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GP da França - Nó tático da Red Bull e vitória de Max Verstappen em ótima corrida; Hamilton é segundo

20 de junho de 2021

(por Bruno Braz)
 

Que corrida, senhoras e senhores! Que corrida!

Quem esperava por um sonolento GP e, por acaso, optou por não assistir a prova, perdeu uma ótima corrida. Muitos pegas, opções táticas, disputas dentro da pistas e também em pit stops. Enfim, foi um grande prêmio completo, com tudo o que o fã gosta. Os torcedores? Do Hamilton, certamente, frustrados. Do Verstappen, em êxtase. Vamos ao nosso resumão, do que de melhor aconteceu. Dos destaques e pontos negativos deste GP.

A largada foi um dos momentos chaves, que de cara, já adicionou um tempero extra na prova: Verstappen errou na curva 3. Deu uma escapada, deixando Lewis assumir a ponta. Norris e Ricciardo também conseguiram se posicionar bem, ganhando uma e duas posições, respectivamente. Vettel começou aguerrido, pressionando Ocon.

Com as três costumeiras voltas para a coisa meio que se acalmar, a ordem era Hamilton, Verstappen, Bottas, Pérez, Sainz, Gasly, Leclerc, Alonso, Ricciardo, com Norris fechando os 10 primeiros.Na sequência, Vettel, Ocon, Giovinazzi, Raikkonen, Stroll, Tsunoda, Russell, Mazepin e Schumacher, fechando a fila.

Após a volta 10, tivemos momentos muito interessantes, como na 11ª, quando Ricciardo, que parece se encontrar com McLaren, levou no braço, sem a asa aberta, Fernando Alonso. Na sequência, Norris fez o mesmo. Alonso, aparentemente, foi inteligente: não vale muito a pena perder tempo de volta, em começo de prova, tentando segurar a posição. Na seguinte, Vettel também foi para o ataque e superou o espanhol.

Da volta 14 à 16, tivemos muita movimentação, com destaque para Ricciardo ultrapassando Leclerc em ótima manobra. Na 15 e 16, os primeiros Pit Stops, de Leclerc e Tsunoda, respectivamente, voltando com pneus duros. As equipes pareciam estar, de certa maneira, surpresas com o desgaste de pneus, além do estimado. Naquela altura, Hamilton mantinha Verstappen em seu controle, com 2,7 segundos de vantagem, que é o que todos tentam estabelecer como margem de conforto.

Entre as voltas 17 e 19, os Pit Stops se intensificam e, aqui, o primeiro golpe de estratégia certeira. Na 19, uma volta após Bottas, Sainz, Ricciardo e Gasly pararem, a Red Bull puxou Max para seu primeiro Pit Stop, antes de Hamilton, o que daria ao holandês, uma volta de pneus novos para tentar o undercut. Na seguinte, Hamilton, de fato, fez seu pit stop. A Mercedes reagiu, mas Hamilton até saiu do box na frente, porém, discutiu a freada da primeira curva com Max, que superou o inglês e retomou a ponta do GP. Primeira estocada estratégica da Red Bull na Mercedes neste GP. Quase três segundos haviam virado pó em uma volta. Nesse momento, vale uma nota para a boa prova que Lance Stroll vinha fazendo. Já era décimo segundo, atacando Ocon, após largar em último, depois de um sábado péssimo.

Na volta 21, ficou claro que Pérez, que ainda não tinha feito seu Pit Stop, iria tentar algo diferente, na habilidade de poupar pneus. Era a Red Bull pensando fora da caixa, de novo. Naquele instante, a prova estava da seguinte forma: Pérez na liderança, seguido por Verstappen, Hamilton, Bottas, Norris, que vinha em uma prova muito forte, Vettel e Stroll, retardando suas paradas, Ocon, Giovinazzi e Raikkonen, fechando o top 10. Leclerc, bastante sumido na prova, em décimo primeiro, seguindo por Ricciardo, Sainz, Gasly, Alonso, Tsunoda, Russell, Mazepin, Latifi e Schumacher, fechando a fila.

Na volta 25, finalmente, Pérez parou, assim como Norris. Teriam uma condição melhor de pneus, na parte final da prova. Apareciam muito no GP, naquele momento, Ricciardo, ultrapassando Gasly, que também estava bem, Vettel e Stroll, prolongando seus pneus ao máximo, Norris que fazia uma bela ultrapassagem em Gasly, na volta 30, levando ainda Sainz, na sequência, que ainda perderia a posição também para Gasly. O pega do meio de pelotão, envolvendo as McLarens, as Ferraris e Gasly, naquele momento, estava muito intenso e movimentado. Todos muito combativos e dando um ótimo show para quem assistia.

Volta 31 e tínhamos: Verstappen, Hamilton, Bottas, Pérez, Vettel, Stroll, Ricciardo, Sainz, Norris, Gasly, Leclerc, Alonso, Raikkonen, Tsunoda, Russel, Ocon, Latifi, Giovinazzi, Mazepin e Schumacher. Destaque para Norris, novamente, que estava andando muito, Ricciardo também aparecia bem, mas não tão bem quanto Norris. Na volta seguinte, a surpresa da Red Bull, que chamou Max para um segundo Pit Stop, devolvendo o holandês para a prova, de pneus médios. Era a Red Bull tentando devolver o nó tático que a Mercedes aplicou na mesma Red Bull alguns GPs antes. Daria certo?

Poucas voltas depois, Norris seguia dando seu show: deixou Ricciardo na saudade, partiu para cima de Stroll na sequência e pulou para o sexto lugar. Quem perdia ritmo de corrida, naquela altura, era a Ferrari. McLaren era a terceira força do grid, bem estabelecida. Com 16 voltas para o fim, Max Verstappen começava a empilhar voltas mais rápidas, virando dois segundos mais rápido que Hamilton. Daria certo a estratégia da Red Bull? Devolveria o nó tático? O fim do GP, prometia.

Na volta 37, Gasly supera Sainz. Boa prova também para o francês. Era um dos ótimos nomes da prova. Na sequência, finalmente, Vettel fazia seu pit. Quem crescia, também, era Alonso, indo para oitavo ao ultrapassar Sainz no fim da reta, no giro 38. Sainz era a melhor Ferrari naquele momento. Duas voltas depois, Hamilton resolve apertar o pé para segurar a distância que tinha de Verstappen, fazendo o que podia para tentar manter a vitória. Era, de certa forma, muito interessante ele conseguir praticamente igualar o tempo de Max, mesmo estando com pneus em piores condições. O inglês, realmente, é muito acima da média. Um ponto curioso é que naquele momento a Red Bull não conseguia ouvir o rádio de Max, enquanto Hamilton, não ouvia o rádio da Mercedes.

40 voltas. A situação de momento era Hamilton, Bottas, Verstappen, Pérez, Norris, Ricciardo, Gasly, Alonso, Sainz e Vettel, fechando os 10 primeiros. Tsunoda aparecia em décimo primeiro, seguido de Stroll, Russell, Ocon, Giovinazzi, Leclerc, completamente apático, Latifi, Raikkonen, Schumacher e Mazepin, fechando a fila. Rádio estabelecido na Mercedes, com o engenheiro informando Hamilton que Max deveria chegaria faltando 3 voltas. O inglês responde: "e o Bottas?". O Finlandês seguraria o holandês o suficiente? O final prometia.

Faltando 10 voltas, as duas Red Bulls, em terceiro e quarto, vinham descontando a diferença para as Mercedes. Na 44ª, Max superou Bottas, que errou, facilitando a vida do holandês. Seriam 8 voltas para o ataque final. Era tudo ou nada para Verstappen. Logo depois, na volta 47, era Pérez quem partia para o ataque contra Bottas, enquanto lá na frente, Verstappen não conseguia mais tirar tanto tempo de Hamilton, até o inglês dar um segundo, de graça, devido a uma escapadinha da pista.

Com cinco voltas para o fim, Hamilton tinha 2.9 de vantagem para Max, enquanto Pérez embutiu de vez em Bottas, conseguindo superar o finlandês após uma boa disputa. Quatro voltas para o fim. A diferença caia para 1.8 segundos. Teria briga?

Em investigação, Pérez e Bottas. Impressão de que, na ultrapassagem, Pérez teria passado dos limites da pista. 

Com duas voltas para o fim, 0.8 de diferença! Estava aberta a disputa franca entre os líderes do campeonato! De novo! Dessa vez, em condições invertidas. Max passaria? Hamilton seguraria a primeira posição? Não deu. Max entrou na reta bem próximo, teve melhor tração na entrada, embutiu e passou, retomando a ponta do GP! Estava devolvido o nó tático! Corridaça! 

A quadriculada final foi com Verstappen em primeiro, seguido por Hamilton com Pérez, fechando o pódio, sem punição. Bottas terminou em quarto, seguido de um excelente Norris, Ricciardo, com a segunda McLaren, Gasly, que foi muito bem, Alonso em oitavo, que começa a superar Ocon, Vettel em nono, pontuando pela terceira vez seguida, e Stroll, recuperando-se bem, depois do sábado desastroso, levando 1 ponto para casa. Sem pontos, Sainz em décimo primeiro, Russell, bem em décimo segundo considerando seu carro, Tsunoda em décimo terceiro, Ocon em décimo quarto, Giovinazzi em décimo quinto, seguido de um péssimo Leclerc, Raikkonen sumido em décimo sétimo, com Latifi, Schumacher e Mazepin fechando a fila.
 

Pontos positivos da corrida

- A Red Bull e Max Verstappen. Ótima estratégia e excelente execução do holandes, que se redimiu do erro na largada.

- Lewis Hamilton, que fez o máximo que poderia.

- Bottas, que passou a corrida toda colado em Max e Lewis. Teve ritmo e velocidade o finlandês.

- Pérez, bem adaptado ao carro, fazendo uma prova sólida, poupando pneus e atacando quando precisou. Ótimo pódio para o mexicano, que coloca pela primeira vez no ano, dois Red Bulls no pódio.

- Lando Norris. Muito combativo e veloz. Foi o melhor do resto.

- Daniel Ricciardo. Está se achando. Fez ótima prova. Andou perto do companheiro.

- Gasly. Outra prova forte do francês, considerando as circunstâncias.

- O GP em si, que de corridas chatas em anos anteriores, trouxe uma prova muito boa, movimentada e com muitas opções em aberto.
 

Pontos negativos

- Leclerc não apareceu.

- Ferrari perdeu muita performance do meio para frente. Sem pontos no GP, bem atrás da McLaren, no momento.

- Mercedes, poderia ter marcado melhor a Red Bull. Deu bobeira.