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Esquenta NFL - Análise sobre a NFC Oeste

5 de setembro de 2020

(por Edmar Jardim)

A série de análises das divisões da NFL começa pela NFC Oeste, que já era uma das mais fortes da Liga nos últimos anos, mas que em 2020 promete ser uma verdadeira “Terra de Ninguém”, com as 4 franquias niveladas por cima em comparação com outras equipes.

Para provar que trata-se de uma das divisões mais fortes da NFL, dos últimos 8 Super Bowls disputados, em 5 o representante da NFC era da divisão Oeste: 49ers (XLVII e LIV), Seahawks (XLVIII e XLIX) e Rams (LIII) foram protagonistas recentes em finais, e quando não estiveram na decisão, chegaram muito perto. A exceção são os Cardinals, cuja última grande campanha foi na temporada 2015/2016, quando deixou escapar a chance de disputar o Super Bowl 50, perdendo a final de conferência daquele ano.

Porém, em 2020, com a temporada sendo disputada em meio à pandemia mundial de Covid-19, a briga entre os 4 rivais promete ser das mais intensas já vistas, com chances reais da divisão enviar mais de 2 times aos playoffs. As repaginações, contratações e seleções via draft foram muito interessantes.

Vamos aos pontos fortes e destaques de cada franquia da NFC West para essa temporada:

Arizona Cardinals

O “rebuild” na equipe de Arizona parece estar chegando ao ponto ideal. Mesclando juventude e experiência, os Cardinals prometem dar trabalho pela primeira vez desde 2015/2016. Kyler Murray mostrou-se consistente em 2019, evoluiu seu jogo, e apresentou performances que o credenciam a um grande ano. O draft realizado pelos Cardinals agradou bastante tanto aos fãs quanto aos especialistas. Os calouros como Isiah Simmons (LB, Clemson); Josh Jones (OT, Houston) e Rashard Lawrence (DE, LSU) prometem ter um impacto imediato na equipe, elevando o nível.

A lenda Larry Fitzgerald vem pra mais um ano na NFL. Jogador veteraníssimo, conta com a simpatia de todas as torcidas, ele é detentor de recordes e estatísticas assustadoras, falta a Fitzgerald o sonhado anel de campeão. Será que esse ano vem?

Outros nomes interessantíssimos integram um elenco finalmente encorpado e que tem tudo pra dar MUITA dor de cabeça aos rivais. Destaques para o running back Kenyan Drake, que em 2019 fez a alegria de muitos no fantasy, Patrick Peterson, cornerback pra lá de impactante, e Budda Baker, safety draftado em 2017 e consolidado na defesa de Arizona, além do monstro Chandler Jones no pass rush.

O Playmaker: DeAndre Hopkins.

É, amigos. Não bastassem todos os motivos citados, a troca envolvendo o estelar recebedor vindo do Houston Texans, facilmente um top 3 na Liga, eleva o Arizona Cardinals a um outro patamar. Não é preciso comentar o talento de Hopkins, mas é necessário entender o impacto de sua aquisição na equipe, e no que ela pode produzir. Hopkins, alinhado junto a Fitzgerald, recebendo passes de Murray, com Drake no backfield. Arizona, de fato, tem todas as condições de incomodar em 2020. A conferir.

 

Los Angeles Rams

Em 2020, o recentemente badalado Los Angeles Rams precisa mostrar que não foi “One Hit Wonder” na temporada 2018/2019, e que a equipe comandada pelo técnico Sean McVay ainda é competitiva e capaz de resultados. Jared Goff vem para mais um ano em que precisa provar que seu polêmico e multi-milionário contrato de quarterback elite não foi um erro na gestão do front-office. Em 2020, os Rams vem sem uma de suas principais figuras nos últimos anos, Todd Gurley. O RB não estará no backfield após se transferir para o Atlanta Falcons, e a dúvida é como o ataque, especialidade do “gênio ofensivo” McVay, irá se comportar com as peças que restaram, e com Goff sob pressão.

Um dos pontos fortes da equipe continua sendo a ótima dupla de recebedores Robert Woods e Cooper Kupp, verdadeiros produtores de jardas para o ataque, e que ainda têm muita gasolina no tanque. Para o backfield, a esperança vem do draft. O calouro Cam Akers (RB, Florida State) foi a primeira escolha dos Rams, já no segundo round, e deverá ser utilizado imediatamente. As outras duas principais seleções foram Van Jefferson (WR, Florida) e Terrel Lewis (EDGE, Alabama).

Na defesa, o cornerback Jalen Ramsey também precisa produzir em alto nível, e performar uma temporada mais impactante, como nos tempos de Jacksonville Jaguars, a fim de justificar sua troca (motivo pelo qual os Rams não tiveram escolha no primeiro round do draft deste ano). A dúvida que paira no ar, apesar do elenco qualificado, é se os “moves” realizados pela franquia na gestão de contratos e trocas são capazes de garantir um time perene no aspecto competitivo. Por esse motivo, luz amarela no semáforo dos Rams para 2020, com alguns atletas pressionados e precisando apresentar bom rendimento.

O Playmaker: Aaron Donald.

Dizer que Donald é um dos melhores defensive ends da liga é chover no molhado. Desde que foi draftado em 2014 pelo então St Louis Rams, Donald traz pesadelos aos quarterbacks adversários. É sem dúvida um jogador de impacto inigualável dentro do elenco dos Rams, sendo capaz de transformar uma partida com uma grande atuação. Em uma nova realidade, com novos jogadores, e Goff precisando mostrar serviço, até onde McVay e seu plano de jogo conseguirão levar o Los Angeles Rams este ano?

 

San Francisco 49ers

Campeão da divisão e da conferência! Esse é o cartão de visitas do San Francisco 49ers, que chega a 2020 querendo repetir e temporada passada (exceto o resultado final em um eventual Super Bowl). Kyle Shanahan é mentor e executor de um trabalho de excelência no comando da equipe californiana. Desde que chegou para a temporada 2017, Shanahan orquestrou a reconstrução do time, culminando na potência que hoje os 49ers se transformaram. E com perspectiva de temporadas competitivas por mais algum tempo.

Jimmy Garoppolo conseguiu levar o time à final executando um sistema de jogo bem definido e com peças fundamentais em seu ataque. Mas, na decisão, mesmo vencendo a partida, na hora em que foi preciso o “algo mais”... faltou. E do outro lado sobrou. Dizer que Garoppolo não é o quarterback ideal para os 49ers é muito forte. Que estaria pressionado também. Mas, ficou a dúvida sobre a real capacidade de Jimmy ser o cara quando a equipe mais precisou. Para esta temporada ele não terá a companhia de um de seus principais alvos. Emmanuel Sanders trocou a Califórnia por New Orleans, e a posição de wide receiver é uma das que mais preocupa. Para a lacuna, foi draftado Brandon Aiyuk (WR, Arizona State), calouro que chega para dividir o papel de protagonista na posição com Deebo Samuel, remanescente do ano passado. Outro selecionado no draft que chega para suprir uma saída é Javon Kinlaw (DT, South Carolina). Com a saída de DeForest Buckner para o Indianapolis Colts, o calouro escolha de primeiro round vai ter papel importantíssimo.

Vale ressaltar a qualificação do elenco dos 49ers, que conta com nomes de peso, como o cornerback Richard Sherman, o defensive end Nick Bosa, e os running backs Raheem Mostert e Tevin Coleman, além das adições de Trent Williams para a linha ofensiva e Jordan Reed para o grupo de tight-ends.

O Playmaker: George Kittle.

Todo o poder de fogo de San Francisco tem em uma figura singular sua expressão máxima. O tight-end George Kittle é aquele tipo de jogador que a equipe seleciona, e após ver ele por uma única partida, já sabe que vai dar certo. Kittle é versátil, rápido, jovem, bom bloqueador, excelente recebedor, e capaz de proporcionar lances como aquele da vitória sobre os Saints no ano passado. Os 49ers acertaram em cheio com Kittle no draft de 2017, e ele se tornou o símbolo de uma nova era na franquia. Será que vão acertar novamente em 2020 na reposição de peças e repetir a campanha chegando a um novo Super Bowl?

 

Seattle Seahawks

Entra ano, sai ano, e lá está o Seattle Seahawks: competitivo, brigador, mas faltando alguma coisa. Críticas ou elogios à parte, dos 4 times da divisão, os Seahawks são o que tem a verve vencedora mais longeva no período recente: de 2012 até aqui, a dobradinha Pete Carrol (head coach) e John Schneider (general manager) levou a franquia aos playoffs em quase todas as temporadas, exceto na de 2017, e com recorde positivo de vitórias em todos os anos. O fato de ser competitivo não vem sendo suficiente desde a última aparição em um Super Bowl, (2014), e para que neste ano seja diferente, alguns setores do time passaram por uma reformulação.

O principal deles (e também o mais criticado nos últimos anos pela falta de investimento e de cuidado da direção) foi a linha ofensiva, que apesar de não contar com nomes de peso, promete uma formatação bem mais interessante e um resultado melhor na proteção ao quarterback no passe, bem como abertura de gaps para o jogo corrido. A unidade titular em 2020 deve ser composta por: Damien Lewis (OG, LSU) que foi draftado este ano e tende a ser o nome de maior impacto da classe no primeiro momento; B.J. Finney, center adquirido junto ao Pittsburgh Steelers; Brandon Shell, tackle adquirido junto ao New York Jets; e nomes conhecidos da torcida como Mike Iupati e Duane Brown, remanescentes do ano passado.

Ainda no ataque, D.K Metcalf em sua segunda temporada, os veteranos Tyler Lockett e Phillip Dorsett, e o veteraníssimo tight-end Greg Olsen devem ser as peças principais, junto a Chris Carson e Carlos Hyde no backfield. Munição e proteção de sobra para Russell Wilson, que vê no papel, sem dúvidas, a melhor montagem de seu time nos últimos anos.

As alterações na defesa também foram significativas. O retorno de Bruce Irvin para juntar-se a K.J. Wright e Bobby Wagner no corpo de linebackers é importante, bem como a aquisição do cornerback Quinton Dunbar junto ao Washington. Mas, a adição de maior impacto promete ser Jamal Adams, safety adquirido junto ao New York Jets. Adams é um top 5 da sua posição e, junto a Quandre Diggs, formará uma das duplas de safety de maior peso na Liga.

No impasse sobre o retorno ou não de Jadeveon Clowney para 2020, os Seahawks draftaram Darrel Taylor (DE, Tennessee) no segundo round. Além dele, Jordyn Brooks (LB, Texas Tech), que foi escolhido no primeiro round, também deve ser nome constante em aparições na rotação da defesa, principalmente se Bruce Irvin for deslocado para a linha defensiva.

O Playmaker: Russell Wilson.

O mágico de Seattle é, sem dúvidas, o ponto de desequilíbrio no time. Responsável direto por boa parte de muitos dos resultados positivos alcançados ao longo dos últimos anos, mesmo com jogadores por diversas vezes apenas medianos ao seu redor (e a despeito dos coordenadores ofensivos, cabe ressaltar), Wilson é um quarterback suis-generis. Além da alma e representação máxima do que é a equipe do Seattle Seahawks (em campo e fora dele), Wilson traz consigo a capacidade de mudar uma partida em um piscar de olhos. Ainda com bons anos de carreira em alto nível, Russell Wilson corre atrás de mais um anel de campeão, e de entrar de vez para o hall de quarterbacks que serão lembrados por muitos e muitos anos. Pete Carroll e Russell Wilson conseguirão levar o Seattle Seahawks a mais um playoff e a mais uma corrida pelo troféu Vince Lombardi?