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Há exatos 20 anos, Helinho e Gil de Ferran faziam uma dobradinha brasileira nas 500 Milhas de Indianapolis

27 de maio de 2021

(por Jefferson Castanheira)
 

2001 foi um ano incrível para o automobilismo brasileiro. Na CART World Series, Gil de Ferran foi o grande campeão da categoria, conquistando o antepenúltimo título brasileiro na categoria (unificando IRL e CART, tornando-a IndyCar Series). Gil, que já era campeão da CART em 2000, conquistou o bicampeonato em 2001, mas, além disso tudo, as Penske’s de Gil de Ferran e Helio Castroneves foram se aventurar também na IRL (Indy Racing League), para disputar as 500 milhas de Indianapolis.

O grid de largada para aquela Indy 500 de 2001 tinha Scott Sharp na pole position, com Greg Ray e Robby Gordon completando a primeira fila. Gil de Ferran largara em 5º, enquanto Helio Castroneves saía da 11ª colocação. Bruno Junqueira, Airtor Daré e Felipe Giaffone também participaram desta edição, que inclusive foi marcada pela maratona física de Tony Stewart, campeão da IRL de 1997 e também campeão da NASCAR em 2005 e 2011, que participou das 500 Milhas de Indianapolis e, no mesmo dia, viajou para Charlotte, nos EUA, para disputar as 600 Milhas Coca-Cola, a prova mais longa da NASCAR Cup Series. 

Logo na curva um, Scott Sharp cometeu um erro grotesco, pisando na grama interna e indo direto para o muro entre as curvas 1 e 2. Após a relargada, mais um acidente, dessa vez com Sarah Fischer. A corrida finalmente teve ritmo e bandeira verde longa na volta 22, com Robby Gordon e Greg Ray dominando. Na volta 107, Jon Herb bateu na curva 1. Durante a amarela, a chuva começou a cair na pista. Michael Andretti liderou quando a chuva caiu, mas parou nos pits logo depois. Gil de Ferran herdou a liderança, com o companheiro de equipe da Penske, Hélio Castroneves, em segundo. 

Na volta 134, Cory Witherill rodou saindo da curva quatro. Todos os líderes foram para os boxes. Castroneves e de Ferran foram penalizados por saírem dos boxes incorretamente, dando a Tony Stewart a liderança pela primeira vez no dia. Stewart liderou até a chuva cair novamente na volta 149. Depois de Stewart entrar no box, Hélio Castroneves retomou a liderança. A chuva começou a cair mais forte na volta 155, tendo assim a bandeira vermelha interrompendo a prova. Após cerca de 10 minutos, o sol apareceu e a pista secou rapidamente. Depois de uma bandeira vermelha de 17 minutos, os carros foram para a pista novamente.

Hélio Castroneves estava em primeiro na relargada, seguido por Robbie Buhl, que tentou assumir a liderança na volta 159, mas foi bloqueado pelo brasileiro. Perdendo por menos de meio segundo na volta 166, Buhl repentinamente rodou ao sair da curva 2 e bateu no muro interno. Após a bandeira verde recomeçando a prova, Helio Castroneves segurou seu companheiro de equipe Gil de Ferran por 0,4838 segundos e venceu sua primeira Indy 500. A vitória de Helinho marcou o 11º triunfo de Roger Penske na Indy 500, e sua primeira dobradinha. 

Na volta da vitória, Castroneves parou na linha de chegada, saiu de seu carro e começou a se envolver em sua comemoração costumeira de escalar a cerca, para o deleite dos fãs, ganhando de vez a alcunha de “Spider Man”. 

A prova ficou marcada pela superioridade dos carros da CART em cima dos carros da IRL, já que os seis primeiros colocados foram todos os pilotos visitantes da CART. O primeiro piloto regular da IRL a terminar foi Eliseo Salazar em sétimo lugar, com uma volta a menos que os seis primeiros. 

A dobradinha brasileira foi narrada ao vivo na TV Bandeirantes, na voz lendária de Luciano do Valle. Foi a primeira das três vitórias de Helio Castroneves na Indy 500, além de ter sido também a primeira vitória de três seguidas do Brasil nas 500 milhas, já que Helinho venceu em 2002 e Gil de Ferran venceu também em 2003. Foi o ponto de exclamação da qualidade exorbitante de dois pilotos brasileiros que deram um show em Indianapolis.