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(por Sérgio Viana)

Lewis Hamilton segue sua cruzada anti-racista com a mesma energia e compromisso que entrega como um dos maiores pilotos de F1 de todos os tempos. Quem acompanha minimamente o Heptacampeão mundial, sabe que ele cada vez mais se utiliza de sua imagem para trazer luz para a essa agenda.

Hamilton, que já é figura carimbada do ‘Met Gala’, surpreendeu com uma atitude que foi descrita como uma espécie de reparação: ele comprou uma mesa para o evento e convidou três designers negros para compor a mesa com ele.

“Para mim, essa noite, eu sou anfitrião em uma mesa. Eu trouxe três incríveis e talentosos designer negros. Vamos exaltar a beleza, excelência e talento”, disse Lewis à Vogue.

Kenneth Nicholson, Theophilio e Jason Rembert foram os designers convidados por Lewis Hamilton, e também dividiram a mesa com os estilistas Law Roach, Alton Mason, Kehlani e os atletas Miles Chamley-Watson e Sha’Carri Richardson. A ideia de Hamilton é dar oportunidade a artistas negros que, talvez, demorassem mais tempo para conseguir uma oportunidade de ir ao MET ‘Gala’.

“O ‘Met’ é o maior evento de moda do ano e, para esse tema, eu queria criar algo que fosse significativo e gerasse uma conversa. Para que, quando as pessoas nos virem todos juntos, isso colocará esses designers negros no topo das mentes das pessoas”, completou o britânico, ciente do impacto que causou.

Hamilton é um dos esportistas que mais erguem a voz quando o assunto é racismo.

Ele percebeu que ser pioneiro em uma categoria como a Fórmula 1, ser protagonista por quase 15 anos, ocupar o topo do pódio, ainda sim, tudo isso não seria suficiente para abrir as portas da categoria para outros jovens negros.

O ano de 2020 foi decisivo nesse contexto para o campeão inglês, que inflamado pelo episódio George Floyd, usou de sua força para mudar a cor dos carros de sua equipe, a tradicional flecha de prata foi pintada na cor preta para marcar posição. Além disso, a montadora adotou o slogan “racing by diversity and inclusion” e se comprometeu a adotar uma postura de recrutamento na empresa mais diversa.

Hamilton já saiu em defesa de vários esportistas vítimas de racismo, mas nem ele mesmo está isento. Em julho passado, após um acidente com seu rival nas pistas, o holandês Max Verstappen, uma avalanche de comentários racistas foram publicados no perfil da Mercedes, incluindo menções e emojis de macaco.

Esse tipo de reação parece servir apenas de farol para guiar Hamilton e mantê-lo firme nesse propósito. O mundo não aceita mais que as pessoas simplesmente não sejam racistas, você precisa ser anti-racista.

Não basta mais usar o discurso de diversidade como agenda confortável para se manter fora do radar. É preciso que se discuta de fato uma agenda de inclusão para que não tenhamos mais que discutir esse tema como sociedade.

O esporte tem papel fundamental nesse contexto e, felizmente, Lewis Hamilton sabe disso.