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Em jogo histórico, Bengals batem Chiefs de virada e estão no Super Bowl

30 de janeiro de 2022

(por Edmar Jardim)


Kansas City Chiefs e Cincinnati Bengals se enfrentaram na final da AFC em Kansas City, e deu ruim para os "hypados" mandantes. Taxados como zebras, os Bengals tiveram uma grande atuação no segundo tempo, e conseguiram deter uma das equipes mais brilhantes das últimas décadas, jogando fora de casa, e retornando ao Super Bowl pela primeira vez desde 1988. 

Eu poderia contar como foi o primeiro tempo através das jogadas, escrever sobre os lances, mas é chover no molhado. Nada de novo: Travis Kelce e Tyrek Hill voando, Mecole Hardman recebendo passes importantes, jogo corrido de Kansas encaixado, a OL fazendo um brilhante trabalho como de costume, Mahomes fazendo mágica. O usual. 

Vou me ater aos motivos da facilidade pra isso tudo acontecer, que ao meu ver, foi a excessiva timidez dos Bengals tanto ofensiva quanto defensivamente. No ataque, algumas chamadas não condizentes com as situações de campo e a ausência de brilho de Joe Burrow nos passes em profundidade. Não porque ele errou, e sim porque sequer foram chamados. Um erro ao meu ver, já que esta vinha sendo a marca desse ataque, principalmente acionando Ja'Marr Chase, que teve poucos alvos. 

Na defesa, a falta de ousadia e principalmente de pressão em Patrick Mahomes. Com tempo pra pensar e ler o jogo, o quarterback dos Chiefs simplesmente teve meio caminho andado pra fazer o já conhecido estrago. Pressão em apenas 13% dos snaps segundo as estatísticas oficiais, e a receita perfeita pra tomar pontos. 

Os Bengals encontraram resposta apenas em um field goal e um touchdown já na penúltima campanha do segundo quarto, anotando 10 pontos. Porém tomaram 21, e só não foi pior porque os Chiefs perderam a chance de ampliar na última campanha, jogada que custaria caro ao fim da partida. O cenário, a esta altura, era dos piores possíveis para a equipe visitante. Mas senhores, esta é a NFL. 

Halftime: Bengals 10-21 Chiefs 

No retorno do intervalo, Cincinnati conseguiu trazer equilíbrio às ações. Assistimos a outro jogo, bem diferente do visto até então. A principal mudança nos Bengals foi a postura defensiva, bem mais agressiva, e que finalmente passou a barrar Mahomes e seus coleguinhas. Que aliás, sumiram. 

A mudança de postura veio também ofensivamente, e somada à queda de efetividade e produção do ataque dos Chiefs, finalmente tornou a final de conferência um duelo inesquecível. Começava aqui a histórica virada de Cincinnati, desacreditada por quase todos, menos por essa equipe de tanto coração. 

Primeiro um field goal, e em seguida um touchdown seguido de conversão pra 2 pontos, em lindo passe, e a partida já estava empatada. Cincinnati jogava demais tanto na defesa quanto no ataque a este ponto do jogo. 

Já no derradeiro quarto, a apatia dos Chiefs assustadoramente persistia. Nenhum ponto desde o intervalo, Mahomes interceptado. Mais um field-goal dos Bengals. 14 pontos sem resposta, e os visitantes na frente, 24-21, com Burrow desfilando seu bom futebol americano. Trata-se sem dúvida de mais um grande talento, e se prova uma escolha pra lá de acertada. 

Aqui eu poderia falar do staff, coordenadores, do trabalho por trás do campo, e até do head coach Zac Taylor, que maturou sua equipe em tão pouco tempo. Mas vou citar Patrick Mahomes, Andy Reid, e todo o Kansas City Chiefs. Mesmo apáticos, a sensação que passavam era a de que tinham a partida sob controle, e a qualquer momento a mágica voltaria a acontecer, num sinal de certa arrogância no entendimento deste que escreve. É como se a qualquer momento tudo fosse voltar ao normal. Mas esqueceram que estavam jogando futebol americano. E contra uma equipe de brio, taxada como zebra. 

Atrás no placar por 3 pontos, Mahomes e os Chiefs tentaram acordar e aplicar o golpe final. Com pouco mais de 4 minutos no relógio, o ataque de Kansas City queimou bem o tempo restante, e evoluiu em campo com boas chamadas e Travis Kelce aparecendo novamente como homem de segurança. 

Na terceira pro gol derradeira Mahomes teve a chance de virar a partida, mas em grande jogada da defesa sofreu fumble, que foi recuperado por Kansas. Buttker acertou o chute de 43 jardas, mandando a partida pra prorrogação. Seria injusto a esse ponto se tivesse sido diferente. 

Final do tempo normal: Bengals 24-24 Chiefs 

Na prorrogação, novamente os Chiefs tiveram a posse de bola inicial, como na semana anterior contra os Bills. Mas diferente da semana anterior, Mahomes, pisando em ovos, foi interceptado na primeira campanha, dando logo de cara a chance de vitória pra Cincinnati. 

Joe Burrow trouxe a sua recém-brilhante estrela pro drive final. A cada corrida, a cada jogada predestinada a escrever uma história,  uma punhalada no peito dos Chiefs: na arrogância, no preciosismo, no torcedor no Arrowhead, e principalmente em um quarterback que apesar de toda a sua capacidade, também é humano. E como qualquer ser humano, sucumbiu. Sucumbiu ao novo. Sucumbiu à persistência. Sucumbiu ao até então improvável. Sucumbiu à agora ex-zebra. Patrick Mahomes perdeu. 

No chute do calouro Evan McPherson, posicionado magistralmente por Burrow nas já citadas e doídas punhaladas, uma bicuda nas pretensões dos atuais bicampeões da conferência. No voo da bola, o voo de uma franquia que volta à baila após muitos anos. Vai, tigre! 

O Cincinnati Bengals está no Super Bowl.

 

Final: Cincinnati Bengals 27x24 Kansas City Chiefs