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El legado nunca se desvanecerá - Uma ode à Freddy Rincón

14 de abril de 2022

(Por Jefferson Castanheira)

Freddy Eusébio Gustavo Rincón Valencia. 

Da portuária cidade colombiana de Buenaventura, 145 quilômetros da grande cidade de Cali, separado dela pela Cordilheira Ocidental dos Andes, saiu uma joia bruta. A data de sua chegada ao mundo por meio desta localização veio no dia 14 de agosto de 1966, filho de Rufina Valencia e José Rafael Rincon que ainda deram a luz para outros dois irmãos de Freddy. Por meio destas origens, surgiu alguém que quebraria as fronteiras geográficas e do esporte. Alguém que seria tão forte, tão temido e tão respeitado que conquistaria o mundo e deixaria sua marca. 

Freddy Rincón cresceu. A paixão pelo futebol já fazia parte dos olhos do jovem colombiano desde sua idade mais nova, trazendo dentro de campo, nas ruas e nas quadras também por onde jogou futsal, sua extrema habilidade, visão de jogo e um tamanho de jogador de basquete. Com 1,89m desde ainda sub-20, Rincón chamou a atenção de grandes clubes pela América Latina, partindo inicialmente do clube que o revelou para o mundo, o Atlético Buenaventura, de sua cidade natal. A ida para o Tolima o catapultou para o Independiente de Santa Fé, que fez seu futebol crescer de maneira magistral até atingir o América de Cali, time de seu coração. De Cali, veio para o alviverde imponente. 

Aliás, imponente. Podemos usar esse substantivo para definir como Rincón jogava. Como um primeiro volante, segundo volante, meia central, Rincón conquistou o coração do Brasil. O gigantesco e forte colombiano que atuava como um xerife e capitão de onde passava, nunca esqueceu de sua origem e de sua Colômbia, apesar de passagens por times europeus como Napoli e Real Madrid. 

Seu grande momento como um ícone de seu país veio em 1990. Na Copa daquele ano enfrentando a Alemanha Ocidental em sua última edição antes da unificação, Rincón fez o gol mais gritado da história da Colômbia, quando acertou um chute fulminante que classificou a sua seleção para as oitavas de final da competição, um recorde para o país que só fui quebrado em 2014. A energia colombiana irradiava no noroeste do continente, e uma marcante e gigantesca idolatria alí se construía. De Valderrama, Valencia, Asprilla e Rincon, a gigante seleção colombiana representava um futebol vistoso, forte, gigante, homérico. Adjetivos todos que classificam Rincón como um orgulho nacional colombiano.

Mas não foi apenas essa fronteira que Freddy Rincón atravessou na carreira. Ao voltar da Europa, uma segunda passagem pelo Palmeiras e logo em seguida, sua chegada no outro lado da Marginal Tietê e Pinheiros. No lado leste do mapa paulistano, chegava alguém que poderia ser visto como algoz diretamente do oeste da capital e do continente. Rincón conquistou títulos pela nação corintian,a que o classificou como ídolo. O xerife, que além de levantar duas taças de campeão brasileiro pelo Corinthians e também uma pelo Palmeiras, conquistou o mundo em 2000. Ainda passou pelo Santos, Cruzeiro e encerrou sua carreira no Corinthians, onde ainda foi técnico do time Sub-20 em 2009. 

Fazer Corinthianos e Palmeirenses chorarem no mesmo dia, é pra poucos.

É pra Rincón.

Rincón já era a síntese da raridade. Um monstro fisicamente em campo que sempre representava respeito para quem jogava contra ele e admiração daqueles que jogavam ao lado dele. Das arquibancadas de todas as cores, Rincón trouxe consigo a idolatria de povos, trouxe na chuteira e na sua cara fechada toda a resistência latina perante os gigantes de fora. Dentro de suas ações em campo, Rincón não jogava sozinho. Trazia sua cidade de Buenaventura e o orgulho do povo colombiano consigo. Trazia toda a herança de sua família, de seu coração, de sua raça inesgotável e de um legado que se solidificou há décadas e décadas. 

Nenhuma lágrima derrubada hoje deveria ser contida. Rincón não foi contido. Rincón era uma jóia bruta que não precisava ser lapidada. A beleza de seu brilho era tão surreal que era vista dentro de cada rocha e cada magma que cercava sua preciosidade. Partiu segurando a mão de seu filho orgulhoso, Sebastian Rincon, que carrega esse sobrenome tão marcante na história do esporte e do coração latinoamericano.

A ti, celebramos. A América celebra Rincón.