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Exuberante, assim foi a volta da F1 ao Brasil

19 de novembro de 2021

(por Gabriela Pedron)

Do grito de brigadeiro à diversão e leveza dos pilotos nas entrevistas, o Grande Prêmio São Paulo entregou tudo que esperávamos, e mais um pouco.

Quem imaginaria que após o Grande Prêmio Brasil de 2019 teríamos um hiato tão grande da corrida que é a mais aguardada pelo público brasileiro amante de automobilismo? O povo no Brasil guarda dinheiro, guarda dias de férias, guarda a melhor camiseta com o nome do seu piloto preferido, e aguarda o ano inteiro para passar por algum dos inúmeros portões do Autódromo de Interlagos, fechar os olhos, dar um grande respiro e pensar: “Estou no GP Brasil” - assim nomeado até 2019.

O que também não imaginávamos é que um surto viraria uma pandemia, traria medo, insegurança, e tanta mudança. O país considerado dos mais felizes, de pessoas sorridentes, de um povo acolhedor, abraçador, se transformaria por algum tempo, numa terra de máscaras e olhares inseguros a cada esquina, e cada um no seu quadrado.

Mas aí chegaram vacinas (independente de qual, independentemente de como, e de onde) e como num suspiro, o mundo e o brasileiro começou a “respirar” mais brandamente, e voltamos a notar olhares traduzindo o que há debaixo da máscaras: são sorrisos de torcedores alucinados por automobilismo!

E então chegou novembro, e a F1. Mesmo depois de muito diz que me diz (teremos ou não corrida, teremos ou não público?) neste final de semana (14), chegou a F1!
Desembarcou no Brasil, após dois anos, a F1 mais aguardada dos últimos tempos, com uma nova administração com a cara do público, ou como dizemos no Brasil, com a cara “do povo”.

Uma F1 extraordinária, cheia de brilho, cheia de (Liberty) ou apenas liberdade. São Paulo recebeu de volta as filas quilométricas do setor G, a galera do 'A' embaixo do sol o dia todo - perrengue atrás de perrengue -, e Interlagos presenteou a F1 com a melhor multidão do planeta… ahhhh, o Brasil!!!!

“Marianaaaa, Marianaaaaa... brigadeiroooo, brigadeiroooo, Rubinhoooooo, Rubinhoooooo… Senaaaaa, Senaaaaa”. A F1 trouxe de volta um público ainda mais apaixonado pelos nossos ídolos, dos pilotos aos repórteres, aos brigadeiros brasileiros que a Mariana Becker deu para Ricciardo, em uma outra corrida, mundo afora. O Brasileiro nunca ovacionou tanto, e de maneira tão carinhosa, os nossos.

E para finalizar, vocês já perceberam que não estou aqui para falar do que aconteceu na pista, mas da alegria de receber a maior categoria do mundo em nosso país e, se for assim, porque não enfatizar que o Brasil é tão fora da curva quando falamos de grandiosidade de simpatia, que até o Verstappen assumiu publicamente (nas entrelinhas) que a Mercedes estava mais rápida com o motor novo.  

O Público vibrou - o Brasil sorriu, gritou (na arquibancada, no padoque, no sofá de casa), a F1 (que está no caminho certo após anos) vibrou, enquanto o círculo do mundial já empacotou os materiais e se despediu de Interlagos rumo a próxima corrida, no Qatar. Nós aqui- que ficamos fora do calendário 2020 e batemos recorde de público neste final de semana de 2021, já colocamos folhinha na geladeira e contamos os dias para que 22 de novembro de 2022 chegue logo.

Essa é minha “boas-vindas”, minha primeira matéria neste portal, cheia de emoção e alegria, como foi o GP São Paulo de 2021! O "tecnicismo" fica para um próximo texto, porque agora só importa: “A F1 voltooooou".