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Família Andretti e Indy 500: Maldições, gerações e a história do Clã

27 de maio de 2021

(por Jefferson Castanheira)
 

O automobilismo é mais do que apenas carros andando em círculos, é uma comunidade ligada pelo amor por aquilo que participa. Nesse sentido, é quase como uma família. E poucas famílias são tão referenciadas no mundo do automobilismo como a Andretti. Mario, Michael, Jeff e Marco somam seis décadas de competição pura, seja na Fórmula 1, na Indy, ou em qualquer outra categoria.

Para começar, vamos dar uma olhada no primeiro e mais famoso Andretti, Mario, que começou sua carreira em ovais de terra em Nazareth, aos nove anos de idade. Trabalhando seu caminho nas categorias do automobilismo, Mario então se viu no radar de Colin Chapman, que lhe deu sua estreia na Fórmula 1, em 1968, com a Lotus. Depois de uma passagem pela Ferrari, o retorno à Lotus o atraiu e, em 1978, ele se tornou campeão mundial de Fórmula 1 aos 28 anos. Nenhum piloto americano conquistou um Campeonato Mundial de Fórmula 1 desde então. 

Mario Andretti, no entanto, assim como Stirling Moss, tinha uma capacidade incrível de se adaptar rapidamente às diferentes categorias do automobilismo e, como tal, parte de sua lenda é a disseminação de vitórias em várias categorias, como na Daytona 500 pela NASCAR, bem como um segundo lugar nas 24 Horas de Le Mans de 1995, juntamente com uma vitória nas 500 milhas de Indianápolis de 1969.

Mas, falando especificamente sobre as 500 Milhas de Indianapolis, Mario Andretti colecionou uma sequência absoluta de fracassos, que foi denominada de “Andretti Curse”. Após vencer a Indy 500 de 1969, Mario e toda sua família nunca mais venceu a prova mais famosa do automobilismo americano. Foram até agora 75 participações do sobrenome Andretti em Indianapolis. Mesmo após Mario ter se aposentado em 1994, não conseguindo uma segunda vitória, seu filho, Michael, também fracassou em vencer a Indy 500.  

Nascido em 1962, Michael, assim como seu pai, também dirigiu na Fórmula 1 durante sua carreira. Estreando no Grande Prêmio da África do Sul de 1993, Andretti não tinha o mesmo tratamento na McLaren MP4/8 do que seu companheiro de equipe Ayrton Senna – e foi até “sabotado” na equipe inglesa que estava irritada pelos motores Ford cedidos ao time serem de segunda linha (enquanto a primeira ficou com a Benetton). Michael teve como seu melhor resultado um terceiro lugar no Grande Prêmio da Itália de 1993.

Apesar de um ano difícil na Fórmula 1, Michael Andretti não era um competidor lento. Apenas dois anos antes, em 1991, ele havia conquistado de forma convincente o título da IndyCar. Michael Andretti também teve um sucesso significativo fora do cockpit de corrida. Em 1994, a Andretti Autosport foi fundada e, ao longo dos vinte e três anos seguintes de competição, conquistou nove títulos de pilotos em várias categorias, incluindo CART, Indycar e Global Rallycross, mostrando que a velocidade de Andretti foi transferida da pista para o paddock.

Como dito anteriormente, a Indy 500 seguiu com a maldição no sobrenome Andretti, mas seu ápice de fato foi na edição de 2006. Quatro voltas para o final, o líder era Michael Andretti, que em segundo tinha seu filho, Marco Andretti, perseguindo-o. Em terceiro, Scott Dixon, e em 4º a Penske de Sam Hornish Jr. Com três voltas para o fim. Marco ultrapassou o pai, Michael, na entrada da curva 1. Parecia tudo encaminhado para, afinal, uma dobradinha do sobrenome Andretti vencendo as 500 Milhas. Mas, o combustível de Michael Andretti foi acabando. Sam Hornish ultrapassou Scott Dixon e em seguida também deixou o pai de Marco para trás. Duas para o final, Marco Andretti lidera, Hornish persegue e cola em Marco. Tenta a ultrapassagem na curva 3, não consegue. Última volta, Marco abre na reta principal, entra na reta oposta e, posteriormente, na curva três liderando. Hornish se aproxima e cola na traseira de Andretti entre as curvas 3 e 4. Última curva, Hornish entra completamente embutido, centímetros da traseira de Marco, metros finais, Sam Hornish põe por dentro, o vácuo impulsiona sua Penske, ultrapassa Marco Andretti e vence as 500 Milhas de Indianapolis por 0,063 segundos, menos de um décimo de diferença. Michael termina em terceiro, a câmera corta para o rosto de Mario Andretti no paddock, que simplesmente balança a cabeça em descrédito.

A maldição assim seguiu, com Marco Andretti até fazendo a pole da Indy 500 de 2020, mas sequer liderando uma volta da prova. 

Jeff Andretti, irmão de Michael, também correu na Indy, mas nunca sequer obteve um pódio na categoria. 

Independente das maldições e das histórias, o clã Andretti possui o sobrenome mais imponente da América quando falamos de automobilismo. Grandes lendas e pilotos cheios de carisma e muita paixão pelo o que fazem, colocando um peso maior nas costas deste nome tão cheio de legado e velocidade.