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Kevin Huerter se destaca, Atlanta Hawks controla as emoções e elimina os 76ers na Filadélfia 

21 de junho de 2021

(por Rafael Lima)
 

Jogo 7. Uma palavra e um número que juntos, para a maioria das pessoas, não tem nenhum significado especial, mas para o fã de basquete representam muito. Emoção, espetáculo, lembranças, jogos 7 são o que existe de mais emocionante numa temporada de NBA, pois é vencer ou adiar o sonho do título por mais uma temporada. Quando essa sétima partida envolve times que há muitos anos não conquistam o campeonato e estão vivendo uma acirrada rivalidade, repleta de provocação, ela se torna imperdível, com grandes chances de se tornar inesquecível. E, assim, aconteceu mais um capítulo para a história do melhor basquete do mundo. 

O jogo começou frenético, com os times bastante agressivos, variando ataques à cesta  com bolas do perímetro, com Atlanta ligeiramente melhor, mas logo Philadelphia igualou as coisas. Kevin Huerter era o elemento surpresa com as mãos quentes. O Wells Fargo Center era testemunha de um verdadeiro tiroteio com os times em “ritmo de videogame” sem ninguém conseguir abrir uma vantagem de mais de uma posse. 

O equilíbrio seguiu grande durante todo o primeiro quarto, mas Trae Young não tava em seus melhores dias, enquanto Embiid e Tobias Harris chamavam a responsabilidade pelos 76ers. Desta forma o time da casa terminou o período inicial na frente (28-25).

No segundo quarto o Atlanta Hawks veio mais quente, com uma marcação forte no garrafão é bem nos ataques do perímetro, dessa forma a equipe abriu uma “run” de 8 a 0, se estabelecendo na frente. Porém, Philadelphia não deixava os visitantes desgarrarem. O jogo era muito bom!

Os times seguiam alternando acertos e erros. Young não ia bem, mas Collins e Huerter compensavam, só que do outro lado Seth Curry começava a dar seu show de arremessos de fora certeiros. Partida com cara de decisão neste primeiro tempo. Desta forma Atlanta foi para o intervalo com a vantagem de uma posse de bola (48-46).

O duelo voltou tenso, equilibrado, brigado e com os times jogando em velocidade na transição, sem se utilizar de tramas mais longas de ataque. O ritmo frenético seguia. Nesta toada nenhuma equipe conseguia abrir mais de uma posse de vantagem, tornando o jogo emocionante e imprevisível. Atlanta precisava de mais contribuição de Trae Young, enquanto os Sixers precisavam de ajustes defensivos para contestar arremessos de média e longa distância. 

O embate seguia parelho, mas uma falta técnica de Dwight Howard desandou um pouco Philadelphia e, finalmente alguém conseguia colocar mais de uma posse de vantagem. Os Hawks abriram cinco pontos e, após mais um erro dos anfitriões, chegaram em sua maior diferença no jogo, colocando 7 pontos de frente na reta final do terceiro período, que apesar disso, acabou com o placar favorável para Atlanta em 76 a 71.

O quarto período começou com as estrelas Ben Simmons e Joel Embiid chamando a responsabilidade e, em menos de dois minutos jogados, o placar já estava novamente igual. O nervosismo aflorou dos dois lados, com Trae Young um tom a mais nas reclamações. 

Faltas, brigas e encaradas aconteciam a cada lance, porém, os times tinham muita dificuldade em pontuar. Mas, uma cesta com falta convertida de Tobias Harris colocou finalmente Philadelphia com suas posses na frente. 

Trae Young entrou mais no jogo e os Hawks conseguiram a virada novamente, mas logo o confronto voltou a sequência de “abre dois e o adversário empata”. Kevin Huerter explorava muito bem a marcação falha de Seth Curry e ele era o coadjuvante que fazia a diferença.

Além de Huerter, Trae Young resolveu jogar, chamou a responsabilidade e, com uma bola de três pontos do meio da rua, colocou duas posses de frente faltando menos de dois minutos. 

Philadelphia se aproximou novamente no placar, porém, Thybulle fez uma falta infantil em Huerter quando o jogador de Atlanta estava arremessando do perímetro, dando três lances livres para o ala-armador dos visitantes. E, assim, a vantagem dos Hawks voltava para quatro pontos, com menos de um minuto por jogar. Na sequência, Gallinari foi clutch na defesa, roubando a bola de Embiid e aproveitando para enterrar e abrir seis de frente, praticamente sacramentando a vitória. 

Depois disso, foram erros de Philadelphia e lances livres para Atlanta, colocando os desacreditados Hawks na final da Conferência Leste. Nos últimos segundos, a revoltada torcida dos Sixers lançou uma lata na quadra. 
 

Final: Atlanta Hawks 103-96 Philadelphia 76ers
 

 

O Atlanta Hawks surpreendeu a todos no mundo da NBA conseguindo chegar a uma improvável final de conferência, onde mais uma vez entra como azarão. O time demonstrou que possui uma artilharia pesada, mas, mesmo com os ajustes defensivos de Nate McMillan, desde quando assumiu a equipe, ainda precisa melhorar muito defensivamente para encarar o Milwaukee Bucks, que é bem mais completo do que Philadelphia e NY. 

Nesta partida histórica, vale ressaltar os trabalhos de Kevin Huerter, cestinha de Atlanta com 27 pontos, contribuindo também com 7 rebotes, e do decisivo Trae Young, que marcou 21 pontos e deu 10 assistências. 

Do lado do Philadelphia 76ers, o erro na montagem do caro elenco, que possui apenas Embiid como jogador decisivo, pesou. Ben Simmons começa a ser questionado por ter um abismo entre sua ótima capacidade defensiva e o seu desempenho duvidoso ofensivamente. Além disso, Tobias Harris é uma terceira estrela muito cara, recebendo o 14° maior salário da liga, sem ser uma superestrela. É bem provável que exista uma reformulação nos Sixers, numa espécie de “Trust The Process 2 - Aparando as arestas”.

No duelo decisivo, Embiid anotou 31 pontos e 11 rebotes, Harris fez 24 pontos e 12 rebotes e Simmons, completamente pagado, entregou 5 pontos, 8 rebotes e 13 assistências, muito pouco para um All-Star em um jogo de vida ou morte.