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A hipocrisia da F1 em meio a explosões na Arábia Saudita

25 de março de 2022

(por Bruno Braz)

Pois é. A F1 é hipócrita. 

O que vale são os milhões do bolso da Liberty Media. Para isso, vale tudo. Condenar por um lado e passar um pano por outro, por conveniência, são coisas normais para a F1.

Essa é a parte do esporte que eu odeio. O dinheiro fala. E fala alto, aos berros.

Vamos voltar rapidamente para 2020. O mundo cancelava tudo. Se fechava, enquanto o até então desconhecido COVID19, se espalhava.

Todos os eventos esportivos naquela altura estavam cancelados. Futebol, MotoGP, modalidades mundiais diversas. Tudo em prol do senso comum e do sentimento de preservação.

E a F1, naquele contexto, o que fez? Forçou até o último momento a realização da etapa na Austrália. Cancelaram o evento faltando parcas duas horas para o primeiro livre. Não fosse um teste positivo com um membro da McLaren e o consequente abandono da etapa do time inglês, iriam seguir forçando a barra, em sua grande bolha financeira.

Essa é a F1.

Voltando aos dias atuais, na onda do politicamente correto, a F1 cancelou o GP na Rússia. Decisão errada? Não. Decisão certa. Mas isso não é porque são bonzinhos. É uma simples pressão mundial. Iria queimar demais o filme. 

E a F1, hoje, está na Arábia Saudita, como se lá fosse um lugar modelo, sem guerras, com respeito aos direitos humanos, em mais uma passada de pano. Por que? Pelos milhões de dólares, meu amigo. Pelos dólares!

O treino livre 1 estava rolando enquanto uma refinaria da Aramco, bem perto da pista, explodia, em um ataque rebelde.

Isso, por si só, já seria motivo para empacotar tudo e voltarem para as bases. Mas, estamos falando da F1 e sua bolha financeira. 

Ao melhor estilo "toca o pau", seguiram como se nada estivesse acontecendo.

"Estamos todos aqui. Nos sentimos seguros. Tudo continuará normalmente", disse Stefano Domenicali, o executivo chefe.

O grupo terrorista Houthi, disse ser o responsável pelo ataque, afirmando que realizaram diversos ataques com drones e mísseis na Arábia Saudita, incluindo a refinaria, próxima ao circuito. 

Mas está tudo bem, disse Stefano. Parece piada.

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã... todos na sua guerra, deixando um rastro de morte e miséria. 

Segundo a ONU, a estimativa é de que já tenham morrido, mais de 370.000 pessoas nesse conflito, no Iêmen. 60% desse total, por miséria causada pela guerra (doenças por falta de condições mínimas sanitárias, por exemplo).

Ainda, a Organização das Nações Unidas, classifica esse conflito como o mais pesado do mundo, prevendo que 19 milhões de pessoas no Iêmen não terão o que comer nos próximos meses. 5 milhões já não tem. 4 milhões estão nas ruas, sem abrigo. Dois terços do país precisando de ajuda humanitária.

E diante desses fatos todos, soma-se que o país sede deste final de semana, a Arábia Saudita, é conhecida por não respeitar os direitos humanos, desrespeitando direitos de mulheres, proibindo determinadas religiões e posições políticas. Pessoas morrem por ser contra o governo.

Pessoas são decapitadas em praça pública, com confissões sendo obtidas mediante tortura.

Olha, é só dar uma pesquisada no google em fontes confiáveis para ficar estarrecido.

Pois bem.

Não ir para a Rússia por que? Pela guerra? Pelos direitos humanos? Pelo o que, afinal? Apenas por pressão mundial. A diferença, é que ninguém no ocidente dá muita bola para o que acontece no Oriente Médio e na África. Então, a F1 pode seguir sendo hipócrita dentro de sua bolha de milhões de dólares.