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Kareem Abdul-Jabbar, jogadores negacionistas e o silencio da NBA diante desse impasse

27 de setembro de 2021

(por Sérgio Viana)

 

Kareem Abdul-Jabbar teve uma carreira maiúscula na NBA, e é definitivamente um dos maiores jogadores de todos os tempos, quase uma unanimidade entre todos que vivem o basquete e a NBA. Entretanto, um tema específico tem incomodado o Hall da Fama e multi-campeão: a postura da liga diante dos jogadores negacionistas que se recusam a tomar a vacina.

Em entrevista recente à Revista Rolling Stone, KAJ disparou contra a postura da liga: “A NBA deve insistir que todos os jogadores e funcionários sejam vacinados ou removê-los do time. Não há espaço para jogadores dispostos a arriscar a saúde e a vida de seus companheiros, da equipe e da torcida simplesmente porque não conseguem entender a gravidade da situação ou fazer as pesquisas necessárias.”

A NBA não encontrou até o momento uma forma de convencer todos os jogadores a se vacinarem. Os atletas não são obrigados a se vacinar. Atitude que é no mínimo hipócrita, uma vez que há uma exigência em relação aos árbitros, funcionários e comissões técnicas das equipes, que precisam estar imunizadas até 01 de outubro.

A mensagem que a liga passa em um momento de pandemia mundial não é nada positiva.

O que acho especialmente hipócrita sobre os negadores da vacina e sua arrogância em não acreditar na imunologia e em outros especialistas médicos. No entanto, se seu filho estivesse doente ou eles precisassem de tratamento médico de emergência, com que rapidez eles fariam exatamente o que os mesmos especialistas lhes disseram para fazer? ” – continuou KAJ em suas respostas por e-mail à Matt Sullivan.

E KAJ tem razão.

O Sindicato dos Jogadores Profissionais da NBA, até o final da temporada passada dirigido por Chris Paul e hoje comandado por CJ McCollum, tendo Grant Williams como vice, teve postura enérgica para cobrar uma postura da liga após o episódio George Floyd, onde jogadores usaram sua imagem para corretamente enviar uma mensagem relevante que não aceitariam mais situações como a que culminaram com a morte de Floyd. Vários jogadores caminharam juntos nos protestos que se estenderam por semanas em um país inflamado em plena pandemia.

KAJ se diz especialmente decepcionados com os jogadores negros: “Ao não encorajar seu povo a tomar a vacina, eles estão contribuindo para essas mortes. Também estou preocupado em como isso perpetua o estereótipo de atletas burros que são incapazes de olhar para evidências científicas verificadas e chegar a uma conclusão racional ”.

Esse mesmo sindicato agora se cala diante da postura de seus membros, no mesmo momento que cidades como Nova York e San Francisco, tomam medidas restritivas para que os jogadores apresentem prova de vacinação para jogarem em ambientes fechados, exceto com comprovada restrição médica ou religiosa.

Se um cara não está sendo vacinado por causa da religião dele, sinto que estamos em um momento em que religião e ciência tem que ir juntas ”, disse Enes Kanter, jogador dos Celtics, Muçulmano devoto. “Isso salva a vida das pessoas, então o que é mais importante do que isso?” – completou.

Infelizmente vivemos momentos sombrios, onde o negacionismo e a pós-verdade, sobrepõem a verdade dos fatos e principalmente a ciência.

Ídolos em esportes de grande impacto mundial como a NBA, exercem papel importante de influência de comportamento. Parte importante de suas polpudas remunerações provenientes de patrocinadores, vêm exatamente da capacidade desses de se comunicar com fãs ao redor do mundo. Seria absolutamente natural que eles exercessem esse papel de conscientização e exemplo de qual postura seguir onde as duas únicas armas comprovadamente eficazes na luta contra o COVID-19 são o distanciamento social e a vacinação.

Mas parece que isso não se aplica para pouco mais de 10% dos jogadores da NBA.

Falsos ídolos, como Kyrie Irving, buscam soluções de contorno para não se vacinar e interagem com conteúdo negacionista na web, ídolos que não se posicionam para dizer que se vacinaram, como LeBron James, são apenas exemplos de como os dois pesos e duas medidas e a hipocrisia norteiam as ações desses jogadores.

Adam Silver que se vire para resolver essa 'bucha'.