Conor “Notorious” McGregor e Dustin “Diamond” Poirier, o irlandês saiu derrotado, por uma lesão grave na perna esquerda, no primeiro round. Frustrando assim toda a expectativa criada em tal evento. Será que Notorious vai conseguir superar as dificuldades e ter o seu braço levantado novamente? 

No mundo dos esportes profissionais de alto rendimento, o físico é de suma importância. Porém, não menos importante, o psicológico de um atleta pode determinar o rumo de uma carreira. E no mundo do MMA não é diferente. O psicológico já interferiu diretamente na trajetória de campeões e ótimos atletas. Podemos listar vários lutadores que estavam no seu auge, quando um simples deslize fez a carreira tomar um caminho totalmente diferente. Um exemplo bem famoso é o do nosso multicampeão Anderson “The Spider” Silva. Ninguém contesta a história que o brasileiro construiu, afinal de contas foram diversos títulos em várias organizações, chegando no UFC à incrível marca de 10 defesas de título consecutivas, um marco. Entretanto, após perder o cinturão de forma inconsequente para Chris Weidman, em julho de 2013, Anderson nunca mais teve uma atuação de gala e acumulou mais derrotas do que vitórias no UFC (nove lutas, sendo sete derrotas, um No Contest e apenas uma vitória). 

Outros nomes também aparecem nessa lista, como Renan Barão. Campeão do peso-galo que até chegar à luta onde perdeu o cinturão para TJ Dillashaw, contava com 32 vitórias em 34 combates. Após a perda do cinturão, Barão nunca mais conseguiu impor o seu jogo agressivo, acumulando sete derrotas em nove lutas disputadas.

Outro que não podemos deixar de citar é o campeão do povo, José Aldo, talvez o maior lutador peso-pena da história do UFC, mas que infelizmente deixou que Conor McGregor entrasse em sua mente e acabou perdendo o cinturão para o irlandês no primeiro round. Logo em seguida ao combate, McGregor renunciou ao cinturão, dando brecha para o Aldo retomar o título interino contra Frank Edgar. Mas, o brasileiro teve o seu reinado interrompido novamente quando confrontou o havaiano Max Holloway. A verdade é que após a sua derrota (de maneira inocente) para o irlandês, Aldo acumulou cinco derrotas em nove combates, mas sem o brilho característico de antes.

Essa lista não fica reservada apenas aos brasileiros. Um lutador que chegou com pé na porta na divisão dos pesos-galos foi o americano Cody “No Love”  Garbrandt. Após uma sequência de 10 vitórias ele ganhou a oportunidade do cinturão contra nada menos do que Dominick Cruz (um dos melhores pesos-galos da história do UFC). Quem assistiu a luta sabe que Cody “brincou” de lutar e deixou o campeão confuso, com várias sequências e esquivas impressionantes. Até o momento, o mundo da luta achava ter encontrado um campeão dominante. Entretanto, em sua primeira defesa do cinturão, acabou sucumbindo ao também americano TJ Dillashaw. Em seguida, Cody acabou acumulando uma sequência de três derrotas em quatro lutas. 

Chris Weidman, o campeão que venceu Anderson Silva também foi insuficiente após o seu revés que o fez perder o cinturão para Luke Rockhold. Depois da perda do título, ele acumulou cinco derrotas em sete combates.

Sabemos que para toda regra, temos as exceções, lutadores que mantiveram o seu histórico de maneira brilhante, de forma invicta, como Khabib “The Eagle” Nurmagomedov, que resolveu se aposentar com o cartel de 29–0. 

Lembramos de outro lutador formidável, George St Pierre, que teve em sua carreira o cartel de 26-2. Mas, um fato que chama a atenção para GSP foi ele ter conseguido o título em uma categoria nova (pesos-médios) sobre o até então campeão, Michael Bisping, após quatro anos sem se apresentar no octógono, um feito incrível.

Por fim, não podemos deixar de citar um lutador, que é apontado por muitos, como o melhor de toda história, Jon Jones. “Bones” acumula 26 vitórias, um No contest e apenas uma derrota (decorrente de cotoveladas ilegais). Mas, o caso de Jones chega a ser mais complexo, pois o seu maior rival não se encontra do outro lado do córner e sim dentro dele mesmo. Ele chegou a ser pego no exame antidoping e se envolveu em diversos escândalos nos tribunais.

Por isso vamos aguardar para ver qual McGregor encontraremos após sua lesão. Será um Conor ressurgido das cinzas ou um Notorious que provou do seu próprio veneno e estará com o psicológico afetado? Será que ele também perdeu a “alma” e não voltará a vencer? É esperar para ver.