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(por Bruno Braz)

Concluímos a sétima de vinte e duas etapas. Em uma conta de padeiro, um terço do campeonato já passou. Em uma conta exata, quase um terço. Já andamos o bastante para fazermos as primeiras análises do campeonato.

Vou começar pela observação no tocante aos pilotos. A mudança de regras trouxe um estilo novo de pilotagem. Alguns se deram bem, outros nem tanto e, outros, se deram mal com esse novo jeito de pilotar os carros.

Qual é o balanço dos pilotos?

Vou começar a lista com pilotos que estão sofrendo um pouco com esse novo conceito de carro. Aqui, coloco Sainz, Gasly, Hamilton e Ocon.

Carlos Sainz parece que ainda está tendo que pensar nos movimentos que tem que fazer durante uma volta. Frear? Retomar? Virar o volante agora ou um metro depois? Me parece claro que o espanhol não está guiando por instinto. Ainda não conseguiu "vestir" o carro. O efeito colateral são erros incomuns e velocidade mais baixa.

Já Gasly parece que também não está conseguindo tirar tudo do carro. Tsunoda está em sua frente no campeonato (11 x 6 para o japonês), em que pese um ou outro infortúnio para o francês. De qualquer maneira, aquelas exibições destacadas não estão mais tão frequentes no francês agora.

Hamilton? Bom, esse é o que mais causa debate em grupos de Facebook e pelos sete cantos da internet. Uma grande parte das pessoas, exaltando Russell. Outras, com frases como "sempre foi o carro". Enfim, ataques, defesas, bobagens e pouca coisa útil da maioria dos comentários. De qualquer maneira, é fato que Hamilton tem sofrido um pouco mais que Russell com o carro da Mercedes. Ainda não achou seu ponto natural de pilotagem e tem sido cobaia de setups por parte da Mercedes, em que pese os números de volta a volta bastante bons nos últimos dois GPs, apresentando um ritmo de prova muito bom, até mesmo na comparação direta com Russell. Ficou devendo nesse primeiro terço. Vamos ver no restante do campeonato.

Ocon, mesmo estando na frente de Alonso na classificação (30 x 10), tem sido constantemente superado no cronômetro. Alonso já perdeu bons pontos por falhas mecânicas pelo caminho. Ocon parece que perdeu um pouco da velocidade, se comparar esse ano com o passado. Parece um caso semelhante ao Sainz, em que pese positivamente não estar batendo o carro, não está tão rápido como já foi.

Agora, os pilotos parecem estar sofrendo muito com esses carros: Ricciardo, Latifi e Stroll.

Ricciardo é o caso mais curioso. Com certeza não perdeu o talento. Porém, suas adaptações às novas equipes costumam demorar. O bom trabalho só aparece no segundo ano com o time. Ocorre que como o carro desse ano é completamente novo, seria como se fosse o primeiro ano com a McLaren. Só que para a McLaren, já é o segundo ano de resultados muito aquém do esperado, em que pese a vitória no ano passado. A batata do australiano já assou. Só falta servir. Brown já iniciou o processo de fritura pública, mesmo que de maneira polida.

Já Stroll e Latifi, que são os dois com a pecha de pilotos pagantes, se não eram brilhantes, não comprometiam no ano passado. Latifi marcou pontos até antes que Russell, na Williams. Andava atrás do companheiro, mas nada assim, absurdo. Agora, está lento e batedor de carros. Stroll? Nem sombra do eventual frequentador de pódio e bom piloto de chuva que aparecia de vez em quando.

Quem se manteve entregando mais ou menos a mesma coisa em termos de performance, foram Norris, Alonso e Vettel. Não há muito o que colocar, em que pese Vettel ter perdido duas provas e, quando finalmente estreou, mal conseguia parar com o carro na pista. Hoje, já adaptado, vem trazendo seus pontinhos para a Aston Martin. Alonso segue rápido, mas azarado. Norris segue sendo muito competente em trazer pontos. É o melhor do resto nesse momento, em sétimo lugar na tabela de classificação, atrás apenas dos pilotos Ferrari, Red Bull e Mercedes.

E quem se deu bem com esse novo tipo de carro? Para mim, Pérez, Russell, Leclerc, Bottas, Magnussen, Tsunoda e Albon. Uns mais, como Pérez, outros menos, como Tsunoda, mas certamente, esse punhado de pilotos está aproveitando o novo conceito de carro.

Leclerc, por enquanto, está na disputa pelo título. Basta a Ferrari parar de atrapalhar que ele seguirá vivo na disputa. Pérez cortou a diferença para Max. Está tão rápido quanto (as vezes, até mais, como em Mônaco) e parece que será mais uma peça na disputa pelo mundial de pilotos. Melhor chance da carreira para alguém que, ao final de 2020, estava virtualmente fora da F1.

Bottas tem feito um campeonato muito bom, assim como Magnussen, que voltou sem parecer que saiu, tamanha as boas performances nesse primeiro terço. Tsunoda parece ter vestido bem esse carro. Com certeza a mudança para perto da fábrica ajudou.

Albon é outro que voltou sem parecer que foi. Rápido, combativo e quase milagreiro, fazendo uma corrida inteira, menos uma volta, com o mesmo jogo de pneus. Russell é, até agora, o único a terminar todas as corridas entre os cinco primeiros. Consistência é o que melhor define o inglês até aqui.

E as equipes?

Já sobre as equipes, temos uma grande incógnita para o restante da temporada. Por hora, tenho a sensação de que o tempo de volta da mais rápida para a mais lenta, aumentou, comparando com 2021. Vamos ver se até o fim do ano o ‘gap’ diminuirá ou não.

A Red Bull foi o carro que nasceu com melhor performance em termos de tempo de volta, mas foi frágil no começo. Além disso, parece ter torrado bastante dinheiro corrigindo as fraquezas do carro e ganhando mais performance. Hoje, é o carro mais rápido. Mas seguirá sendo? A Ferrari segurou suas atualizações. Nesse aspecto, está mais "pé no chão". Só vai gastar na certeza. A minha dúvida com relação a Red Bull, é só uma: vai ter esse fôlego todo até o final do ano sem estourar o teto orçamentário? Minha impressão é de que não.

A Ferrari deve começar agora a soltar suas atualizações de performance. Em uma disputada apertada como essa, qualquer ganho no momento certo poderá fazer a diferença. Se outro time não tiver tempo ou dinheiro para reagir, ficará complicado.

A Mercedes. Ah, a Mercedes. Eu jurava que iria abrir mão desse conceito de carro sem ‘sidepod’. Mas, parece que não. Vão insistir mais um pouco nisso. Se conseguirem resolver alguns problemas, deve ser o carro mais veloz de reta da F1. Já em curvas, será um trabalho para os engenheiros. O certo é que, após esse primeiro terço de campeonato, a Mercedes foi, até agora, carta fora do baralho na disputa pelo título. Se resolver seus problemas, pode ser o fiel da balança, a depender de qual equipe tirará mais pontos (Ferrari ou Red Bull).

McLaren, Alpine e Alpha Tauri estão na mesma do ano passado, em que pese a McLaren começando mais atrás para se recuperar depois, principalmente do problema de superaquecimento dos freios. A Alpine parece mais uma das equipes que está controlando muito bem seu caixa. Estudando atualizações antes de realizá-las. A conferir o resto do ano.

A Haas foi a equipe que mais evoluiu de 2021 para 2022. Era esperado. Só se fossem muito incompetentes para não fazerem um carro razoável com o tempo que focaram no projeto, abrindo mão completamente do carro de 2021 ainda no lançamento. O problema para Magnussen e Schumacher, é que diferente de todos os demais times, a Haas segue sem atualizações após um terço de campeonato, dando pinta que vão ficar com o que têm no momento. Até porque, não deve estar muito barato arrumar as pancadas que Schumacher tem dado nos carros. Já foram grandes os prejuízos dados pelo alemão. Mesmo que exista a verba para arrumar os carros, fatalmente sairia do desenvolvimento, devido ao teto orçamentário que tem estrangulado os times da F1.

A Williams foi mais uma que apresentou evolução. Não muita, mas ao menos, já conseguiu 3 pontos, todos pelas mãos de Albon, que, assim como a McLaren, parece que está indo para os GPs somente com um piloto. Tudo fica mais difícil para essas duas equipes com apenas um piloto fazendo um bom trabalho. 

Já a Aston Martin, é o time que mais regrediu. A F1 sempre foi sobre dinheiro, mas também, sobre gente competente no lugar certo. A impressão é que papai Stroll está mais preocupado em ser o dono de tudo do que em ter resultados. Rumores de que se mete demais nas coisas não param se surgir. O resultado, é esse carro meio que mal nascido e lento. Nesse momento, em contexto geral, é um carro mais rápido apenas que as Williams, o que, pensando em marca e em dinheiro, é meio vergonhoso para a Aston Martin. Mas, a vida tem dessas, não é?

Agora, é esperar pelo próximo terço de campeonato. Parece que vai pegar fogo lá pelos lados da Red Bull, principalmente depois da idiotice que Max declarou após a qualificação do GP de Mônaco, dando a entender que Pérez teria batido seu carro de propósito. O mexicano, que já vinha mordido desde Barcelona, ganhou a corrida, encostou na ponta da tabela e ouviu do chefe que está sim na disputa pelo título. E a Ferrari? Vai parar de, ao menos, atrapalhar Leclerc? As próximas atualizações serão boas mesmo? A Red Bull vai ter orçamento disponível para levar a luta até o fim?

Coisas que sabermos no desenrolar do ano.