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GP de Sochi: 100ª vitória de Hamilton, Max gigante em segundo e Sainz fecha o pódio; Norris teima com a equipe e perde o primeiro lugar

26 de setembro de 2021

(por Bruno Braz)

Olá amigos! O que dizer desse GP? O grande prêmio da Rússia já começou com um tempero adicional, com a Mercedes trocando, deliberadamente, componentes da unidade de potência de Valtteri Bottas, forçando uma punição no grid de largada, mandando o finlandês para a décima sétima posição, deixando apenas dois carros entre Valtteri e Max. Daria certo? Se houvesse uma colisão entre ambos, o mundo seria tomado por um falatório sem fim e em altíssimo volume. Também havia previsão de chuva para a parte final do GP.

Quando as luzes apagaram, tivemos uma largada das mais movimentadas. Hamilton tracionou mal, caindo para sétimo. Ricciardo foi bem. Sainz parecia ter largado mal, chegando a perder o segundo lugar para Russell, mas o vácuo de Norris ajudou muito o espanhol, que chegou na primeira freada em primeiro. Alonso foi um que deu uma espalhada e não fez a curva pela pista, utilizando a área de escape. Verstappen terminou a primeira volta em décimo sétimo. Leclerc, excelente, de décimo nono para décimo segundo. Ricciardo apresentou um pouco da velha forma e muito apetite. Foi um nome forte no início da prova, superando Alonso e Hamilton, que se recuperou um pouco ao ultrapassar o espanhol.

Sainz, assumiu a ponta do GP e por lá ficou nas primeiras voltas, acompanhado de um excelente Lando Norris. Lá atrás, Max fazia uma prova de paciência. Superou Bottas na volta 6, sem muito esforço do finlandês para manter a posição.

A volta 8 mostrava uma diferença de apenas 10 segundos entre Lewis, que vinha em sexto, e Max, que vinha em décimo quarto naquela altura. Na volta seguinte, Gasly, quase parando seu carro, deixou Max em décimo terceiro. As 10 primeiras voltas, apesar de terem sido com alguma intensidade, mostravam um certo estacionamento nas disputas pelas primeiras posições. Russell ainda aparecia em terceiro, mas tínhamos, sim, disputas interessantes um pouco mais para atrás, como a em que Leclerc partiu para cima de Vettel, com Max na espreita. Quando o monegasco partiu para cima do alemão, foi Verstappen quem se aproveitou da situação de pista e ultrapassou Leclerc, em bela briga entre os três. Max chegou muito perto de bater a asa dianteira, mas se salvou de algo pior.

Na ponta, Norris tentava, mas não conseguia superar Sainz, que era muito competente nas suas defesas. Os pits começaram na volta 13, com Stroll, que era o quarto colocado até então. Russell seguiu para o pit na sequência, enquanto Max superava Vettel na pista. A Ferrari também puxou Sainz.

Com um pouco mais de prova, tínhamos duas estratégias claras na pista: um grupo com uma parada relativamente cedo, enquanto outro, esticava seus pneus ao máximo, o que poderia gerar algum impacto no resultado final da prova.

A volta 25 dava uma clara ideia disso: os 9 primeiros ainda não haviam parado. Eram, na ordem: Norris, Hamilton, Pérez, Alonso, Verstappen, Leclerc, Vettel, Gasly e Bottas. O décimo, Sainz, era o primeiro com o pit stop já feito, seguido por Stroll, Russell, Ricciardo, Ocon, Raikkonen, Giovinazzi, Latifi, Tsunoda, Mazepin e Schumacher. Era quase meia prova com muitos carros sem parar.

Na volta 27, Max e Hamilton, finalmente, fizeram seus pit stops. A volta 36 mostrava a seguinte ordem: Pérez, Alonso, Norris, Leclerc, Hamilton, Sainz, Ricciardo, Verstappen, Stroll e Russell, fechando os dez primeiros. Pérez, Alonso e Leclerc, ainda sem terem parado para a troca de pneus. Décimo primeiro para Ocon, seguido por Raikkonen, Vettel, Bottas, Giovinazzi, Latifi, Tsunoda e Mazepin. Schumacher recolheu para box uma volta antes. Fim de prova para o alemão.

A volta seguinte mostrou Pérez e Alonso parando, o que foi excelente para Norris, que não precisou perder tempo atrás de carros mais lentos. Com todos tendo realizado suas paradas, restando 15 voltas para o final, a coisa começava a se desenhar para Lewis. 1.7 de desvantagem para Norris. Hamilton começava a sua perseguição ao compatriota da McLaren. Daria?

Norris respondia com a volta mais rápida. Seria apertado. Foi então que diversas equipes começaram a informar seus pilotos: teremos chuva nas últimas 4 voltas da prova. Seria interessante.

A volta 41 nos trouxe uma briga frenética entre Pérez e Ricciardo pelo quarto lugar. Muito bom ver Ricciardo de volta, combativo. A volta 43 trazia Norris em primeiro, Hamilton em segundo e Sainz em terceiro, seguidos por Ricciardo, Pérez, Alonso, Verstappen, Stroll, Leclerc, Russell, Ocon, Raikkonen, Vettel, Bottas, Gasly, Latifi, Tsunoda, Giovinazzi e Mazepin, fechando os 19 carros ainda na prova.

Norris seguia se esforçando ao máximo para impedir que Lewis chegasse a menos de 1 segundo de si. A McLaren parecia ter menos pressão aerodinâmica que a Mercedes. Na hora "H", ele aumentava os 0.9 para 1.1, impedindo Hamilton de abrir a asa móvel.

3 voltas depois, os rádios dos engenheiros se confirmaram. Começaram os primeiros pingos. O primeiro a errar foi justamente Norris, que ainda conseguiu voltar na frente de Hamilton. Hamilton não comprou o risco. Naquele momento, parecia mais preocupado em manter o segundo lugar a salvo, do que em atacar Norris.

O final teve de tudo. Pérez superando Sainz pelo terceiro lugar no pódio, que logo perderia, enquanto a chuva bagunçava tudo. Na sequência, Norris quase bateu. Começava um drama total! A direção desativou o uso do DRS. Começou a correria de paradas no box para trocas por pneus intermediários. Vale destacar as Aston Martin se tocando, com Stroll apertando Vettel contra o muro. Certamente não viu seu companheiro de equipe.

Num primeiro momento, Norris e Hamilton não pararam. Todo o resto foi para o box. Quando a McLaren pediu para Norris parar, ele se negou. Mandou um sonoro "não!", gritando, no rádio. Hamilton parou. Norris deu All-In. Restava saber se suas cartas seriam boas o bastante.

Com três voltas para o fim, Alonso era terceiro. Norris seguia com sua valentia de slicks. A transmissão mostrava as primeiras rodadas e Norris seguia comprando o risco. 

Aí veio o golpe duro. Se com três voltas para o fim, algumas partes da pista ainda estavam secas, a coisa mudou rapidamente. A chuva apertou e Norris viu que suas cartas não eram boas. Escapou da pista, perdendo a ponta para Hamilton, que já vinha com pneus intermediários, por volta de 5 segundos mais rápido por volta. A teimosia estava cobrando seu preço.

As posições seguiam se alterando muito rapidamente. Leclerc foi mais um a sair da pista de slicks. Norris foi para box e voltou apenas em sexto. Jogou fora, no mínimo, o pódio.

No fim, a quadriculada trouxe Hamilton em primeiro, emblemático, com a 100ª vitória, Max em segundo, gigante, considerando que veio de último e um grande Sainz em terceiro!

Ricciardo ainda foi quarto seguido de Bottas, Alonso, Raikkonen, Norris apenas em oitavo, Pérez em nono e Russell salvando mais um pontinho para a Williams. Stroll fechou em décimo primeiro, seguido de Vettel, Gasly, Ocon, Leclerc, Giovinazzi, Tsunoda e Mazepin, fechando a fila dos 19 carros que completaram o GP.

A corrida foi boa. As primeira voltas foram muito intensas. O meio trouxe um momento de espera, trazendo um final de prova muito bom! 

Certamente, Norris aprenderá com seu "erro". Poderia ter se mantido até o fim na disputa pela vitória, marcando Hamilton e confiando na sua equipe. Nesse GP, além de ir contra o time, mandou seu engenheiro "calar a boca" (literalmente), além de desobedecer a ordem do time de entrar para trocar o pneu. Acredito que tomará um bom enquadro da McLaren. Se desse certo, seria o herói do dia. Como deu errado e ele comprou isso sozinho, nada mais justo, pelo conjunto da obra e maneira desbocada no rádio, que tome um belo enquadro. Se o engenheiro mandasse um "agora você cala a boca e venha trocar logo esses pneus", seria bem compreensível.

E Lewis? Centésima vitória. A história escrita diante de nossos olhos. Parabéns ao inglês! 

Max? De último para segundo. Sensacional. Diminuiu ao máximo os danos. Em que pese ter perdido a ponta do campeonato para Hamilton, sai muito forte para a próxima etapa. E com unidade de potência novinha. Acredito que essa penalidade também baterá na porta da Mercedes em algum momento. Veremos o que acontecerá.

E Bottas? E a Mercedes? Jogaram o cara para o fundo do grid e, por lá, ele ficou. Claramente o finlandês desanima com esse tipo de coisa. Só o Toto não enxerga isso. Se tivesse se mantido no grupo dos primeiros, poderia ter atrapalhado Max de verdade, ao invés de sequer esboçar reação na pista. Enfim, agora é aguardar a próxima etapa, colado, como sempre, na frente da TV. Abraços, amigos!