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Jorge Jesus: a linha tênue entre oportunidade e falta de ética

6 de maio de 2022

(por Mattheus Prudente)

Um dos principais assuntos dos últimos dias no futebol brasileiro foi a declaração de Jorge Jesus em relação do seu retorno ao Flamengo, mesmo que a equipe carioca tenha Paulo Sousa como técnico empregado no momento.  

Essas declarações são mais uma demonstração da falta de ética que existe, muitas vezes, no futebol, tanto com jogadores quanto com treinadores. A ética se confunde com a oportunidade. A vontade de se dar bem acaba se confundindo com a vontade de prejudicar alguém, e isso não é nenhuma novidade dentro do esporte. 

Não é ético largar uma seleção que está próxima de se classificar para uma Copa do Mundo para assinar com outra equipe. Não é ético demitir um treinador com apenas 20 dias de trabalho por conta de outro treinador que demonstrou interesse em assumir o time. Não é ético largar uma agremiação no meio do campeonato para assumir outra. 

Mas existe uma diferença. 

Claro, todos esses podem argumentar que estavam apenas aproveitando uma oportunidade de fazer a sua equipe melhor, ou de melhorar a sua carreira nos casos dos treinadores. O que Jorge Jesus fez foi tentar criar uma oportunidade jogando a torcida em cima de Paulo Sousa, usando a sua primeira passagem para tal. 

Isso é baixo. Tão baixo que ninguém está apoiando a situação. A torcida do Flamengo não pode corroborar com esse tipo de coisa, pois, se a equipe realmente obedecer a esse prazo, terá uma mancha na sua história, a confirmação de que o português está se tornando um "dono do time". 

Façam as críticas que forem necessárias à Paulo Sousa, mas nunca apoiem tirar um treinador da forma que Jesus está querendo arrancar. Se isso acontecer, o que nós vamos virar? Será que veremos outros treinadores de sucesso em equipes podendo voltar a hora que quiserem por conta de amizade com a diretoria?  

Isso não existe. Isso não é ético e vai contra o esporte.