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Impressões sobre o filme Schumacher 

30 de setembro de 2021

(por Bruno Braz)

Após assistir o filme Schumacher e refletir por um tempo, é difícil dizer o que a obra me causou, mas confesso que trouxe emoção, além de uma outra face desconhecida do alemão.

Tentando comentar sem dar spoiler, gostei muito da história de vida da família, desde a infância com seus perrengues, até a ajuda externa, e outras coisas mais, que foram fatos desconhecidos pela maioria dos fãs (eu, ao menos, desconhecia grande parte) que o levaram até a Fórmula 1.

Era uma carreira que, para qualquer um, estaria predestinada ao ostracismo. E não foi. Bem longe disso. Os melhores estão sempre acompanhados de sorte e ela sorriu para ele. Willi Weber parece que, de fato, foi um divisor de águas em sua história. E se o retrato for verdade, fica difícil compreender o motivo dele ser excluído do círculo restrito ao qual Schumacher está, desde de seu acidente. Deve ter mais alguma coisa aí, mas é provável que nunca saberemos os reais motivos.

A parte familiar e de bastidores nos traz uma visão única, bem diferente do personagem piloto ao qual fomos acostumados durante anos e anos. Um cara família, alegre, protetor e referência para todos os que o cercam. A mim, pareceu até uma pessoa bastante simples e bacana.

O quesito profissional, para mim, que aborda o piloto, foi fantástico. Método de trabalho muito forte em grupo, força mental e resistência a pressão. Quem diria que esteve na berlinda na Ferrari? Pois é. Ayrton Senna passa pelo filme, de maneira rápida, mas precisa. Nem precisava ter muito, afinal, a história é sobre Schumacher, mas a parte em que mostra o nascimento da rivalidade, que o mundo perdeu com a morte de Senna, foi muito interessante. Sempre achei a trajetória de ambos muito parecida. Galvão Bueno vivia criticando o alemão em 92 e 93. Lembram? Michael bateu algumas vezes, era impetuoso em outras, mas sempre foi muito rápido. Isso lembra algum outro piloto? 

Também tivemos uma abordagem de momentos em que Schumacher deu uma ou outra espanada, que acabaram marcando sua carreira. Jean Todt e Ross Brawn, contando alguns detalhes, dão um peso muito legal ao filme.

Enfim, a obra retrata um gênio que merece todas as reverências. Foi emocionante sim. Valeu a pena cada minuto. A mim, trouxe também uma tristeza. Esses caras, para nós, fãs de automobilismo, carregam uma aura de super-heróis. A prova de balas e qualquer outra intempérie que possa ocorrer. Mas, não são. A vida, eventualmente, nos mostra que os maiores, no fim, são humanos, como eu e você. E isso nos trás um lembrete: o dia nasce para todos, sem exceção. A persistência traz frutos. Os "super humanos" têm isso em comum: muito trabalho e dedicação.

E para você, que ficou triste por Barrichello não aparecer no filme (ok, esse spoiler vou dar): contente-se. Imagens creditadas como Schumacher na pista, em meio àquela disputa, são do Barrichello. Agora, depoimentos, depois de  algumas cobras e lagartos ditas após anos de Ferrari, não têm. E é perfeitamente compreensível.

Até a próxima.