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GP do Azerbaijão - Do céu ao inferno, e ao paraíso direto; tudo sobre a corrida mais inesperada do ano

6 de junho de 2021

(por Bruno Braz)
 

Olá, leitores. Uma corrida morna até a metade, intensa do meio para frente e muito, mas muito dramática no fim.

A prova vinha morna até a metade. Vettel estava fazendo uma excelente corrida, a melhor em anos, digna de um tetracampeão, assim como Leclerc, Gasly, Tsunoda e Stroll. Eram bons personagens de um drama impensável que viria a acontecer. Alonso vinha ali no bolo, próximo da zona de pontuação, mas a maior parte do tempo, fora dos pontos. Vinham mal, até aquele momento, Ricciardo, Norris e Sainz, que cometeu um erro que custou posições. Bottas fazia uma corrida pífia, muito aquém da capacidade do carro que tem nas mãos. Não apareceu hoje o piloto com mais voltas lideradas em Baku, até o momento da largada.

O primeiro Pit Stop serviu para a Red Bull colocar seus dois carros nas primeiras posições. Hamilton caiu para terceiro, em mais um pit stop ruim da Mercedes. Daí para frente, Pérez foi forte o bastante para controlar as investidas iniciais de Hamilton e, depois, abrir vantagem. Estava posto o cenário dos sonhos para a Red Bull. Max na liderança tranquila, Pérez sossegado no segundo lugar, já tendo controlado Hamilton. A equipe não poderia esperar mais nada. E assim, a prova seguiu sem grandes ações, até que, pouco depois da metade, na volta 30, o primeiro Safety Car é acionado: o pneu traseiro esquerdo de Stroll, estourou na reta. O canadense foi direto para a parede, deixando a prova onde vinha bem. Era o quarto naquele momento, em uma estratégia diferente dos demais. A única grande mudança, com isso, foi que Mazepin, o único que tinha levado volta do líder, descontou a volta. 

Com o reinício da prova em bandeira verdade, o destaque ficou para Vettel, que deu show, ultrapassando Leclerc e partindo para cima de Gasly. Após os carros se estabilizarem na pista, a prova voltou para a tranquilidade e para dobradinha da Red Bull. A volta 38 dava a seguinte ordem de classificação: Verstappen, Pérez, Hamilton, Vettel, Gasly, Leclerc, Tsunoda, Norris, Sainz e Ricciardo, fechando os 10 primeiros. Alonso vinha em décimo primeiro, seguido de Raikkonen, Bottas, Giovinazzi, Latifi, Russell, Schumacher e Mazepin fechando a fila.

Na volta seguinte, Hamilton até esboçou um novo ataque sobre Pérez, mas sem sucesso. O mexicano estava muito consistente. Finalmente se encontrou com o carro. E tudo seguia para a dobradinha da Red Bull, quando, faltando cinco voltas para o fim, o drama: Max Verstappen também tem o pneu traseiro esquerdo furado, igualmente na reta, como Stroll. Foi direto para a parede. Fim de prova para o holandês. A expressão de Christian Horner era de velório. Um golpe muito forte nas pretensões da Red Bull. 

Nesse momento, tive certeza de que os torcedores de Max estavam desolados. Era a perda da liderança do campeonato. Lewis subia para segundo. Abriria 14 pontos de vantagem. A Red Bull estava, no inferno.

Prova interrompida. Por muito tempo. Uma eternidade para os fãs. Maior ainda para os torcedores de Hamilton, ávidos por comemorar, já esfregando as mãos, afinal, se Max não tinha errado nenhuma vez esse ano, capitalizando o máximo que poderia, Hamilton também estava muito consistente. Era 99% de certeza de sucesso. Só uma quebra mudaria as coisas. A sorte estava sorrindo com todos os dentes da boca para o inglês, que ainda trocou a asa dianteira de seu carro durante a interrupção da prova. Estava tudo muito favorável. A direção de prova resolveu que a largada seria no grid, com os carros parados, orientados pelas luzes de largada. Vettel tinha um pneu novinho, partindo de terceiro. Muitos pilotos com pneus macios. A prova seria definida, quase que com certeza, na relargada.

A ordem era: Pérez, Hamilton, Vettel, Gasly, Leclerc, Tsunoda, Norris, Sainz, Ricciardo e Alonso, fechando os 10 primeiros. Raikkonen vinha em décimo primeiro, seguido de Giovinazzi, Bottas, Russell, Latifi, Schumacher e Mazepin. Verstappen, Stroll e Ocon, fora da prova.

Todos se dirigem ao grid. Luz vermelha... Verde! Valendo!

“Hoje, não! Hoje, não! Hoje, não! Hoje, sim? Hoje sim???” O inimaginável aconteceu. Hamilton partiu para o ataque sobre Pérez. Chegou na curva 1 com a preferência, por dentro e... passou reto. Que erro foi esse?

A Red Bull, que estava no céu e foi ao inferno, nesse momento, pegou um atalho direto ao paraíso. Hamilton estava fora dos pontos e para lá, não voltaria. Eram apenas duas voltas restantes na prova.

No fim, Leclerc, Gasly e Norris abrem uma disputa frenética pelo último lugar do pódio, que ficou com o francês. Acho que nem os roteiristas de filmes de suspense fariam um roteiro tão dramático como essa prova se apresentou. Começou bem, ficou morna, beirou a chatice. Mudou tudo em um estouro de pneu e alterou de novo no erro de Hamilton. Restou ao inglês o "sorry guys" pelo rádio. Baita chance perdida.

A prova terminou com a vitória de Pérez, seguido por um fantástico Vettel e um ótimo Gasly fechando o pódio. Em quarto, Leclerc, seguido de Norris, Alonso com um ótimo sexto lugar, Tsunoda em sétimo, Sainz em oitavo, Ricciardo em nono e Raikkonen em décimo, fechando a zona de pontos. Décimo primeiro para Giovinazzi, seguido por um péssimo Bottas, Schumacher, Mazepin, Hamilton, atrás das duas Hass, e Latifi, após pagar um stop and go de 10 segundos no fim da prova.

E esse foi o GP em Baku. Sem dúvida, a prova que trouxe mais emoção até agora!

Até a próxima.