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Em dia de “Martín Palermo”, Cristiano Ronaldo mostrou toda sua grandeza em dois lances comuns

13 de setembro de 2021

(por João Zarif)
 

A estreia de Cristiano Ronaldo no último sábado pelo Manchester United, contra o Newcastle, foi o palco do mundo: todos apaixonados por futebol estavam ligados na partida em Old Trafford, sejam fãs de CR7, ou os famosos “haters”, a torcida do United, do Newcastle ou apenas apreciadores do esporte bretão.

Enquanto o mundo inteiro assistia ao reencontro do “gajo” com a torcida de Manchester, o português entrava em campo nervoso, como admitiu após sua boa atuação. Mas “a volta” não poderia ser comum, não deveria passar em branco, e ele não deixou isso acontecer.

Aos 36 anos ele não é mais o mesmo jogador “plástico” que foi um dia. Não finta como antes, não tem a mesma explosão, mas continua o mesmo vencedor de sempre. Se você precisar dele em momentos específicos, ele vai aparecer, e ele fez o que se esperava contra o Newcastle, para abrir o placar e também quando o time da casa parecia fadado ao empate em casa.

Na chamada do texto falo sobre Palermo, e agora explico a comparação. Muitos viram Martín Palermo atormentar defesas pelo Boca Juniors, Villarreal e a seleção da Argentina no fim da década de 90 e também na primeira década dos anos 2000, ganhando o apelido de “otimista do gol”. a alcunha veio por nunca desistir do lance e anotar gols que ninguém anotaria. Nenhum atacante além de Palermo e Cristiano Ronaldo. Na sua reestreia pelo United ele demonstrou faro de gol totalmente incomum para os dias de hoje. 

No primeiro gol, enquanto Greenwood chutava e a defesa toda esperava uma defesa simples, ele se preocupava desde o início em não ficar impedido, e correr para conferir um rebote improvável. No segundo gol mais “otimismo”. Contra-ataque do United, ele correu abrindo a linha de passe entre ele e o marcador, Luke Shaw percebeu e passou. A bola chegou, e CR7, da forma mais natural possível, puxou para a perna ruim (se é que podemos falar isso), bateu rasteiro, e a bola passou por baixo de Woodman até morrer nas redes. Mais um gol “simples” na reestreia tão esperada.

Os tentos pareceram simples, fáceis, comuns, mas não foram. Analisando os dois lances, ficam nítidas as capacidades de CR7 antecipar a chance por vir, e também de enxergar espaços que antes não existiriam, não para os “comuns”. Todos os dias vemos rebotes como os do primeiro gol sendo facilmente recolhidos pelos goleiros que “falharam” e também de “defesas fáceis” em chutes como o do segundo gol, mas não com Cristiano Ronaldo.

Cristiano pode não ser o melhor da história (para alguns é), mas ele soma quase todas qualidades que um jogador pode ter, entre elas a que mostrou nesse jogo: o “otimismo” de Palermo, traduzido em fome de gol e oportunismo. Mas contra o Newcastle, também ficaram claras as qualidades de Ronaldo que o tornam tão especial: a confiança e a personalidade que só ele tem. 

Alguém imagina Solskjaer colocando CR7 no banco em sua possível estreia como aconteceu com Messi? Jamais o técnico ousaria tomar uma atitude como a de Pochettino na estreia do argentino pelo PSG. Não por falta de humildade do português ou de confiança do inexperiente técnico norueguês, mas sim porque Ronaldo quer estar em campo sempre, marcar sempre, vencer sempre. 

Ronaldo nasceu para ser protagonista todos os dias, toda vez que entra em campo. Por essas e outras que mesmo em um “dia de Palermo”, o “robozão” é diferente. Os dois gols “simples” contra o Newcastle em sua reestreia ficarão na memória de todos que acompanharam a partida para sempre, pois Cristiano Ronaldo faz lances simples se tornarem grandes, e faz feitos enormes parecerem comuns, coisa que ele não é, pois CR7 é um monstro.