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GP da Turquia - Bottas vence com propriedade, seguido de Verstappen e Pérez

10 de outubro de 2021

(por Bruno Braz)
 

O GP da Turquia começou com pista molhada, com os pilotos usando pneus intermediários. Não tivemos uma prova espectacular, mas foi boa. 

A largada molhada trouxe algumas coisas interessantes. Alonso rodou na curva 1 em leve toque com Gasly, que estava sendo empurrado por Pérez. Três carros na curva 1 em largada, é algo que costuma não dar muito certo. Pior para Alonso que caiu para décimo sexto. Ainda furioso, acabou tocando em Mick Schumacher logo depois, fazendo o alemão rodar.

Bottas largou muito bem e abriu. Max veio acompanhando, mas sem esboçar que teria condição de atacar. Ainda no começo, Hamilton passou bonito por Vettel, partindo na sequência para cima de Tsunoda. Só que o japonês não facilitou nada para Hamilton, jogando duro com o heptacampeão, mantendo-o atrás por bastante tempo. Era apenas o primeiro de três carros da Red Bull que Hamilton encontraria. E já dava uma baita dor de cabeça para o inglês. Quem aparecia bem nas primeiras voltas era Sainz. Vinha em décimo quarto, após largar na última fila. Estava escalando bem o pelotão com apenas seis voltas completadas.

Lá frente, a ordem era: Bottas, Verstappen, Leclerc, Pérez, Gasly, Norris, Stroll, Tsunoda, Hamilton e Vettel, fechando os 10 primeiros. Décimo primeiro para Ocon, seguido por Giovinazzi, Sainz, Raikkonen, Russell, Alonso, Mazepin, Schumacher e Latifi, que já tinha dado uma escapada na primeira volta.

Volta 8 e finalmente Hamilton ultrapassou Tsunoda. Arriscou por fora em uma bela ultrapassagem. Teve que ser bem agressivo para passar o japonês que estava andando muito bem, até então. Na 9, os comissários punem Gasly com 5 seguidos, devido ao problema na largada com Alonso. Ainda nessa volta, como previsto, Hamilton não tomou conhecimento de Stroll. A Aston Martin não iria atrapalhar a Mercedes de maneira alguma.

A volta 10 mostrou a informação de que Hamilton tinha 10 segundos de desvantagem para Verstappen. Na 11, heptacampeão ultrapassou Norris, que não esboçou nenhuma manobra de defesa. Volta 12 e a ordem era: Bottas, Verstappen, Leclerc, Pérez, Gasly, Hamilton já aparecia em sexto, sétimo para Norris, Stroll em oitavo, nono para Tsunoda e Vettel fechando os dez primeiros. Sainz já aparecia pressionando Vettel, que era seguido por Ocon, Giovinazzi, Raikkonen, Russell, Ricciardo, Alonso, Latifi, Mazepin e Schumacher fechando a fila.

Naquela altura, Hamilton começava a empilhar voltas mais rápidas, enquadrando Gasly. Tirou seis segundos muito rapidamente e o ultrapassou sem tomar conhecimento. Tsunoda deu muito mais trabalho. Volta 16 e Hamilton já aparecia seis segundos atrás de Pérez. Estava no modo "possuído" o inglês. Carro na mão, chuva e muita vontade. O conjunto estava afinado naquele ponto.

Com um terço de prova, Verstappen começava a andar rápido, tirando a diferença de Bottas. Hamilton aparecia em quinto, descontando lentamente a desvantagem para Pérez, que aparecia em quarto. Ricciardo, que estava muito atrás e apagado, virou teste para a McLaren e os demais: foi chamado para troca de pneus, mantendo o intermediário. Se virasse mais rápido, certamente chamariam Norris e, claro, os demais times também observariam o desempenho que o australiano teria com compostos novos. Os pneus intermediários, da maioria dos carros, já não tinham mais ranhuras. Ao mesmo tempo em que a pista não tinha mais tanta água, embora ainda tivesse. Era um momento de definição. A Ferrari foi a primeira a falar sobre a troca de Ricciardo, comunicando Leclerc que ele estava mais lento com os pneus novos.

Quem começou a se assanhar, na volta 25, foi Leclerc. Virando rápido. A diferença para Max, já tinha caído para dois segundos. A atenção de quem assistia a prova, se voltou momentaneamente para Mazepin na 29: ele deu uma bela trancada em Hamilton, quando iria tomar volta. Esse russo é muito distraído, para falar o mínimo.

A prova seguia interessante e movimentada. Ocon aparecia em disputa com Vettel e Hamilton enquadrando Pérez. A briga abriu na volta 35, Pérez e Hamilton lado a lado, durante uma sequência grande de curvas e na reta. Pérez jogou duríssimo e se manteve na frente! Sem dúvida, o melhor lance da prova. O mexicano foi superior.

Volta 37 e Max faz seu Pit Stop em 2.1. Excelente parada para a Red Bull. Voltou imediatamente à frente de Pérez. Os pits começaram de fato. Sainz e Pérez vieram na sequência, assim como Bottas. Vettel arriscou com slicks em um erro estratégico grande. Mal conseguia fazer curvas. Acabou retornando para um novo pit stop, não sem antes, rodar na entrada do box. 40 voltas e ainda não tinham parado Leclerc, Hamilton, Stroll, Giovinazzi e Schumacher. Leclerc curtia a liderança e falava com a equipe, questionando se poderia seguir sem parar até o fim da corrida. A Ferrari disse que sim. Arriscaria tudo o monegasco. Daqui do sofá, eu pensava na possibilidade da pista secar ou ainda, da chuva voltar. E parecia que essa dúvida também estava na cabeça de Hamilton. A Mercedes o chamou para a troca, mas ele não acatou e seguiu na pista.

Restando 15 voltas, a ordem era: Leclerc, Bottas, Verstappen, Hamilton, Pérez, Gasly, Norris, Ocon, Sainz e Stroll fechando os 10 primeiros. Ricciardo, Giovinazzi, Raikkonen, Tsunoda, Russell, Alonso, Latifi, Vettel, Schumacher e Mazepin completavam as demais posições. 

Bottas começou a tirar bem a diferença para Leclerc na volta 45. Era um dos ótimos nomes da prova até então. Muito consistente. Volta 46 e Sainz superou Ocon. Na abertura da 47, Bottas superou Leclerc no fim da reta. Era muito difícil a vida do monegasco nesse ponto da prova. Com uma volta da ultrapassagem, Bottas já tinha colocado 2.5 segundos em Leclerc, que não teve opção e foi, finalmente, fazer seu Pit Stop, voltando em quarto lugar. Só Hamilton e Ocon seguiam com os pneus da largada.

Agora teremos um pequeno volta a volta de relato e uma ótima sequência de acontecimentos. Entre a volta 51 e 56, tivemos uma sequência interessante de eventos. O primeiro deles foi Hamilton indo para o box para troca de pneus. Logo depois, um show de Pérez, superando Leclerc por fora, conquistando em bela manobra, o último lugar do pódio. Na sequência, tivemos Hamilton pressionando Leclerc, mas logo recebendo Gasly colado em sua traseira, que por sua vez, trouxe Norris. Chegamos a imaginar que haveria uma briga envolvendo esses três pilotos, mas isso ficou apenas na expectativa. Não houve um embate nas voltas seguintes. A única coisa assim, digamos, que a transmissão nos trouxe, foi Hamilton reclamando no rádio com sua equipe, da decisão de parar para troca de pneus. Estava um tanto frustrado o inglês.

No fim, o primeiro a ver a quadriculada, foi Valtteri Bottas, com uma pilotagem impecável. Verstappen completou em segundo, acompanhado por Pérez, em duplo pódio para a Red Bull. Quarto lugar para Leclerc, seguido por Hamilton em quinto, Gasly em sexto, Norris em sétimo, Sainz em oitavo, Stroll em nono e Ocon fechando os dez pilotos que marcaram pontos.

Fora dos pontos, ficaram: Giovinazzi, Raikkonen, Ricciardo, Tsunoda, Russell, Alonso, Latifi, Vettel, Schumacher e Mazepin. 

O ponto chave da prova, foi a parada de Hamilton. Difícil dizer, olhando agora, se seria melhor ficar na pista. À primeira vista, parece que sim. Haverá alguma conversa na Mercedes sobre isso, com certeza.

Bottas foi bem. Muito forte. Max fez o seu, chegando em segundo, retomando a liderança do campeonato. Ainda teve Pérez em terceiro. É o que se espera do mexicano, que faz um ano ruim, sendo honesto. Os fiéis da balança desse campeonato podem ser os segundos pilotos e, nesse quesito, Pérez segue devendo. Mais uma vez, Ricciardo não foi um piloto à altura de Norris. Tsunoda, apesar de não pontuar mais uma vez, ficando muito atrás de Gasly, mostrou um pouco do brilho que tinha na F2, ao menos, no começo da prova, atrasando a vida de Hamilton.

O campeonato está aberto. Esse final de semana mostrou uma Mercedes muito equilibrada e rápida. Se foi por circunstância de pista ou se realmente acharam algo, saberemos na próxima etapa. Mas, se por um acaso, a Mercedes de fato achou algo, vai complicar para o lado da Red Bull, que até o momento, não aproveitou adequadamente quando teve o carro dominante. Perdeu muitos pontos pelo caminho. Me parece que, nesse quesito, a Mercedes fez um trabalho melhor no decorrer do campeonato, se analisarmos apenas, quantos pontos poderiam fazer e quanto, de fato, fizeram. Ambos tiveram perdas, mas me parece que a Mercedes e Hamilton, até o momento, desperdiçaram menos do que a Red Bull e Verstappen. Agora, é aguardar Austin e ver, com certeza, qual é o cenário atual das forças.

Até a próxima.