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Há 9 anos perdíamos Dan Wheldon. Qual é a culpa da Indy nesta tragédia?

17 de outubro de 2020
1h 02

(por Jefferson Castanheira)

No dia 16 de outubro de 2011, direto de Las Vegas nos Estados Unidos, perdíamos Daniel Clive Wheldon, com apenas 33 anos de idade. Com o nome abreviado para Dan Wheldon, o piloto britânico, nascido em Emberton, na Inglaterra, foi um dos grandes pilotos a pisar em um autódromo no mundo todo. Inclusive, Wheldon ganhou duas vezes as 500 Milhas de Kart da Granja Vianna, aqui no Brasil, em 2004 e 2005. Wheldon sempre foi muito querido pelo povo brasileiro e, claro, por todo o certame automobilístico, afinal, com seu carisma gigantesco e uma técnica muito arrojada ao pilotar, o inglês ganhou fama e até o apelido de “Coração de Leão” por ser um piloto extremamente resiliente na pista. Dan Wheldon estreou na Fórmula Indy em 2002, vencendo sua primeira corrida em 2004, no GP de Motegi, sendo campeão das 500 milhas de Indianapolis em 2005, além do título da categoria no mesmo ano.

Dan Wheldon foi de fato um piloto fantástico e será lembrado por toda eternidade. Mas, o que levou o piloto inglês para este destino tão trágico, deixando esposa e filhos e partindo para o desconhecido mundo do desencarne? Wheldon aposentou da categoria no final da temporada de 2010, retornando apenas para as 500 Milhas de Indianapolis de 2011, onde foi vencedor de modo impressionante após JR Hildebrand chocar o carro contra o muro na última curva e na última volta da prova, fazendo com que o inglês, então segundo colocado, cruzasse a linha de chegada em primeiro após a batida histórica de Hildebrand. Depois, apenas correu na penúltima prova do campeonato em Kentucky chegando em 14º.

A última prova da temporada 2011 da Fórmula Indy foi programada para ser um espetáculo: A organização da categoria colocou para a derradeira decisão (que tinha Dario Franchitti, Scott Dixon e Will Power ainda com chances de título) no oval de 1.5 milhas e agressivos 22 graus de inclinação da pista de Las Vegas – mas, com um certo detalhe: US$ 5 milhões de dólares para o vencedor da corrida. A premiação milionária, praticamente insana, seria a maior da história do automobilismo, e claro, essa oferta gerou uma mudança radical na corrida derradeira do campeonato, já que oficialmente apenas 25 carros iriam disputa-lá por valer o título, mas a IndyCar Series decidiu que seriam 33 carros (com 7 pilotos participantes por fora) assim como Indianapolis.

O evento megalomaníaco soa muito ousado, claro. O problema é que muito disso não foi calculado na parte “física” da situação: Las Vegas é um tri-oval muito angulado, do qual os carros da IndyCar, com os chassis Dallara da época, não precisavam sequer soltar o acelerador na prova, atingindo dentro do vácuo comum a velocidade de 390 Km/h. A IndyCar havia corrido no oval anteriormente, mas com apenas 25 carros e ainda assim havia parado de competir no tri-oval por justamente motivos de segurança. Até hoje não se sabe qual foi a justificativa técnica da organização para defender tamanha maluquice, em vista que ovais maiores como Fontana e Michigan (ambos de duas milhas e considerados superovais e prontos para corridas com maior turbulência) seriam uma casa melhor para a final.

33 carros geram muito mais turbulência do ar em múltipla aceleração do que apenas 25. Ainda nos treinos já existia a preocupação do que poderia acontecer na pista. E, enfim, a preocupação não estava errada. Domingo, 16 de outubro de 2011, Volta 11 da prova. Wade Cunningham perder o controle do carro após tocar na roda traseira do canadense James Hinchcliffe durante uma disputa de ultrapassagem, levando ambos para o muro na curva 1. O problema é que com tamanha turbulência e um vácuo que praticamente “puxava” os carros pra frente, envolveram-se no acidente: Will Power (Penske) - que disputava o título -  o brasileiro Vítor Meira (A. J. Foyt Enterprises), Paul Tracy (Dragon Racing), J. R. Hildebrand (Panther), Jay Howard (Rahal Letterman Lanigan), Tomas Scheckter (Sarah Fisher Racing), Pippa Mann (Rahal Letterman Lanigan), Charlie Kimball (Chip Ganassi), Townsend Bell (Dreyer & Reinbold), Ernesto Viso (KV Racing), Alex Lloyd (Dale Coyne), Buddy Rice (Panther) e por fim, Dan Wheldon. O “coração de leão” como era chamado decolou na batida e foi diretamente para o alambrado. O maior acidente da história da Fórmula Indy resultou na morte imediata de Dan Wheldon, aos 33 anos de idade, por múltiplos traumatismos na cabeça, no corpo e hemorragia severa.



Logo após a confirmação da morte de Wheldon, os 19 pilotos que escaparam do acidente deram 5 voltas no circuito em homenagem ao piloto inglês. O resultado da prova não foi contabilizado para as estatísticas da IndyCar. O escocês Dario Franchitti, da Chip Ganassi Racing, conquistou o tetracampeonato da categoria, mas o resultado ficou em segundo plano com a tragédia. Franchitti foi companheiro de equipe de Wheldon na Ganassi, e o considerava um de seus melhores amigos.

A IndyCar Series é uma das responsáveis pela morte de Dan Wheldon, que batizou um carro “anti-decolagem” no chassis do ano seguinte, chamado de DW12. A lição foi aprendida mas era desnecessária, em vista que a categoria sempre conviveu de perto com a morte e sabia muito bem que fazer ou não para a segurança dos pilotos.

Wheldon partiu, deixou um legado nas pistas e uma necessidade gigantesca de calcular melhor a organização da categoria. A Fórmula Indy sempre foi conhecida pela sua velocidade e sua emoção e, infelizmente, também pela sua impulsividade, que prejudicou demais a categoria quando batalhava pela popularidade mundial com a Fórmula 1.