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Esquenta NFL - O que esperar da NFC Norte

6 de setembro de 2020

(por Henrique Rodrigues)

Em uma divisão que tem um campeão diferente nas últimas cinco temporadas (e em nenhuma os Lions ganharam), os Packers tentam a primeira dobradinha desde que ganharam quatro títulos seguidos entre 2011 e 2014. O problema é que, junto com os Bears, foi o time que menos se reforçou para a próxima temporada, botando em xeque a defesa da divisão.

Dito isso, o que esperar de cada time em uma divisão que promete ser bem competitiva?

 

Green Bay Packers

Como dito, os Packers pouco se reforçaram, e ainda por cima fizeram um Draft bem questionável. Em uma classe tão rica na posição de wide receiver, que coincidentemente era, e ainda é, a principal fraqueza do time, esperava-se que pelo menos duas escolhas fossem usadas em alguém da posição.

O Draft veio e a primeira escolha do time de Green Bay foi usada em Jordan Love, um quarterback, mesmo com Tee Higgins disponível, por exemplo. Outra posição não endereçada foi a de linebacker, a segunda maior deficiência da equipe, e, como se não bastasse, Blake Martinez saiu na free agency, que era o melhor LB daquele grupo.

Com um diferencial de pontos de apenas 63, o menor na história de um time com folga na primeira rodada dos playoffs, Aaron Rodgers e companhia vão ter dificuldade em segurar as investidas de Vikings, Lions e Bears, e a campanha de 13-3 tem uma chance muito pequena de se repetir, sendo um 9-7 ou 10-6 uma possibilidade muito mais realista.

 

Minnesota Vikings

Esse supostamente era para ser um ano de reconstrução para a defesa de Mike Zimmer, devido ao fato de cinco titulares terem saído do time, além de quatro reservas. O problema é que ninguém avisou Rick Spielman, que fez uma troca por Yannick Ngakoue duas semanas antes de começar a temporada, o que mantém a defesa dos Vikings em um "outro patamar".

Mesmo com a adição de Ngakoue a defesa deve sofrer contra o jogo terrestre em 2020, já que Linval Joseph foi para os Chargers e seu sucessor, Michael Pierce, optou por não jogar a temporada. Se os linebackers Anthony Barr e Eric Kendricks não segurarem a bronca, a situação pode ficar feia rápido.

No outro lado da bola o time conseguiu estabilidade na posição de coordenador ofensivo pela primeira vez na era Zimmer. Por mais que Kevin Stefanski tenha saído para treinar os Browns, o esquema usado ano passado era o de Gary Kubiak, que chegou ano passado para ser um mentor de Stefanski e assumiu as chamadas ofensivas para 2020. Isso deve dar também uma chance para Kirk Cousins evoluir, já que não precisou aprender um sistema novo e pode se dedicar a aperfeiçoar seu jogo. O que pode segurar esse ataque é o fraco miolo da linha ofensiva, que precisará de um grande salto na performance de Garrett Bradbury, center escolhido em 2019. A dupla de guards promete ser tão ruim quanto (ou até pior) no ano passado, com os prováveis titulares sendo Dakota Dozier pelo lado esquerdo e Pat Elflein no lado direito. A dupla de tackles é a mesma, com Riley Reiff de left tackle e Brian O'Neill, que vem se colocando como um dos principais right tackles na liga, protegendo a outra ponta.

A perda de Stefon Diggs também pode complicar, mas para seu lugar os Vikings trouxeram Justin Jefferson no Draft, e o segundo anista Bisi Johnson, que foi uma grata surpresa ano passado, também deve contribuir.

 

Chicago Bears

"Quem tem dois quarterbacks na verdade não tem nenhum". Essa é uma frase que ficou muito famosa na NFL em meados dos anos 80, e ela se aplica muito bem ao caso dos Bears.

Quando Ryan Pace fez a troca por Khalil Mack em 2018 e o time chegou aos playoffs com uma melhora no jogo de Mitchell Trubisky, além da chegada de Matt Nagy como técnico, muitos achavam que eles poderiam dar um passo além e que Pace era um gênio. Saltando um ano e meio no futuro, os Bears acabaram de sair de um ano decepcionante e Trubisky regrediu bastante.

A solução então era simples: contratar Cam Newton, que estava sem time, dar a ele a condição de quarterback e dar adeus ao jogador escolhido no lugar de Watson e Mahomes. Em um movimento que ninguém esperava, eles trocaram por Nick Foles, e arcam agora com o salário altíssimo dado pelos Jaguars, e Nagy anunciou que Trubs será o titular na semana 1, não Foles.

Depois de tudo isso, é muito fácil prever que a chance de 2020 ser igual ao ano passado é grande, com uma defesa que tem boas peças e um ataque com dificuldades de avançar, muito por conta também de um playmaker de habilidade, para complementar Allen Robinson.

 

Detroit Lions

O time do "agora vai" já está há alguns anos nessa situação, e só está nela por conta de Matthew Stafford, um dos jogadores mais subestimados na NFL.

Indo para o ano 3 sob o comando de Matt Patricia, os Lions investiram pesado na free agency, trazendo jogadores para quase todos os setores, sendo a maioria defensores que foram comandados por Patricia em New England. O problema é que boa parte das adições defensivas foram no front seven, e a frágil secundária do time teve como único grande reforço a adição de Jeff Okudah via Draft, mas perdeu Darius "Big Play" Slay para os Eagles.

Se Stafford se mantiver saudável em 2020 o ataque pode apresentar evolução, tendo, além do QB, uma boa dupla de running backs com Kerryon Johnson e De'Andre Swift, além do recém-chegado Adrian Peterson, um excelente recebedor em Kenny Golladay (que também é muito subestimado) e apostando na evolução do tight end TJ Hockenson.

Com as coisas engrenando, é capaz de imaginar os Lions brigando para não ficar na última posição na NFC Norte, coisa que aconteceu nos últimos dois anos e três vezes na década.