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Fernando Diniz e seus desafios no retorno ao Fluminense

2 de maio de 2022

(Por Daniel Morales)

O técnico Fernando Diniz está de volta para sua segunda passagem pelo Fluminense. O Flu anunciou o retorno de Diniz na noite do último sábado (30), e o treinador já assumiu o time,dando seu primeiro treino nesta segunda-feira (2). Visto isso, a ideia é apontar aqui os principais desafios do treinador em sua segunda passagem pelo tricolor das Laranjeiras: desconfiança alta da torcida, sequência difícil logo no começo, recuperação de jogadores, entre outros problemas que Diniz terá que enfrentar logo nos primeiros dias no Flu. 

Desconfiança da torcida:

De cara, Fernando Diniz terá que enfrentar a alta desconfiança da torcida do Fluminense, que 85% (usando as redes sociais como termômetro) foi contra sua contratação. Tudo isso devido ao fato que Diniz deixou o Fluminense na zona de rebaixamento quando foi demitido em 2019. Porém, vale lembrar que quando foi demitido, o Flu estava nas quartas de final e voando na Copa Sulamericana. Naquela campanha, houveram grandes jogos onde o Fluminense simplesmente "amassou" o Peñarol e o Atlético Nacional da Colômbia nos jogos no Maracanã, e com uma trinca de meio de campo de muita qualidade: Allan, hoje no Galo, Ganso e Danielzinho, hoje no Bahia. Porém, as únicas três vitórias em 15 jogos do brasileirão daquele ano pesaram a favor da demissão de Fernando Diniz. 

Sequência difícil de jogos:

Fernando Diniz pegará uma sequência muito difícil logo no início da sua segunda passagem no Flu. Com menos de uma semana de treino, o Fluminense terá no comando de seu novo treinador de cara um jogo de vida ou morte na Copa Sulamericana, onde enfrentará o Junior Barranquilla no Maracanã. Só a vitória interessa para o Flu seguir vivo na luta pela classificação. Em seguida, o Fluminense irá até São Paulo para enfrentar o atual bi-campeão da América, o Palmeiras, no Allianz Parque. E os números são nada bons. O Fluminense nunca sequer empatou com o verdão desde a inauguração do estádio em 2014. Só perdeu e perdeu de muito, sendo duas vezes goleado pelo placar de 3x0. Na sequência outra decisão: o jogo da volta pela Copa do Brasil contra o Vila Nova em Goiânia. No primeiro jogo, o Fluminense teve que remontar um placar de 2x0 para buscar a vitória e joga pelo empate na volta no Centro Oeste. Depois, o tricolor enfrentará: Athletico Paranaense fora do Rio (provavelmente em Volta Redonda), Unión Santa Fé na Argentina, Fortaleza no Castelão, Oriente Petrolero na Bolívia e o clássico contra o Flamengo. Uma sequência indesejável para qualquer treinador que chega quase no meio do ano. 

Recuperar jogadores:

Um dos desafios mais importantes é com certeza recuperar o futebol de alguns jogadores. Nomes como Martinelli, André, Yago Felipe, Calegari e Cano, por exemplo, caíram muito de rendimento. Cano marcou apenas um gol nos últimos oito jogos. Martinelli teve um bom início de ano, mas caiu muito recentemente falhando em gols sofridos pelo Flu e sendo pouco utilizado. O mesmo serve para André, que vem muito mal desde a conquista do campeonato carioca. O volante por sinal foi um dos responsáveis pelo revés no jogo de domingo (1) contra o Coritiba, cometendo um pênalti e sendo expulso logo no início do segundo tempo. No caso de Yago Felipe, é preciso encontrar a posição a qual o jogador rende melhor. Errando muitos passes no meio de campo, a torcida do Fluminense enxerga que Yago pode ser utilizado na lateral direita, posição em que quando atuou por ela, rendeu bem. Diniz faria algo muito próximo do que fez com Caio Henrique quando o volante desacreditado chegou do rebaixado Paraná Clube; quando saiu do meio de campo e passou a atuar pela lateral esquerda, se tornou o melhor jogador do time e hoje está jogando muito no Monaco da França. Já Germán Cano pode beneficiar muito pelo estilo de jogo de Diniz. Com um time propositivo, Cano não irá mais buscar a bola no meio de campo para participar do jogo e terá melhores condições de finalizar já na grande área. Calegari já mostrou em outros momentos ter bastante qualidade. Foi um dos melhores laterais direitos no campeonato de 2020 e foi bem nos jogos que atuou de volante, sua posição de origem. Porém, ele é mais um que vem mal nos últimos jogos e que Diniz terá o trabalho de recuperar seu futebol, talvez finalmente dando chance dele atuar mais vezes no meio de campo. 

A lateral esquerda do Fluminense:

A lateral esquerda do Fluminense é um dos grandes problemas do time na temporada. Todos os jogadores que lá foram testados não renderam e ainda falharam em momentos importantes. No começo da temporada Abel usava Cris Silva e Pineida e nenhum deles tiveram uma sequência de bons jogos. Nos últimos jogos, Marlon foi utilizado. Foi bem na virada contra o Vila Nova, mas não foi bem nos outros confrontos e falhou no terceiro gol do Coritiba no domingo (1). Talvez seja o caso do Fluminense procurar outro lateral esquerdo no mercado ou Diniz subir alguém da base. 

Modelo de jogo:

O maior desafio de Diniz. Pegar um time que jogava de forma reativa e transformá-lo em uma equipe que proponha o jogo e com posse de bola será uma tarefa bastante árdua. A boa notícia para o novo comandante do Fluzão é que o Fluminense tem peças de qualidade para fazer desse time ofensivo e imponente nas partidas. Mas não será nada fácil, até porque Diniz terá pouco tempo para treinar esse time jogando a cada dois dias.